O Escritor Fantasma marca o regresso do trabalho de Roman Polanski às salas de cinema, depois de realizações como Oliver Twist e O Pianista. Se somos atraídos pelo nome do realizador, a vontade de ver o filme aumenta exponencialmente quando abordamos a lista de actores, na qual constam os nomes de Ewan McGregor (Trainspotting e saga Star Wars) e Pierce Brosnan (talvez o melhor Bond, James Bond).
Begginings
O argumento é, ao início, bem simples: um político britânico necessita de um escritor fantasma para completar as suas memórias numa autobiografia, já que o anterior ocupante do cargo morrera, ainda que de forma misteriosa. The Ghost (Ewan McGregor) é um dos candidatos ao cargo, e, apesar de ser o menos convencional, acaba por consegui-lo rapidamente. Pouco depois de aceitar o trabalho é abordado na rua por um motociclista, sendo agredido e assaltado. A personagem principal começa então a perceber as complicações inerentes a esta autobiografia, não imaginando, é claro, a gravidade da situação em que se estava a incluir.
Esse tal político, Adam Lang, interpretado por Pierce Brosnan, viu a sua reputação «queimada» por escândalos recentes ligados aos Direitos Humanos. Este é alvo de ataques públicos por parte de outros políticos e mesmo comuns cidadãos britânicos. Os níveis de suspense vão subindo quando o fantasma se afunda no passado de Adam Lang, encontrando ligações desconhecidas com a CIA. Tudo muda quando, de repente, o escritor encontra alguns pertences de Mike McAra, o seu predecessor, apontando para graves incoerências na história da vida de Lang, que parecia certamente ligado às acusações de que era alvo. The Ghost encontra-se em território proibido, investigando segredos que não deveria violar, colocando a sua própria vida em risco.
Argumento e outros aspectos
Numa história em que as pequenas referências, divulgadas em falas e imagens, são importantes, a acção acaba por jogar com o pensamento do espectador, provocando-o a julgar e a decidir sobre a identidade do culpado. Neste brilhante movimento intencional, Roman Polanski e Robert Harris, escritor do livro, conseguem levar o espectador a pensar na escolha mais óbvia e fácil, para depois revelar que todos os detalhes até aí divulgados encaixam perfeitamente num puzzle ainda mais complicado.
Outro dos aspectos positivos é, definitivamente, a banda sonora. Realizada por Alexandre Desplat, esta auxilia de forma brilhante a história, revelando-se fundamental para o provocar de todas as sensações de suspense e mistério. Acaba por ser um bom filme, merecedor de ser visto por uma ou outra vez. Só vendo o filme o leitor descobrirá o porquê de este não atingir uma classificação mais elevada.
Classificação: 7.5/10

1 comentário:
Um excelente filme com um final bastante estranho e completamente inesperado. Mesmo assim recomendo a ver.
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