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Portugal e o alargamento


Novamente rejeitado pela Federação Portuguesa de Futebol, o alargamento da Liga tem suscitado diversas reacções no espectro de clubes profissionais portugueses. Proposto com diversas soluções, ainda não é desta que o alargamento é aprovado de modo definitivo. Mas será que tal medida vingaria no futebol nacional? Mais importante ainda, o que dizer da competitividade e da verdade desportiva?
O alargamento
Alargar de 16 para 18 o número de clubes na primeira divisão, regressando ao formato da época 2005/2006; foi esta a proposta de Mário Figueiredo, presidente da LPFP - Liga Portuguesa de Futebol Profissional. Desempenhando papel preponderante para a sua eleição como director deste organismo, a medida foi mais uma vez vetada pela FPF, mas Mário Figueiredo já afirmou que a sua «continuidade não depende desse assunto».
Iniciando o seu trilho com uma proposta que previa a não descida de qualquer equipa da Liga Zon Sagres, o alargamento cativou, desde logo, a atenção dos clubes que pela linha d'água vagueavam. Contudo, nem todos se mostraram tão receptivos, e dirigentes de equipas como o Sporting, o Porto e o Nacional revelaram a sua indignação face ao alargamento, impugnando a sua aprovação. A medida chegou a ser conotada de «imoralidade» por Pinto da Costa e «promoção da ilegalidade» por Rui Alves, presidentes do FC Porto e do CD Nacional, respectivamente.
Lançado o mote para mais uma discussão acesa no futebol português, Mário Figueiredo insistiu na aprovação da medida e adicionou o processo de "liguilha" para decidir as subidas e descidas. Ainda assim, o alargamento foi mais uma vez rejeitado pela FPF.
Bom senso e verdade desportiva
Os dirigentes nacionais ainda não entenderam que a promiscuidade só favorece os "grandes". Mais cedo ou mais tarde, a má gerência toma o lugar e cumpre o seu papel corrosivo, aniquilando qualquer equipa que se lhe faça frente. Foi o que aconteceu com o Salgueiros, ou o Boavista, e é o que já se prepara para abater sobre a União de Leiria.
Numa altura em que os salários em atraso não são motivo de surpresa, discutir a adição de duas equipas a uma competição que está longe de ser competitiva só pode ser uma brincadeira de mau gosto. Mas os clubes aceitam-na, cegos pela aparente "ascensão social" ou pela fatal manutenção. A subida ao escalão primodivisionário do futebol nacional não é para todos, a ambição desmedida tem de ser travada, caso contrário é o futebol que perde. Ao continuar, o futebol português tornar-se-à incomportável para uma boa parte dos clubes, e qualquer dia jogamos numa Liga Escocesa, com 12 equipas a três voltas. Meditando sobre isso, não sei até que ponto seria prejudicial.
Finalmente, é ainda necessário referir que todo este processo surge no decorrer da competição desportiva que pretende alterar, pelo que tem as intenções de mudar as regras a meio do jogo. Sem demais análises às medidas propostas, este aspecto é, por si só, reprovável, colocando em causa os valores de justiça desportiva e bom senso.
Fazendo uso das palavras do antigo secretário de Estado do Desporto e Juventude, Laurentino Dias, «É ilegal porque não se podem mudar as regras a meio, é irracional porque não tem fundamento em quaisquer estudos, e é oportunista porque resulta de uma proposta de campanha eleitoral, da qual se percebia qual era o sentido.»

A Liga do avesso


Há cerca de um mês chamar-me-iam de louco, demente ou insano. Os óraculos do futebol cuspiriam sobre mim e os adeptos seguir-se-iam, vaiando e apupando, mostrando sua larga insatisfação. Pois, mas eu também não ousei pensar em algo do género, quanto mais em partilhá-lo com as gentes! Mas aconteceu, muito para desgosto da hostes benfiquistas e para júbilo da nação portista.
Quatro jogos decisivos
Confortavelmente no primeiro posto da Liga Portuguesa, com cinco pontos de avanço sobre o segundo classificado FC Porto, o Benfica prepara o jogo contra o Zenit de São Petersburgo. Em três jornadas defrontaria a equipa do norte, mas as atenções estavam voltadas para o encontro da Champions. Os encarnados acabariam por perder a partida de forma inglória, com o marcador a mostrar um frio e pouco justo 3-2. Ainda assim, resultado menos negativo do que a temperatura soviética - chegaram a estar -20ºC na Rússia -, visto o encontro ter sido jogado no campo do adversário. Não obstante, tratava-se da segunda derrota da época, depois de as águias terem caído frente ao Marítimo para a Taça de Portugal, ainda em Dezembro.
Voltando-se para a Liga nacional, pela frente apareciam V. Guimarães, Académica e FC Porto; com apenas este último embate a ser jogado em casa. Contra os vimaranenses não se esperavam facilitismos, e assim o foi. Os ataques encarnados foram demasiado inconsequentes, e o único golo do jogo surgiu pelo pé de Toscano, aos 37 minutos. Com esta derrota, o Benfica ficava apenas dois pontos à frente do Porto, o que ainda era uma vantagem preciosa. Frente aos estudantes, golos nem vê-los; o jogo terminou mesmo com um nulo, pelo que as águias viam cinco pontos sumir em apenas duas partidas, permitindo o regresso do Porto à liderança. Agora faltava o clássico, onde o Benfica poderia colocar um ponto final a esta onda de resultados negativos.
Um clássico é sempre um clássico
Apesar de serem apenas três os pontos em discussão, o clássico não poderia surgir em altura mais importante. O vencedor conquistaria a liderança isolada e o derrotado correria o risco de ser apanhado pelos guerreiros minhotos do SC Braga. O Porto acabou por vencer pela terceira vez consecutiva no Estádio da Luz, condenando o Benfica à sua quarta partida sem qualquer triunfo. Mas não foram simples as contas e há bastante a comentar sobre o clássico.
Do ponto de vista da arbitragem são dois os casos mais problemáticos: primeiro o penalty não assinalado por mão de Cardozo aos 81', e depois o golo vitorioso do FC Porto, mal validado devido ao fora-de-jogo de Maicon. Ambas estas ocorrências escaparam à equipa de arbitragem, o que elevou bastante os ânimos à volta do clássico.
Vital é referir o papel de Vítor Pereira no encontro, que finalmente revelou aptidão técnico-táctica, arriscando e colhendo bastantes frutos. A perder 2-1 soube prescindir de Rolando, recuar Djalma e colocar tudo nas costas de James Rodríguez, que pouco depois fez o empate. Sem se contentar com o resultado, Vítor Pereira faz entrar Kléber para o lugar de João Moutinho, o que, apesar da expulsão de Emerson, foi colocar tudo em risco. Na jogada seguinte surge o tal golo em infracção de Maicon que deu a vitória aos dragões.
Remontada
Se as anteriores jornadas já premeditavam uma virada completa na Liga, este encontro acabou por ser o seu culminar. O Benfica, que desde o início da temporada jogava o melhor futebol em Portugal, vê o seu trabalho parcialmente destruído em pouco menos de um mês. Quanto ao FC Porto, que vinha vencendo sem grande espectáculo, fez o seu trabalho e não se deixou cair sob a pressão. Mas uma coisa é certa, enquanto que os dragões concentram todas as suas forças na principal competição nacional, as águias ainda discutem a Champions.
Quem também se aproveitou desta situação foi o Braga, que igualou o Benfica no segundo posto, mostrando condições para um eventual assalto à liderança. A nove jornadas do final, com 27 pontos em discussão, ainda há muito campeonato para jogar e o vencedor está longe de ser encontrado. Place your bets.
Hoje à noite: SL Benfica x Zenit às 19h45 em directo na RTP1

Dragão sem chama

abola.pt
O ano mudou e os desejos de Vítor Pereira até agora não foram ouvidos. Os pontos estão lá, mas a equipa dos dragões continua com exibições medíocres, seguindo a velocidade excessiva por entre um sinuoso trilho de areia. Um pequeno erro - ou até a falta de sorte - pode ditar o despite, isto enquanto o Benfica soma e segue, mais humilde e confiante.
O treinador e os dirigentes
Depois de uma época sem igual, seria de esperar que o FC Porto, com ou sem Villas-Boas, com ou sem Falcao, conseguisse vingar e dar continuidade ao seu momentum. Contudo, a escolha de um treinador sem currículo não foi acertada, pelo que a mudança fez ruir a confiança dos dragões. Desde então, sócios e simpatizantes têm flanqueado o técnico, exigindo o seu despedimento. Há uns tempos ainda pôde dizer «não vejo ninguém à nossa frente», mas depois perder a Supertaça Europeia, ser eliminado da Liga dos Campeões e da Taça de Portugal, Vítor Pereira viu o Benfica assumir a liderança da Liga Portuguesa.
Aguardemos, não o tornemos num Cristo, ou pelo menos não o crucifiquemos sem companhia. É um facto consumado que as escolhas de pré-época dos dirigentes do FC Porto deitaram muito a perder. Frente ao Barcelona o Porto estreou um avançado de nome Kléber, que nada mostrou em concreto e de forma alguma substituía Falcao; desde então marcou apenas 7 golos. O Porto contratou também o lateral-esquerdo Alex Sandro pelos singelos 10,3 milhões de euros, este que jogou duas partidas desde Agosto. Outros 17,8 milhões foram pagos pelo lateral-direito Danilo, que apenas chegou em Janeiro, já depois de muita discussão com o Santos. Quanto à escolha de treinador, bem, já falámos disso.
Mudança precisa-se
O tempo urge, o Benfica não perdoa e o Porto ainda não conseguiu apanhar a saída do trilho de areia. Sem chama no início da época, o mercado de Inverno oferece novas esperanças; aguardam-se afirmações dos reforços (Kléber, Alex Sandro e Danilo), tal como as tão desejadas boas exibições de Hulk. À falta de todas estas - no chamado worst case scenario - a equipa azul e branca teria uma época de flops sem precedentes. Tudo isto dificultaria ainda mais a tarefa de defrontar o Benfica, formação que se apresenta muito mais consistente a nível exibicional.
Uma ligeira mudança não tem por costume alterar o sistema, pelo que Pinto da Costa e seus dirigentes estão a operar uma pequena revolução dentro do FC Porto. Guarín e Belluschi estão de saída, ambos em regime de empréstimo com opção de compra - poderão render 20 milhões de euros ao Porto no final da época. Para reforçar o ataque chegou Janko, gigante austríaco pretendido para a função de matador. Não obstante, parece ser Lucho González a dar o maior alento à nação portista, os adeptos nunca esqueceram a classe do médio argentino, e El Comandante volta a casa a custo zero.
O Porto tem agora pouco menos de quatro meses para recuperar os 5 pontos de diferença que tem para o Benfica, tal como tentar singrar na Liga Europa frente a um prepotente Manchester City. Não se avizinham facilitismos, mas a equipa tenta adaptar-se às mudanças necessárias. Ainda assim, uma coisa é certa: apesar dos resultados desportivos menos positivos, o FC Porto continua com olho para o negócio.

Por entre as quinas da selecção


A selecção portuguesa de futebol está igual a si mesma: mais um apuramento sofrido, arrancado num play-off em estilo de déjà vu. É claro que as duas primeiras derrotas da qualificação, sob o comando de Carlos Queiroz, também pesaram, mas a Paulo Bento faltou-lhe a ponta final - o jogo frente à Dinamarca.
As renúncias
Quando falamos na mesma predestinação e estrutura, não podemos deixar de lado os dois casos que marcaram os últimos meses da formação portuguesa. Em apenas três meses Portugal viu-se privado de dois dos seus melhores defesas: Ricardo Carvalho e José Bosingwa.
O primeiro caso foi o de Carvalho, apelidado de «desertor» por Paulo Bento, o jogador chegou a dar uma entrevista à RTP, na qual não disse nada de novo e tão-pouco se justificou. Ricardo Carvalho abandonou o estágio da selecção nacional sem dar quaisquer explicações ao treinador e colegas. Mais tarde disse que se sentia «a mais, desrespeitado e ferido». Se Portugal já tinha ficado sem um brilhante jogador, não tardou muito para que outro lhe seguisse os passos.
Antes das partidas frente à Islândia e Dinamarca, Bosingwa renunciava à selecção nacional. Em causa estavam os comentários de Paulo Bento sobre as condições mentais e emocionais que Bosingwa oferecia, preferindo outros jogadores como João Pereira ou Sílvio. Bosingwa sentiu-se, tal como Carvalho, «ofendido e desrespeitado», caracterizando Paulo Bento como um «treinador conflituoso, que não tem capacidade emocional ou mental para liderar um grupo de homens».
O play-off
Cientes destas duas perdas, mas segundo Postiga mais atrapalhados com a chuva, Portugal partia para dois embates decisivos com a Bósnia-Herzegovina. Era a oportunidade para os bósnios se vingarem do play-off de há dois anos, isso ou tornarem Portugal no seu carrasco habitual. Pelo leste a selecção não fez nada de fantástico, empatou uma partida sem muita história segurando bem a eliminatória. Uma série de perdidas sem nexo custaram a vitória a ambas as equipas e a falta de eficácia acabou por ditar o 0-0 final. Ao nível individual vimos Pepe brilhar, mostrando excelente capacidade em liderar o eixo defensivo.
Na Luz a história foi outra. Com a lotação do estádio quase esgotada, Portugal sabia bem a tarefa que tinha de desempenhar, e como o fazer. A intenção ofensiva demonstrou-se desde o início, e a abertura do marcador coube a Cristiano Ronaldo e mais uma das suas exímias cobranças de livres-directos, que levantou o Estádio da Luz aos 6'. A selecção continuou a atacar e Nani, aos 24', desferiu um incrível remate do meio da rua, fazendo o 2-0. Os bósnios reduziram antes do intervalo, com uma grande penalidade, e já no segundo tempo marcaram novo golo, que fez o 3-2. O esquema defensivo não foi o melhor, o que provocou alguns erros e alguma insegurança quanto ao resultado. Ainda assim, a selecção das quinas nunca perdeu o seu norte, e foi Hélder Postiga a matar o jogo - e o fantasma que o perseguia - aos 72', dando-se ao luxo de bisar e fechar o resultado em 6-2 pouco depois.
Foi com uma goleada que Portugal carimbou a passagem à fase final do Europeu 2012, a ser realizado na Polónia e na Ucrânia. Já se sabe que Ricardo Carvalho e Bosingwa não terão possibilidades de integrar a comitiva portuguesa, pelo que serão menos duas referências defensivas. Quanto ao sorteio, este será realizado no dia 2 de Dezembro; Portugal aparece no pote 3, ladeado por Croácia, Grécia e Suécia, selecções estas que não podem calhar aos portugueses.

Por entre túneis e tribunais


Os escândalos em volta do futebol português nunca cessam de nos espantar, repletos de escutas, frutas e meias-de-leite. Há uns anos - ainda que se tenha prolongado até há bem pouco tempo - foi a vez do Caso Apito Dourado, talvez o processo mais ardente do futebol nacional das últimas temporadas. Nele estavam envolvidas várias figuras conhecidas do futebol, destacando-se Pinto da Costa e João Loureiro, presidentes do FC Porto e Boavista, respectivamente. Nas últimas décadas foram várias as polémicas em torno do futebol, e nestes últimos dois anos parece que um único caso esteve em destaque por duas ocasiões.
O Túnel da Luz
Estávamos em Dezembro de 2009, e o Benfica recebia o Porto no Estádio da Luz. Naquela altura - à passagem da 14ª jornada - as equipas estavam separadas por apenas 1 ponto, com o Benfica no 2ª lugar e o Porto um posto atrás (o Braga ia na frente com os mesmos pontos que o Benfica). Nesse encontro - ganho e dominado pela equipa da Luz -, já depois do seu final, ocorreu um dos casos mais paradigmáticos dos últimos tempos. Hulk e Sapunaru, quando já se dirigiam para o balneário, envolveram-se em confrontos com um steward, tendo mesmo agredido o segurança em questão. Após este conflito, a Comissão Disciplinar da LPF deliberou que Hulk fosse suspenso por quatro meses e Sapunaru seis. O brasileiro conhecia assim uma pena que o iria afastar de 17 partidas, já o romeno, face a esta suspensão, foi emprestado ao Rapid de Bucareste.
A grande polémica, se é que já não havia suficiente, veio com a decisão do Conselho de Justiça. Este órgão da Federação Portuguesa de Futebol - alegando provocações por parte do steward - reduziu as penas de Hulk e Sapunaru para três e quatro jogos, respectivamente, anulando a anterior decisão do Conselho Disciplinar. Devido a esta resposta tardia, o FC Porto viu-se privado da sua figura de proa por mais 14 jogos do que o suposto. Há quem diga que foi um duro golpe nos objectivos portistas, que com Hulk tudo teria sido diferente, mas também se diz que todo o decorrer do conflito foi um esquema das "águias"; porém, isso nunca saberemos, ficamo-nos pelos "ses".
O Túnel da Luz II
No dia 11 de Outubro, o jornal Correio da Manhã informava em manchete garrafal que o Ministério Público queria condenar cinco jogadores do FC Porto a 3 anos de prisão (leia aqui a notícia). Entre os acusados, para além de Hulk e Sapunaru, constavam os nomes de Helton, Rodriguez e Fucile. Ao que parece, o MP pretende avançar com acusações sobre estes jogadores, tomando as agressões contra os stewards como deliberadas e conscientes. Ora, julgo que aqui todos nos questionamos: de onde é que isto surgiu? Como é que o Ministério Público se vai lembrar de acusar cinco jogadores de futebol passado 1 ano, 9 meses e 21 dias do suposto crime? Crime esse com uma história muito mal contada. Todos nos lembramos da semana que se seguiu ao jogo onde tudo aconteceu; a cada dia que passava era acrescentado mais um facto e outro era desmentido. Será que é caso para duvidar da notícia? Ou será que devemos questionar a seriedade do Ministério Público? Caso complicado, que possivelmente ainda terá muito «pano para mangas».
O futebol continua a surpreender-nos (negativamente) com todos os escândalos que cria e propaga; e este caso não é nenhuma excepção. Os dirigentes vão anexando um maior poder, que os torna cada vez mais corruptos, o que culmina num desporto progressivamente jogado fora das quatro linhas e não dentro delas. Ficamos, assim, na seguinte dúvida: será que os «tentáculos» do futebol se vão expandir ainda mais? Quais as esferas de poder que vão «atacar» de seguida? É algo bastante imprevisível, e que apesar de termos noção da sua existência, nunca saberemos a verdadeira e completa versão da história.

Temporada avassaladora


O FC Porto fechou a época em grande, com uma vitória por 6-2 frente ao Vitória de Guimarães, consumando o seu quarto e último troféu deste ano. Villas-Boas e a sua formação bateram recordes e mais recordes, tantos que uma enumeração aqui serviria para um artigo de tamanho considerável. Só uma taça ficou fora do alcance do FC Porto, a Taça da Liga - competição com menos prestígio em Portugal mas que não deixa de ser importante. Pelo caminho foram arrecadadas a Supertaça Cândido de Oliveira, a Liga Zon Sagres, a Liga Europa e, como já referi, a Taça de Portugal.
Liga Europa
A final da segunda competição europeia, a seguir à Liga dos Campeões, foi disputada em Dublin, Irlanda. Apesar do hóspede e ambiente irlandeses, a final era completamente portuguesa - feito até agora inédito para Portugal -, colocando Sporting de Braga e FC Porto num frente-a-frente nortenho. As equipas já se tinham defrontado por duas ocasiões na presente época, os dragões saíram a ganhar em ambas: primeiro,uma esforçada vitória por 3-2 em casa, num dos melhores jogos da Liga Zon Sagres deste ano, e depois um 2-0 no Estádio AXA, casa do SC Braga, com um bis de Otamendi. Fosse qual fosse o desfecho, o campeão seria português, feito importantíssimo para as aspirações nacionais e culminar de uma excelente campanha europeia que fez Portugal subir três posições no ranking da UEFA, de 9º para 6º. É ainda de assinalar o facto de sermos a nação com mais vitórias em competições europeias nesta época: 41, contra as 40 de Espanha e 39 de Inglaterra - e tivemos menos jogos!
O jogo acabou por não revelar grande qualidade, apresentando um futebol muito táctico e seguro do FC Porto e um jogo muito amedrontando do SC Braga na retranca, que só revelava a cabeça em saídas de contra-ataque. E é numa destas saídas para o ataque - não muito rápida - que o Braga perde a posse de bola e possibilita aos portistas o 1-0 aos 44', altura perfeita para se abrir o marcador no futebol. O colombiano Guarín ganha o esférico e cruza de forma irrepreensível para o seu compatriota Falcao, o culpado do costume, fazer mexer o marcador pela primeira e última vez. Até ao final o jogo foi disputado, mas sempre no meio-campo, com poucas oportunidades. Ainda assim, o Braga conseguiu assustar, mas Mossoró não fez mais do que acertar em Helton quando se encontrava isolado em frente ao guardião brasileiro. O Porto renovava o título da Liga Europa ganho em 2003 (ano em que esta ainda se chamava Taça UEFA).
A temporada
O resumo da temporada é espantoso: 58 jogos, traduzidos em 49 vitórias, 5 empates e 4 derrotas. Absolutamente destruidor este Porto, que só não igualou o melhor registo alguma vez feito na Liga Portuguesa (apenas 2 empates), por desconcentração frente ao Paços de Ferreira, na penúltima jornada. Ainda assim, e como tinha dito, a lista de recordes não tem precedentes, e esta é mesmo uma temporada que ficará marcada na história do clube como uma das melhores sempre. Em Agosto, o campeão voltará às disputas de troféus, começando com a Supertaça de Portugal, frente ao Guimarães, e terminando com a Supertaça Europeia, contra o vencedor da Champions - Barcelona ou Manchester. Este último troféu apenas foi ganho por uma vez pelas hostes portistas, em três tentativas efectuadas.
Depois de uma época assim, tudo é possível.

A «palhaçada» blaugrana


Finito! Estão cumpridos os quatro embates entre o Barcelona e o Real Madrid, nos quais se pode dizer que os catalães levaram a melhor - apesar de o madrilenos terem vencido a Taça do Rei. Jogou-se por duas vezes no Santiago Bernabéu, uma em Camp Nou e uma última no Estádio Mestalla, Valência. Aguardavam-se jogos psicológicos intensos entre jogadores e equipas técnicas, e o povo todo teve o que quis; todo menos a afición do Real Madrid, que apenas festejou um triunfo.
Espanha
Apesar do número de vitórias ser igual para ambas as equipas (2 em 4 jogos), o Barcelona segurou os resultados que mais necessitava. Para a Liga não se podia dar ao luxo de ver reduzida a vantagem de 8 pontos que detinha, pelo que, caso contrário, com apenas um par de deslizes os dois lugares cimeiros da tabela ainda poderiam mexer. Desta forma, o «Barça» conseguiu empatar o Real Madrid, mantendo a preciosa vantagem pontual agora aparentemente inquebrável.
O jogo que se seguia era a final da Copa del Rey, de importância semelhante à Taça de Portugal no nosso país. Em campo neutro, foi necessário recorrer ao tempo extra para encontrar o vencedor do troféu. Decorridos 103 minutos, o internacional português Cristiano Ronaldo finalizou da melhor forma um cruzamento de Ángel di Maria, cabeceando a bola para o fundo das redes de Pinto, sem qualquer hipótese de defesa para o guardião. O Real Madrid ganhava assim a taça, e os festejos foram tantos que o troféu até acabou atropelado pela camioneta - obra de Sergio Ramos - onde se celebrava a vitória.
Champions
Os dois últimos encontros colocavam as duas formações num frente-a-frente para a Liga dos Campeões. O primeiro, em Madrid, acabou por decidir toda a eliminatória. Os catalães venceram por 2-0, bis de Messi, mas a história não fica por aqui. No bilhete deveria ter sido incluído um qualquer suplemento cultural, já que, para além de futebol, assistiu-se a uma recorrente peça de teatro. Para tirar quaisquer dúvidas o melhor é mesmo assistir ao vídeo acima publicado. Pergunto: como é possível que tais actos passem impunes? Apelidar estes lances de jogo sujo é ser muito simpático. Sem Pepe e Mourinho, o Real Madrid ainda puxou de galões para eliminar um Barcelona que nem fazia declarações. Em busca do triunfo por dois golos, o Real ia inaugurar o marcador, mas Frank De Bleeckere, árbitro do encontro, assinalou uma falta inexistente ao ataque merengue. As injustiças prosseguiram e a equipa de Ronaldo foi mesmo impedida de vencer, terminando o encontro com um empate. Este jogador acabou por chamar a eliminatória de "Missão Impossível 4".
Ainda há quem condene Mourinho pelas suas acusações, mas, de facto, é demasiado mau para ser verdade. Tanta falta de desportivismo - os vídeos comprovam-no - e mesmo assim ainda se critica o Real Madrid. O espectáculo a que se assistiu nos encontros da Liga dos Campeões não foi futebol; pelas simulações e pelas paragens de jogo: um mínimo toque ou contacto com um jogador do Barcelona dá direito a um rebolar desenfreado e, consequentemente, a uma falta. Em Portugal até já existe um cântico para estas situações.

Mesmo às escuras, o FC Porto seguiu a Luz


O FC Porto sagrou-se campeão no passado Domingo, batendo um Benfica algo apagado num jogo em que o caminho para a baliza apenas apareceu no primeiro tempo. O mais impressionante é que este título foi conquistado na Luz - deslocação mais complicada de todo o campeonato -, casa deste tal Benfica, segundo classificado à procura de um milagre.
O jogo
A partida não podia começar de pior feição para os (até então) campeões nacionais do que com um golo sofrido aos 9'. Depois de um erro da defensiva do Benfica, Guarín ganha controlo sobre o esférico e, quase junto à linha final, desfere um remate/cruzamento que Roberto acaba por colocar dentro da baliza. Apesar do domínio portista, o Benfica fazia o que podia para restabelecer a igualdade; e aos 17' é assinalada uma grande penalidade algo duvidosa sobre Gaitán. Saviola acabou por cobrá-la com sucesso, colocando, novamente, o marcador no empate. Se com o meio-golo na própria Roberto já havia começado mal, este acabou por «borrar» ainda mais a pintura, ao cometer um penalty daqueles clássicos e indiscutíveis sobre Falcao. Hulk foi chamado à conversão e não desiludiu. Aos 26' o Porto voltou para a dianteira, para daí não sair.
Jorge Jesus, timoneiro da formação benfiquista, bem tentou chegar pelo menos ao empate, procedendo a algumas alterações ao intervalo. Ainda assim, o domínio dos dragões continuou até ao final, e, já no último quarto de hora, estes acabaram por desperdiçar três claras ocasiões de golo. Tanto desperdício poderia ter tramado a formação de Villas-Boas, isto porque aos 91' Gaitán atira a bola ao poste depois de uma «mancha» de Helton ter tirado o golo a Luisão. Um final impróprio para cardíacos, ainda que sem qualquer alteração do resultado.
O que fica
Depois de o Benfica ter perdido a oportunidade de vencer o título no Estádio do Drgaão na época transacta, o inverso foi consumado este ano pelo FC Porto, feito que os portistas só haviam conseguido por uma vez, na remota temporada de 1939/40, conferindo muito mais «sabor» a este triunfo. Para recordar fica também a «esperteza saloia» de um Benfica que, assim, não só desilude dentro de campo como fora dele. Uma equipa que na época de 2009/10 apresentava uma capacidade psicológica nata para vencer, demonstra agora a efemeridade dessa condição. O desligar das luzes e activar do sistema de rega serviu para coroar ainda mais um Porto superior, este que soube vencer sem encher o ego, coisa que o Benfica fazia sem qualquer vitória, muito por culpa da fé cega de Jorge Jesus.

Depois da história, resultados


O futebol português atingiu um patamar histórico. Pela primeira vez, três equipas nacionais lograram atingir os quartos-de-final de uma competição europeia, ainda que seja a secundária. Sim, isso mesmo, Portugal tem agora 3 formações nas últimas 8, um feito incrível. Ainda por cima, o país teve a sorte de obter um sorteio extremamente favorável, sem jogos entre equipas portuguesas e com o Villarreal, segundo favorito à conquista da prova, noutra partida.
FC Porto
O Porto teve, até agora, uma caminhada bastante sólida. Na fase de grupos conquistou o 1º lugar, registando cinco vitórias e apenas um empate. Desde então, eliminou Sevilha e CSKA Moskva com três triunfos e uma derrota, única nesta competição. Os portistas chegaram ao golo por 19 ocasiões e apenas concederam 7 tentos. Em caso de vitória sobre o Spartak Moskva, equipa repescada da Liga dos Campeões, pode encontrar Villarreal ou Twente nas «meias». A equipa da cidade invicta é apontada como a favorita para a conquista do troféu.
SL Benfica
O Benfica chegou à Liga Europa por intermédio de uma repescagem fortuita da «liga milionária», consumada por um golo de Lacazette (Lyon) ao Hapoel Tel Aviv aos 88'. Não obstante, a equipa de Lisboa já conseguiu eliminar o Estugarda e o PSG, coleccionando três vitórias e um empate, fruto de 7 golos marcados e apenas 3 sofridos. Interessante é o facto de as águias já terem conseguido virar o marcador por duas vezes, ambas no Estádio da Luz. Tem agora pela frente o PSV, 1º classificado da Liga Holandesa. Com a Liga Zon Sagres praticamente fora do horizonte, Jorge Jesus pode apostar na vitória de uma competição europeia, agora que o Benfica é tido como o 3º favorito.
SC Braga
Os «Guerreiros» do Minho foram absolutamente irrepreensíveis nesta temporada europeia. Depois uma excelente prestação na Liga dos Campeões, à qual chegou depois de eliminar heroicamente o Celtic e o Sevilha, o Braga conseguiu qualificar-se, sem dúvida alguma, para a segunda competição europeia. Entretanto, já deixou pelo caminho Lech Poznan e Liverpool, colosso inglês. Sem marcar muitos golos, o Braga conseguiu exibições de qualidade, o que se traduziu em partidas pouco atribulada e uma qualificação de sucesso. Na rifa saiu o Dynamo Kyiv, gigante do leste que, ainda assim, não deverá assustar as hostes arsenalistas.
As equipas portuguesas estão bem encaminhadas para um triunfo na Liga Europa, e, com esta excelente campanha, o país está a uma vitória de ter 3 equipas na Liga dos Campeões em 2011/12. Com sorte, Portugal poderá atingir o impensável: colocar três formações lusas nas últimas quatro equipas. Se este cenário se vier a verificar, Benfica e Braga disputarão uma das meias-finais, primeiro confronto português numa competição europeia. As probabilidades estão a nosso favor, e depois da história, que venham os resultados!

O «derby» que tudo decide?


À passagem da 20ª jornada da Liga Zon Sagres, Sporting e Benfica voltam a encontrar-se, desta feita no Estádio José de Alvalade. As duas equipas encontram-se em patamares completamente antagónicos, mas, se no futebol tudo pode acontecer, esta máxima atinge proporções ainda maiores quando se trata de grandes confrontos.
Conjuntura
De um lado, temos um Benfica que vem na senda das vitórias: já são 14 os jogos seguidos em que o Benfica só sabe vencer, o que faz com que a última derrota remonte a Dezembro de 2010. Do outro, temos um Sporting muito débil, que nas últimas 10 partidas só venceu metade, e apesar de ocupar o 3º posto da Liga, está a 23 pontos do líder (menos um jogo). Ambas as equipas ainda jogam para a Liga Europa, fruto de uma sorte encarnada e de uma grande resistência dos leões. A equipa de Alvalade, para piorar um pouco a situação, não poderá contar com a presença do treinador Paulo Sérgio no banco.
O Benfica encontra-se, até à data, na luta pelo título, enquanto que o Sporting já está há muito afastado desta disputa. Com a recorrência de maus resultados, o presidente José Eduardo Bettencourt apresentou a sua demissão, e pouco tempo depois foi a vez de Costinha - director desportivo - ser demitido depois de uma série de declarações polémicas à SportTV. Todos os olhares recaíram sobre a equipa leonina, que, sob o punho forte de Paulo Sérgio, se vai aguentando, tanto na Liga como na Europa.
Consequências
Se para o Sporting apenas a honra está em jogo, para o Benfica esta partida significa muito mais do que isso. Quando apenas falta disputar 11 partidas, as águias encontram-se a 11 pontos do líder, o FC Porto (que tem um jogo a mais), situação nada fácil para quem aspira ser campeão. Porém, o que torna este jogo de máxima importância, é que, em caso de derrota, uma diferença pontual deste calibre torna-se muito difícil de recuperar, até porque os dragões ainda só empataram dois jogos e não perderam um único. Jorge Jesus, quando confrontado com a perda do título em caso de derrota, argumentou o seguinte: «Se o título ficaria perdido? Não. Mas, temos de ser realistas e reconhecer que ficaria mais difícil.».
Como é possível concluir, esta partida revela-se de cariz extremamente importante para as aspirações benfiquistas, já que pode ditar o teórico afastamento do título. Já o Sporting pode bater no fim do poço, provocando uma cisão total entre adeptos e equipa. Com tudo isto, apenas falta referir que, mesmo jogando fora, o claro favorito é o Benfica, mas mesmo assim não deixará de ser um jogo de futebol muito disputado e emocional para ambas as formações. Afinal, um derby será sempre um derby.

As decisões da FIFA


Na passada quinta-feira, dia 2 de Dezembro, a FIFA decidiu que os Campeonatos do Mundo de 2018 e 2022 vão ser organizados pela Rússia e pelo Qatar, respectivamente. Estes dois países bateram assim um pequeno leque de adversários que também ambicionavam poder organizar o Mundial. A candidatura ibérica, tal como a inglesa e a australiana, está entre os derrotados.
O gás natural
Em termos estatísticos é o maior país do planeta, ocupando mais de 11% do território de todo o globo, e alberga cerca de 142 milhões de pessoas. Foi, em conjunto com os Estados Unidos, uma das potências vencedoras da 2ª Guerra Mundial, o que depois veio a originar o conturbado período da Guerra Fria. Faz parte do G8 e do G20, tem o 12º maior PIB, e é actualmente o maior produtor de gás natural. Como acabamos de reparar, é impossível negar o poderio financeiro que a Rússia tem sobre o mundo. Com um orçamento de 2800 milhões de euros a Rússia vai construir treze estádios novos e renovar apenas três, esperando vender cerca de 3,1 milhões de bilhetes.
Em termos futebolísticos é necessário remontar ao ano de 1988 para encontrar o último palmarés da selecção russa, um 2º lugar no Campeonato Europeu. Já em Mundiais a Rússia apenas atingiu um 4º lugar, em 1966 quando perdeu frente a Portugal por 2-1, com um golo de José Torres no último minuto. Actualmente, a Rússia ocupa o 13º posto do ranking da FIFA, não tendo logrado qualificar-se para os dois últimos Mundiais. Contudo, as equipas russas têm começado a coleccionar boas prestações nas competições europeias.
O petróleo
O Qatar é um pequeno país árabe com menos de 1 milhão de habitantes. Sob uma monarquia absoluta, o emirado do Qatar tem a extracção do gás natural e do petróleo como principais fontes de riqueza. Possui, de momento, o 4º maior PIB per capita do planeta, segundo o FMI. Contudo, o Qatar conheceu a expansão e a riqueza há relativamente pouco tempo, em 1995 o actual emir derrubou o seu pai, que desviava as receitas petrolíferas, num golpe de Estado. A partir daí, o pequeno estado árabe tem conhecido um período áureo da sua história, possuindo até um IDH muito elevado.
Ocupando a posição 113 do ranking FIFA, o Qatar promete construir nove estádios e renovar três, com um orçamento de 3000 milhões de euros para esse mesmo efeito. Nunca participou num Mundial e detém uma liga nacional medíocre, revelando um futebol de muito fraca qualidade. Se a África do Sul foi a primeira selecção da casa a não passar a fase de grupos, é improvável que o futuro sorria às cores do Qatar.
Denotamos claramente as preferências da FIFA por países economicamente fortes e com uma forte influência no Mundo, seja pela política ou pelos recursos. O órgão máximo do futebol mundial afirmou a necessidade de expandir os horizontes do desporto rei, mas esses objectivos parecem demasiado dissimulados. O dinheiro venceu a história, mais uma vez.

Este Porto de Villas-Boas


O FC Porto segue isolado no 1º posto da Liga Portuguesa, mostrando-se, até ao momento, invencível, arrecadando 8 vitórias em apenas 9 partidas. O único deslize ocorreu em Guimarães, onde os «dragões» acabaram por ver o jogo terminar empatado a uma bola. Não obstante, a diferença pontual para o 2º classificado - Benfica - continua a ser grande, sete pontos; e na Europa o registo continua 100% positivo - cinco vitórias em outros tantos jogos.
Primeiras impressões
No preâmbulo desta nova temporada um novo treinador teria de ser contratado para dirigir as aspirações azuis-e-brancas, e depois de muita (aparente) controvérsia, André Villas-Boas é apresentado como técnico do FC Porto. A favor dele tinha alguns factores: fora introduzido no futebol por Bobby Robson, havia treinado com José Mourinho, e tinha feito uma excelente trabalho à frente da Académica na época transacta. Contudo, as críticas continuavam a chover de todas as direcções, apontando precisamente à suposta inexperiência de Villas-Boas para treinar um clube como o Porto. Os resultados da pré-época não foram muito favoráveis, com vitórias pouco expressivas e alguns acidentes de percurso (Torneio de Paris), o técnico não recolheu grandes elogios, continuando a suscitar algumas dúvidas por entre os adeptos e a comunicação social.
Quando é a doer...
...já não se joga a «feijões». No primeiro jogo oficial, Villas-Boas derrotou o campeão nacional por um surpreendente 2-0 e uma exibição ainda mais primorosa, conquistado assim a Supertaça de Portugal. Seguindo para os encontros da Liga Portuguesa e da Liga Europa, o técnico portista continuou com a sua série de vitórias, qualificando-se com sucesso para a fase de grupos da competição europeia. Os resultados positivos continuaram a aparecer à medida que Villas-Boas ia recolhendo cada vez mais elogios, quer pelo seu trabalho quer pela forma como abordava cada assunto, revelando uma ortodoxia pouco comum. Mostrou-se, desde logo, pouco interessado na oposição ou nos comentários menos felizes que lhe eram dirigidos, elaborando sempre respostas com grande nível, qualidade cada vez mais rara nos profissionais de futebol de hoje em dia.
Actualmente Villas-Boas segue na frente do campeonato português e está lançado para atingir a qualificação para a próxima fase da Liga Europa. No registo de jogos oficiais apenas aparecem vitórias e um único empate, o que demonstra e confirma a excelente forma actual. Com o clássico contra o Benfica a aproximar-se, as tensões sobem entre os dois emblemas, mas o treinador do FC Porto parece abordar este encontro como qualquer outro: com o "simples" objectivo de vencer, sem nada de supérfluo à mistura.
Ouso ainda dizer que da parte dos adeptos portistas raramente se ouve um comentário de insatisfação contra o novo técnico, opinião praticamente unânime que não era vista desde a saída de José Mourinho. Desta feita, atrevo-me a questionar: estaremos nós diante de mais um caso de sucesso?
Tenha ainda a oportunidade de ver um relatório de jogo organizado por André Villas-Boas para Mourinho, enquanto estava no Chelsea (clicar aqui).

Ponto de viragem?


Será que Portugal chegou mesmo a um ponto de viragem? Apesar de todas as medidas que têm vindo a ser tomadas pelos políticos deste país, e tal como a imagem evidencia, não estou a falar do orçamento de estado nem da dívida externa de Portugal, mas sim de futebol.
A conjuntura
Há um par de semanas Paulo Bento foi chamado para comandar a selecção portuguesa nesta qualificação para o próximo Europeu. Isto depois de toda a polémica que se levantou em torno de Carlos Queiroz e os seus ditos não-ditos. Há quem diga que foi conspiração, que o «crime» foi premeditado e que muita gente o queria na rua, mas também existe quem condene o ex-seleccionador nacional pelas suas supostas afirmações. Quem não fica indiferente é sem dúvida o povo português, que em 2 jogos assistiu a um vergonhoso empate caseiro contra a selecção cipriota e uma derrota na frígida Noruega, esta última entregue de bandeja.
Treinador que não tem resultados só merece um caminho, e vá-se lá saber porquê mas Carlos Queiroz nunca recebeu os melhores elogios enquanto exercia o cargo de seleccionador nacional. Sem uma conjuntura favorável o despedimento era inevitável, e depois de muitas decisões Carlos Queiroz abandonou a selecção nacional. Este, depois de uma qualificação algo conturbada, conseguiu levar a selecção portuguesa ao Mundial na África do Sul, onde apenas foi derrotado pela Espanha, que viria a sagrar-se campeã do Mundo.
Um novo comandante
Como em todos os processos de procura de um novo treinador, geram-se rumores que tendem a apontar em todas as direcções possíveis. Até se chegou ao cúmulo de querer contratar José Mourinho por apenas duas partidas, frente à Dinamarca e Islândia; claro que o Real Madrid prontamente passou o atestado de invalidez a esta ideia. Depois de muita tinta corrida o escolhido estava finalmente encontrado, Paulo Bento, o filho pródigo regressava assim à selecção, agora na condição de treinador.
O português sempre foi por tradição inconformado, e como tem sempre algo a dizer depressa criticou esta nova contratação. E que melhor maneira de se estrear e contrariar as críticas do que com duas vitórias expressivas? Foi isso mesmo que Paulo Bento fez, comandou os seus discípulos à vitória no Dragão frente à Dinamarca e na Islândia contra a selecção da casa, ambas por 3-1. Contudo, o novo seleccionador nacional ainda tem muito que provar antes de atingir a imunidade à imprensa, ainda por cima num país como o nosso, feito de seres humanos tão pouco exigentes.
Paulo Bento vai ter agora um longo período de férias até dirigir de novo a selecção portuguesa. Esta apenas voltará a entrar em acção a 4 de Junho de 2011, desta feita frente à selecção norueguesa, que actualmente comanda o grupo.

Um Mundial diferente


Este Campeonato do Mundo de futebol era, à partida, diferente de qualquer outro só pelo facto de se realizar pela primeira vez em solo africano. Com o apelo cada vez mais constante do desporto-rei à união entre povos, a escolha da África do Sul como país organizador é totalmente correcta e fundamentada. O futebol é de todos e para todos.
A primeira partida era aguardada com tremenda expectativa; e quando o apito inicial do árbitro não se ouviu devido ao barulho ensurdecedor das vuvuzelas, a premonição de um Mundial diferente parecia estar correcta. A África do Sul conseguiu marcar um grande golo por Tshabalala, mas acabaria por sofrer o empate a 10’ do final. Não era um mau resultado, mas sabia a pouco. Desde esse primeiro jogo foram poucos os encontros em que não se fez história.
A primeira jornada foi a mais pobre de todos os Campeonatos do Mundo em termos de golos. A selecção anfitriã não conseguiu, pela primeira vez, passar além da fase de grupos. A Nova Zelândia, com a sua segunda presença, conseguiu fazer o seu primeiro ponto de sempre numa fase final de um Mundial, tal como a Eslováquia que participou pela primeira vez como país independente. A Grécia, que nunca havia marcado em fases finais, conseguiu bisar frente à Nigéria apesar de ter começado a perder por 0-1. O Chile conseguiu quebrar o jejum de vitórias de 48 anos, batendo as Honduras por 1-0.
Foram também alguns os resultados impressionantes, com especial destaque para a derrota da «super»-Espanha frente à Suíça, a vitória do México sobre a desastrada França e o 1-0 da Sérvia como nova nação contra a Alemanha. De assinalar também o empate a uma bola entre Itália e Paraguai, tal como a vitória pela margem mínima (2-1) do Brasil frente a uma corajosa Coreia do Norte.
As selecções foram sem dúvida demasiado fechadas na primeira ronda de partidas, o que levou a este fraco registo de golos. Ninguém queria arriscar entregar os 3 pontos aos adversários. Contudo, agora que a fase das decisões se aproxima as equipas já se estão a abrir mais e os jogos já somam alguns tentos.

O relatador

No futebol e em alguns outros desportos os comentadores, quer da televisão ou da rádio, têm um papel especial. Com o seu olhar especializado são tomados como profissionais e por vezes utilizados como justificação de certas opiniões.
Para além de toda esta influência que causam na esfera desportiva, os comentadores podem ainda provocar uma maior vivência no espectador, transformando o acto de relatar uma partida numa verdadeira arte. O grande expoente nacional deste tipo de jornalista foi sem dúvida Jorge Perestrelo, que vibrava e fazia vibrar em qualquer jogo de futebol, quer da sua querida selecção, do seu amado Sporting ou de qualquer outra equipa nacional. Foi sem dúvida único na sua forma de trabalhar, não deixando ninguém indiferente.
Quem não se lembra de "Ripa na rapaqueca", "As bandeiras desfraldadas ao vento" ou "Que é que é isso oh meu!?"? Muitos têm certamente em memória os fantásticos relatos do Portugal-Inglaterra e do Porto-Mónaco, acompanhados por grande parte dos portugueses, amantes ou não do futebol. Perestrelo acabou por ter o AZ Alkmaar-Sporting como último jogo que alguma vez relataria, partida essa que ditaria a chegada do seu Sporting à final da Taça UEFA com um golo aos 121', que lhe valeram os últimos gritos "eu te amo Sporting".
Jorge Perestrelo transformou o simples acto de relatar um golo numa verdadeira arte. "Que os deuses do futebol estejam connosco" para sempre.

Uma lição de futebol


Habituado a fazer o suposto impossível, José Mourinho conseguiu qualificar-se para a final da Liga dos Campeões. O treinador português conseguiu levar o Inter de Milão a um posto ao qual esta equipa não chegava desde os anos 70.
Apesar do resultado favorável conseguido em casa, ainda se discutia a probabilidade de o Inter passar ou não à final, devido às grandes exibições dos catalães no Camp Nou e ao facto de estes serem à partida apontados como prováveis vencedores da competição. Contudo, era sabido que o Barcelona teria de puxar de todo o seu engenho e arte para derrotar Mourinho pela margem suficiente (2-0).
Desfalcada desde o minuto 28, toda a equipa do Inter foi brava a defender as suas redes, sem ser necessária uma defesa italiana para evitar sofrer golos (os italianos são conhecidos pelo seu futebol super-defensivo, com total pressão sobre a equipa adversária, e com golos resultantes de contra-ataques). Porém Mourinho apresentou um novo esquema, que de início parecia fatal para a sua equipa. A táctica foi, ao longo de toda a partida, deixar o Barcelona jogar, permitir as trocas de bola; mas mal os catalães procurassem o espaço para desmarcar algum jogador, a defesa do Inter anulava de imediato o lance.
José Mourinho apresentou assim um sistema táctico que requeria uma certa coragem e aptidão técnica para ser bem aplicado. Em Camp Nou os italianos tiveram uma defesa sólida que só foi penetrada à passagem do minuto 84 por Piqué. Apesar de ter perdido, este resultado foi suficiente para garantir a passagem à grande final da Champions, mais uma para Mourinho.

«À baila» na Liga


Aproveite e reveja o que anda «à baila» na Liga Inglesa e na Liga Espanhola.

A verdadeira alma


O Sport Comércio e Salgueiros, equipa que já chegou a representar Portugal nas eliminatórias da Taça UEFA, enfrentou em 2004 uma grave crise financeira que enviou o clube para a decadência. O Boavista e o Farense foram outros dos clubes de elevada importância que conheceram o mesmo destino.
Começavam as obras para a construção de um novo estádio até que pesadas dívidas fizeram que o tão velhinho e sempre novo Salgueiros tivesse de descer de divisão e começar a utilizar os juniores na equipa principal; isto até ao ano em que não foi atingida qualquer vitória e o SCS terminou a época com 2 pontos. Apesar de todas as adversidades que foram atingindo o clube até à sua extinção, os salgueiristas souberam contornar o problema e daí surgiu o Sport Clube e Salgueiros 08; com um novo nome, devido a todos os problemas que continuam a afectar o anterior Salgueiros, mas com a mesma alma, como afirmam todos os adeptos.
As expectativas eram altas, sobretudo porque a equipa estava a ser constituída por antigas "estrelas" salgueiristas e também porque «há anos» que já não se via jogar à bola de camisola encarnada. Felizmente, o novo Salgueiros não fez por menos, logrando subir de divisão logo no primeiro ano de existência. Apesar de ter feito uma excelente época só nas últimas jornadas é que o lugar cimeiro foi «roubado» ao CA Rio Tinto; era assim entregue o primeiro título a esta nova velha glória da cidade do Porto. Na época corrente o Salgueiros 08 luta pela subida à 1ª Divisão de Honra da A. F. do Porto, ocupando neste momento o 2º lugar da tabela classificativa atrás do Custóias.
Todo o salgueirista espera agora pelo regresso às Divisões Nacionais e por uma possível fusão com o Sport Comércio e Salgueiros, já depois de todas as questões estarem devidamente regularizadas. Pode visitar aqui o blog que segue toda a actividade deste «novo» clube.

«Picardias» desportivas


Os adeptos dos diferentes clubes de futebol não se amam, é um facto sabido. Todavia, em Portugal isto tende a passar-se com maior frequência e até de forma excessiva. Não falo em provocações ou agressões, mas sim no medo da vitória alheia.
Apesar de toda esta arrogância, o que muitos não sabem é que a derrota da equipa rival pode trazer sérias consequências a quem a deseja. Nas competições europeias todo o português deveria apoiar as equipas nacionais, apenas e só por estarem em representação do país. Para além das vitórias trazerem prestígio à nação, também oferecem pontos preciosos para a participação de mais equipas nestas competições. Ou seja, uma vitória da equipa A pode fazer com que Portugal suba uma posição no ranking da UEFA, e que desta forma a equipa B tenha acesso a uma prova europeia; o que provavelmente não aconteceria se a equipa A tivesse sido derrotada.
O que se passa em Portugal é simples, na Europa tudo o que não diz respeito à nossa equipa tem de resultar em derrota para as cores nacionais. Mas porquê? Porque dá gozo poder «mandar umas bocas» lá no café no dia seguinte, enquanto esgotamos o subsídio de desemprego em partidas de bilhar. Mas isso já é outra questão. É excessiva a inveja que temos do sucesso dos outros, tanto no futebol como em todos os aspectos que influenciam a nossa vida. Mas ainda bem que esta inveja tem as suas consequências negativas. Tenha-se como exemplo: talvez se algumas das últimas derrotas europeias do Benfica tivessem sido vitórias, o Porto não estaria agora em risco de falhar a Champions League, isto porque Portugal poderia agora ocupar uma posição superior no ranking.
É necessário começar a apoiar incondicionalmente as cores nacionais no estrangeiro, porque parecendo que não, uma simples vitória numa partida de futebol pode trazer benesses não só a nível desportivo.