Cinema #19 - Blade Runner
Cinema #18 - No Country For Old Men
No meio do deserto Llewelyn Moss (Josh Brolin) dá de caras com um cenário de carnificina. Corpos pútridos, trespassados por balas, num cenário que devia ter testemunhado uma simples transacção de droga. Ignorando o único sobrevivente, que lhe implorava por água, este segue um rasto de sangue que corria para fora daquele panorama bélico; no seu final o escapulido, morto, com a incólume mala do dinheiro. Cegado pela exorbitante quantidade de dinheiro, Llewelyn abandona o local com a mala. Nessa mesma noite sente que tem de ajudar o homem que ignorou, e eis que o encontra baleado; uma carrinha surge no horizonte, e inicia a perseguição a Llewelyn. Este, apesar de atingindo, escapa, percebendo o perigo em que se envolveu.
São as três personagens principais e as suas caracterizações a dar o brilhantismo à perseguição. Llewelyn Moss, um homem trabalhador, vê a sua vida invadida por dois milhões de dólares, e, corrompido, busca a segurança com que poderá manter o dinheiro. Ed Tom Bell persegue o simbolismo da reforma bem sucedida, a resolução de um crime para assinalar o fim último da sua carreira como xerife. Apesar de nenhum deles saber, a maior ameaça de ambos é Chigurh, um psicopata assassino, indomável e sedento de sangue, que perseguirá a mala até esta ficar na sua posse.
Cinema #17 - Midnight in Paris
Midnight in Paris (7.5 em 10)
Nesta longa-metragem Woody Allen acaba por nos mostrar uma nostalgia diferente mas verdadeira, a saudade daquilo que não vivemos mas que não deixamos de sonhar. Gil sentia isso mesmo, um assaz desejo pelos anos 2o parisienses, pelas luzes, ruas e, sobretudo, pelos artistas e génios que ali pensaram e criaram. Quando se pensa assim, só mesmo uma fuga à realidade nos consegue satisfazer; e para Gil esta também funcionou como antídoto, eliminando o pungente parasita que lhe «comia» a carreira e a vida.
Cinema #16 - Snatch & Tropa de Elite 2
O Coronel Nascimento voltou, mas, como o título refere, o inimigo é outro. Depois de um sucesso mundial do primeiro Tropa de Elite, que mostrou a situação das favelas do Rio de Janeiro, a sequela só poderia prometer bons resultados. Contudo, seria absurdo se a história se revelasse idêntica ao primeiro filme, mas Tropa de Elite 2 conseguiu escapar em grande forma da temática da primeira produção. Ainda que se passe no mesmo cenário - o Rio de Janeiro -, o argumento é completamente diferente. Depois de um percalço dos BOPE no controlo de uma revolta na prisão de segurança de Bangu 1, tudo mudou para Nascimento. Uma promoção faz a personagem principal mudar de rumo; o objectivo já não era matar o maior número de "maconheiros" possível, mas sim aniquilar o sistema que atormenta as favelas cariocas e brasileiras. O enredo torna-se profundo, e diversos são os obstáculos que se colocam entre Nascimento e o fim do sistema. Wagner Moura, Irandhir Santos e Seu Jorge são alguns dos actores que contracenam nesta longa-metragem. Quem viu o primeiro, tem de ver o segundo; quem não viu nenhum, tem, definitivamente, de ver ambos.
Cinema #15 - The Ghost Writer
Cinema #14 - The Shawshank Redemption

Como qualquer preso, Andy pensava em escapar, e apesar do ambiente positivo que se criava em sua volta, começavam a estabelecer-se laços que no futuro poderiam dificultar quaisquer chances. A personagem principal começa a ser traída pelo sistema que ela própria desenvolveu, e, quando o final se aproxima, o presente parece ser o seu único futuro possível. Depois de uma série de eventos, a história, que até aí não tinha sido nada de transcendente, atinge um novo patamar de imprevisibilidade e emoção, conhecendo uma incrível e inesperada reviravolta.
Cinema #13 - José e Pilar
José de Sousa Saramago surge-nos, nesta longa-metragem, despojado do traje egocêntrico que sempre lhe tentaram vestir, sem presunções ou altivez. Apercebemo-nos que, de facto, a pessoa quase ignóbil e inquestionável criada pela imprensa não passava de uma máscara ignorada por Saramago. Este era, como todos nós, um ser humano, normal, e de uma simplicidade inicialmente estranha. Acima de escritor, José Saramago era um Homem, que apenas se distinguia verdadeiramente pela sua forte personalidade, vincada de fundamentados ideais.
Pilar del Rio é a personificação da letra capitular da palavra Mulher, uma mulher de armas que apenas parecia baixar a guarda a um homem quando este era Saramago, e ninguém mais! Dotada de um forte feminismo, a Presidenta (sem aspas) da Fundação José Saramago, foi verdadeiramente o Pilar da vida do português. Na vida do Homem e do escritor a jornalista surge como pedra basilar, funcionando como força motriz para toda aquela correria desenfreada.
Cinema #12 - Fight Club

Cinema #11 - Full Metal Jacket
Começamos na recruta, onde inocentes jovens são mentalmente assediados para se tornarem em máquinas de guerra. As suas mentes são apagadas, a vontade própria desaparece e o cérebro é lentamente lavado e preenchido com a palavra "matar". Os ideais dos recrutas são suprimidos até ao mais ínfimo detalhe e a transformação começa a tornar-se bem sucedida. A rotina atinge o expoente, o mesmo padrão é aplicado a cada dia que passa, e a ideia de matar vai penetrando cada vez mais nas cabeças dos recrutas. A fragilidade do ser humano é extremamente delicada, e a mente de alguns não consegue lidar com esta situação, são então totalmente consumidos pela raiva e pelo desejo de exterminar qualquer pessoa.
Depois de um período conturbado na recruta, o soldado está pronto para ingressar no corpo militar no Vietname. É para lá que viaja, e se tudo o que lhe foi ensinado foi bem apreendido, apenas leva consigo a vontade de matar. Já no Vietname os soldados são confrontados com uma guerra demasiado cruel e sangrenta, onde inocentes eram mortos todos os dias. Os americanos usavam o famoso napalm, uma das armas mais desumanas alguma vez inventadas, e «varriam» cidades completas ou grandes áreas de floresta. Apesar dos fracos meios que possuíam, o Vietname do Norte combatia como podia contra os americanos, que tinham um número gigantesco de soldados na guerra. O envolvimentos dos Estados Unidos nos confrontos não era visto com bons olhos, mesmo por parte de quem combatia ao seu lado e quem era protegido pelas forças norte-americanos. De facto, ninguém os queria lá.
Cinema #10 - Filme do Desassossego

Coxo e com bigode, ele é a figuração superficial de uma personagem de consciência profunda que, dificilmente, seria melhor caracterizada com outro actor. Corrigia o seu claudicar com um simples guarda-chuva, não querendo, contudo, mascará-lo com as adversidades metereológicas. Fugazmente, rabiscava num papel o que o inquietava, o que lhe retirava o sossego que nunca fora seu. Parcialmente misantropo, Bernardo Soares refugia-se na sombra das conversas, gosta de «medir» o ser humano, mas não contactar com ele. Cláudio da Silva é simplesmente natural no papel que desempenha. Não fosse a existência de uns quantos anacronismos, deliberados, e o espectador sentiria estar a ver Bernardo Soares em pessoa/Pessoa.
Cenas brilhantes, intermináveis e complexas falas, personagens irreverentes e domadas pelos vícios do quotidiano, é assim que, incompletamente, caracterizo esta produção. João Ribeiro, director de fotografia, desenvolve um trabalho harmonioso, produzindo cenas de uma magnitude visual arrebatadora. Tudo é genial, as sombras, as luzes e a combinação das diferentes tonalidades; é inquestionável a alma que este homem trouxe ao filme. A perplexidade torna-se contagiante na plateia, à chegada de um novo momento, cada um com uma genialidade própria, imerso nas palavras que adornam as falas e nas cores que pintam a tela. As caracterizações das personagens, dotadas de uma importância capital, falam por si só: as rugas vincam um carácter austero, os lábios pintados de um vermelho quente provocam no espectador uma sedução mais imediata e real, enquanto que a nudez faz com que o espectador sinta o despertar das pálpebras.
Cinema #9 - He's Lost 'Control'

Cinema #8 - This Is England

Inglaterra, 1983. Shaun (Thomas Turgoose), um pequeno rapaz de doze anos marcado pela morte do seu pai, não tolerava que falassem deste em vão, o que lhe valia alguns problemas na escola. Depois de um dia complicado Shaun passa por um grupo de skinheads que o decidem acolher no grupo, tentando diverti-lo e apoiá-lo. Ele acaba por se inserir na cultura skinhead e a passar grande parte dos dias seguintes com eles, começando a vê-los como os seus verdadeiros amigos. Toda a envolvente faz com que o ingénuo rapaz se integre num mundo que não conhece; e se no início começa com umas simples brincadeiras mais arrojadas, no final acaba por ser demasiado para uma simples criança apanhada no meio de uma crise emocional.
Cinema #7 - Psycho

Cinema #6 - Reservoir Dogs

Cinema #5 - The Good, The Bad and The Ugly

Cinema #4 - Trainspotting
Cinema #3 - Moon
Estamos num futuro próximo. A Terra utiliza agora uma nova fonte de energia apenas encontrada debaixo do solo lunar, o Hélio-3, sendo este de elevada importância para a sobrevivência do planeta. O material é extraído por máquinas que escavam toda a superfície da Lua, sendo apenas necessário um humano para enviar o Hélio-3 para a Terra. Este trabalho é realizado por Sam Bell sob um contrato de 3 anos. Não existe qualquer contacto directo com a Terra, e a única companhia de Sam, interpretado por Sam Rockwell, é GERTY, um computador que interage verbalmente com a personagem principal satisfazendo todas as suas necessidades do dia-a-dia.
Quase no final do seu contrato Sam começa a ficar ansioso por volta à Terra e regressar a uma vida normal; porém, afectado por diversas alucinações, este tem um acidente enquanto tenta retirar o Hélio-3 de uma das máquinas extractoras. Alguns dias mais tarde este acorda na estação lunar ao cuidado de GERTY, que o informa que uma equipa especial está a vir da Terra para arranjar a máquina que sofreu o acidente. Apesar de proibido de o fazer, Sam consegue sair da estação lunar para visitar o local do acidente, encontrando dentro do veículo que havia utilizado algo que nunca esperaria encontrar, um humano exactamente igual a si. Começando a questionar-se da veracidade de tudo o que se passa à sua volta Sam só pensa em arranjar maneira de voltar à Terra.
Realizado de forma soberba por Duncan Jones, Moon traz-nos uma história e ambiente ficcionais que há já muito faziam falta ao mundo do cinema. Com um enredo brilhante mas um tudo nada difícil de digerir, ao longo do filme o espectador é confrontado com alguns problemas ético-morais, fazendo com que este reflicta sobre as situações que Sam Bell e o seu equivalente atravessam. Durante toda a longa-metragem surgem descobertas arrebatadoras, e mesmo até ao final é difícil de prever o que vai acontecer a seguir. É assim um filme que não pode deixar de ser visto.


