As decisões da FIFA


Na passada quinta-feira, dia 2 de Dezembro, a FIFA decidiu que os Campeonatos do Mundo de 2018 e 2022 vão ser organizados pela Rússia e pelo Qatar, respectivamente. Estes dois países bateram assim um pequeno leque de adversários que também ambicionavam poder organizar o Mundial. A candidatura ibérica, tal como a inglesa e a australiana, está entre os derrotados.
O gás natural
Em termos estatísticos é o maior país do planeta, ocupando mais de 11% do território de todo o globo, e alberga cerca de 142 milhões de pessoas. Foi, em conjunto com os Estados Unidos, uma das potências vencedoras da 2ª Guerra Mundial, o que depois veio a originar o conturbado período da Guerra Fria. Faz parte do G8 e do G20, tem o 12º maior PIB, e é actualmente o maior produtor de gás natural. Como acabamos de reparar, é impossível negar o poderio financeiro que a Rússia tem sobre o mundo. Com um orçamento de 2800 milhões de euros a Rússia vai construir treze estádios novos e renovar apenas três, esperando vender cerca de 3,1 milhões de bilhetes.
Em termos futebolísticos é necessário remontar ao ano de 1988 para encontrar o último palmarés da selecção russa, um 2º lugar no Campeonato Europeu. Já em Mundiais a Rússia apenas atingiu um 4º lugar, em 1966 quando perdeu frente a Portugal por 2-1, com um golo de José Torres no último minuto. Actualmente, a Rússia ocupa o 13º posto do ranking da FIFA, não tendo logrado qualificar-se para os dois últimos Mundiais. Contudo, as equipas russas têm começado a coleccionar boas prestações nas competições europeias.
O petróleo
O Qatar é um pequeno país árabe com menos de 1 milhão de habitantes. Sob uma monarquia absoluta, o emirado do Qatar tem a extracção do gás natural e do petróleo como principais fontes de riqueza. Possui, de momento, o 4º maior PIB per capita do planeta, segundo o FMI. Contudo, o Qatar conheceu a expansão e a riqueza há relativamente pouco tempo, em 1995 o actual emir derrubou o seu pai, que desviava as receitas petrolíferas, num golpe de Estado. A partir daí, o pequeno estado árabe tem conhecido um período áureo da sua história, possuindo até um IDH muito elevado.
Ocupando a posição 113 do ranking FIFA, o Qatar promete construir nove estádios e renovar três, com um orçamento de 3000 milhões de euros para esse mesmo efeito. Nunca participou num Mundial e detém uma liga nacional medíocre, revelando um futebol de muito fraca qualidade. Se a África do Sul foi a primeira selecção da casa a não passar a fase de grupos, é improvável que o futuro sorria às cores do Qatar.
Denotamos claramente as preferências da FIFA por países economicamente fortes e com uma forte influência no Mundo, seja pela política ou pelos recursos. O órgão máximo do futebol mundial afirmou a necessidade de expandir os horizontes do desporto rei, mas esses objectivos parecem demasiado dissimulados. O dinheiro venceu a história, mais uma vez.

Sem comentários:

Enviar um comentário