O Jornalista


“Há, de resto, cada vez mais palavras que, à força de serem repetidas pelo que não são, perdem a força do que são.” Jornalista é uma delas.
Quando procuramos pelas páginas de um dicionário a palavra "jornalista", deparamo-nos com a definição: "profissional que trabalha em comunicação social, exercendo funções de pesquisa, recolha, selecção e tratamento de factos, notícias ou opiniões, através de texto, imagem ou som, destinados a ser divulgados através de publicações, agências noticiosas, televisão ou rádio". Ora, omitindo a pequena palavra "profissional", percebemos que jornalista pode ser todo aquele que informa.
Nos dias correntes, em tudo o que nos rodeia, torna-se muito fácil «apontar o dedo», não devido a uma exorbitante quantia de falhas, mas sim devido a uma progressivamente menor indulgência por parte da Sociedade. O que é mau é lembrado por algum tempo o bom, esse nem recordado é.
Lembremo-nos do que os Taxi cantavam:
"E como tudo o que é coisa que promete
A gente vê como uma chiclete
Que se prova, mastiga e deita fora, sem demora"
O que promete é esquecido, o que tem valor é abandonado. Não poderia haver melhor forma de os Taxi, há 29 anos, fazerem uma crítica a esta "sociedade de consumo imediato" que ainda hoje perdura.
Assistimos actualmente a uma espécie de luta entre o Jornalista e o seu consumidor, que, sem meias medidas, faz questão de criticar de alto a baixo todo o serviço que lhe é prestado. É verdade que os media têm controlo sobre o Mundo, podendo mudar a opinião de todos nós de forma instantânea, e, com um pequeno grande erro movem massas por causas erradas ou inexistentes. Mas tal atitude não tem necessariamente de ser julgado com o menosprezo patente na generalidade dos que se dizem «mal-servidos», porque se existem maus profissionais existem também bons.
Torna-se impreterivelmente importante lembrar a qualidade antes de «apontar o dedo» ao erro, já que certamente o mundo não seria o mesmo sem o Jornalista.

8 comentários:

José Nuno disse...

Já te tinha dito que gostei muito do texto.
E a imagem ficou espectacular, pelo menos na minha opinião.
Abraço

Anónimo disse...

A Liberdade ainda é um sonho para muita gente à volta do Mundo, a imagem foi muito bem escolhida!
Parabéns!

Juca disse...

permite-me discordar.
talvez o problema não esteja no público mas na pobre selecção (ou formação) de quem se diz jornalista. ou talvez porque vemos demasiadas vezes jornalistas com um complexo de deus brutal. vemos que os media ostracizam organizações e pessoas com tremenda facilidade. vemos jornalistas pouco objectivos, e, com frequencia, demasiado senhores de justiça. naturalmente, ficamos claramente agradados quando alguém como o dr. mariano pinto põe a dr.a manuela m. guedes no lugar, questionando o profissionalismo dela.
mas claro que é apenas uma generalização. claro que há bons jornalistas. muitos. mas, tal como a descredibilização da classe não pode ser feita à custa dos maus "jornalistas", a credibilização não pode ser ignorando que estes existem.

já agora, e por curiosidade, vi hoje de manhã uma jornalista, a entrevistar um rapaz, que teria talvez a tua idade e que estava a vender um jornal da escola dele ao dr. jorge sampaio. ela perguntou-lhe "queres ser jornalista?" ao que ele respondeu: "não, quero ser médico, mas acho que o jornalismo é uma área não só interessante como importantíssima". muito pouco depois ela pergunta-lhe: "o que sabes sobre a implantação da república?" ele fica parado a olhar e responde: "bom, não é muito fácil resumir tudo o que sei aqui, assim". eu pensei. "touché..."

abraço

Maialtec disse...

Rapaz, ainda não tinha comentado o blog, mas faço-o agora. Acho que a nível visual está muito bom mesmo, mas vindo de ti não me surpreende. Até agora gostei de todos os posts e espero que continues, aguardo pelo post do rock tuga ;D
Abraço.

auxília disse...

A propósito de jornalismo, aconselho a leitura do post de 1 de Fevereiro do blog: http://www.apatadogaspar.blogspot.com/

Continue, Francisco, na linha de quem não quer passar, pateticamente, pela vida, de forma acrítica...

Anónimo disse...

Gosto deste blog, sinceramente gosto, talvez por ter como frustação não ter abraçado a carreira de jornalista e verificar que outros houve que seguiram em frente em direcção ao sonho, seja de que forma for.
Gostava de perguntar-te se o "revisto a lápis azul" é um sarcasmo ou quer dizer outra coisa, pois para mim lápis azul remete-me para uma parte da história de Portugal onde ser jornalista era um verdadeiro desafio e que por vezes assumia contornos de jogo do gato e do rato, mas parece que o gato quer voltar;)

Abraço

Paulo Barbas
p1972b@gmail.com

João Baptista disse...

Bom artigo, com uma imagem muito bem escolhida. O design do blog é simples mas perfeito.

Continua o bom trabalho!

melro disse...

a net é um meio que cada vez mais informa e ganha terreno, em detrimento do papel que vai perdendo força (e dinheiro, não é por acaso que assino certas publicações), o que não ajuda em nada a isenção e capacidade de trabalho dos jornalistas. sérios e empenhados.

a maior parte dos jornalistas correm sempre atrás do que já foi, querem chegar em primeiro lugar, ter o destaque. ou dizer meia dúzia de larachas que debitam sem estudar nem pesquisar.

exemplo foi a veleidade com que se falou, em Fevereiro, da nova lei da maternidade, que só entrou realmente em vigor em Maio. falei com uma jornalista, responsável por uma reportagem da tv que reconheceu ter feito o trabalho em cima do joelho. essa diferença de 3 meses afectou a vida de várias mulheres, que não puderam tirar partido das alterações à lei e que foram levadas ao engano pelo noticiário nocturno.
e a jornalista continuou, impune e tranquila, porque o que importa é o hoje, o que tem de ir para o ar.

para trás ficam muitas vezes coisas importantes, talvez as mais importantes, que exigem tempo e muita, muita pesquisa, cruzar de dados, etc. para isso é preciso dinheiro isento e limpo e sabemos que cada vez mais falta com que pagar os melões...

há um jornalista francês que talvez conheça, ou talvez lhe interesse conhecer - Pierre Carles. independente, incisivo, implacável. põe a nu muita coisa da sociedade francesa, nomeadamente da promiscuidade política/media.

tudo isto para dizer que, nesta peregrinação pelas categorias que não me dizem respeito, gostei do seu blog, e que cliquei no logo da cerveja para votar.
continuação de bom trabalho, e a imagem do blog está bestial!

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