Dragão sem chama

abola.pt
O ano mudou e os desejos de Vítor Pereira até agora não foram ouvidos. Os pontos estão lá, mas a equipa dos dragões continua com exibições medíocres, seguindo a velocidade excessiva por entre um sinuoso trilho de areia. Um pequeno erro - ou até a falta de sorte - pode ditar o despite, isto enquanto o Benfica soma e segue, mais humilde e confiante.
O treinador e os dirigentes
Depois de uma época sem igual, seria de esperar que o FC Porto, com ou sem Villas-Boas, com ou sem Falcao, conseguisse vingar e dar continuidade ao seu momentum. Contudo, a escolha de um treinador sem currículo não foi acertada, pelo que a mudança fez ruir a confiança dos dragões. Desde então, sócios e simpatizantes têm flanqueado o técnico, exigindo o seu despedimento. Há uns tempos ainda pôde dizer «não vejo ninguém à nossa frente», mas depois perder a Supertaça Europeia, ser eliminado da Liga dos Campeões e da Taça de Portugal, Vítor Pereira viu o Benfica assumir a liderança da Liga Portuguesa.
Aguardemos, não o tornemos num Cristo, ou pelo menos não o crucifiquemos sem companhia. É um facto consumado que as escolhas de pré-época dos dirigentes do FC Porto deitaram muito a perder. Frente ao Barcelona o Porto estreou um avançado de nome Kléber, que nada mostrou em concreto e de forma alguma substituía Falcao; desde então marcou apenas 7 golos. O Porto contratou também o lateral-esquerdo Alex Sandro pelos singelos 10,3 milhões de euros, este que jogou duas partidas desde Agosto. Outros 17,8 milhões foram pagos pelo lateral-direito Danilo, que apenas chegou em Janeiro, já depois de muita discussão com o Santos. Quanto à escolha de treinador, bem, já falámos disso.
Mudança precisa-se
O tempo urge, o Benfica não perdoa e o Porto ainda não conseguiu apanhar a saída do trilho de areia. Sem chama no início da época, o mercado de Inverno oferece novas esperanças; aguardam-se afirmações dos reforços (Kléber, Alex Sandro e Danilo), tal como as tão desejadas boas exibições de Hulk. À falta de todas estas - no chamado worst case scenario - a equipa azul e branca teria uma época de flops sem precedentes. Tudo isto dificultaria ainda mais a tarefa de defrontar o Benfica, formação que se apresenta muito mais consistente a nível exibicional.
Uma ligeira mudança não tem por costume alterar o sistema, pelo que Pinto da Costa e seus dirigentes estão a operar uma pequena revolução dentro do FC Porto. Guarín e Belluschi estão de saída, ambos em regime de empréstimo com opção de compra - poderão render 20 milhões de euros ao Porto no final da época. Para reforçar o ataque chegou Janko, gigante austríaco pretendido para a função de matador. Não obstante, parece ser Lucho González a dar o maior alento à nação portista, os adeptos nunca esqueceram a classe do médio argentino, e El Comandante volta a casa a custo zero.
O Porto tem agora pouco menos de quatro meses para recuperar os 5 pontos de diferença que tem para o Benfica, tal como tentar singrar na Liga Europa frente a um prepotente Manchester City. Não se avizinham facilitismos, mas a equipa tenta adaptar-se às mudanças necessárias. Ainda assim, uma coisa é certa: apesar dos resultados desportivos menos positivos, o FC Porto continua com olho para o negócio.

7 comentários:

Flávio Moura disse...

Uma coisa é certa, o despedimento do treinador, a esta altura do campeonato, só iria piorar as coisas, visto que é muito dificil um técnico pegar numa equipa a meia caminho da meta. A esperança reside agora, numa segunda volta imaculada, num deslize do benfica e numa vitória na luz.

Mais uma novidade no Fc Porto é a mudança de capitão, devido a novas regras e ao facto de helton ser guarda-redes; rolando ou moutinho serão os possiveis candidatos, sendo que a meu ver o número 8 carregará melhor o peso da braçadeira.

FlávioM

Francisco Morgado Gomes disse...

Caro FlávioM,
Sim, já se percorreu demasiado caminho para voltar atrás, mas também já se percebeu que não foi a melhor das escolhas. Além dos resultados, o treinador não mostra confiança, tal como não é seguro nas escolhas tácticas.

Quanto ao capitão: é, de facto, uma mudança. Mas a minha aposta cai sobre Rolando, o líder da defesa portista é totalista na Liga ZON Sagres.

Rodrigo Ribeiro da Fonseca disse...

Vítor Pereira, treinador fraco... Não há volta a dar. "Que um rei fraco/faz fraca a forte gente" já dizia Camões. Não pode haver outra justificação para a forma e moral actuais da equipa do FCP que, recorde-se, perdeu apenas 1 jogador da gloriosa época transacta. Na minha opinião, o campeonato está perdido e a liga europa vai pelo mesmo caminho graças a um treinador apático, sem carisma e com conhecimentos tácticos no mínimo duvidosos (v.g. Maicon).
Pena é que a mudança não seja, para já, uma solução possível

Diogo Ferreira disse...

A meu ver a nação portista tem é que aprender a saber lidar com o insucesso. Com isto não vos quero negar as legítimas pretensões em vencer e continuarem líderes, mas não podem querer que todos os anos sejam o ano do Dragão.

Vítor Pereira não é menos treinador que André Villas Boas. Este está em Inglaterra e está a provar que o feito do ano passado deveu-se muito ao abono de família chamado Falcao.

Desejo as maiores felicidades aos adeptos portistas.

Francisco Morgado Gomes disse...

Caro Rodrigo,
Concordo quanto às acções tácticas de Vítor Pereira, este falha demasiado e Maicon é capaz de ser o melhor dos exemplos. Infelizmente, não é o único..

E quanto ao carisma, não poderia concordar mais. O perfil não me parece apto a líder de um clube como o FC Porto. Mas o campeonato ainda não está perdido, há muito para jogar.

Francisco Morgado Gomes disse...

Caro Diogo Ferreira,
O problema é que o Dragão está habituado a vencer. É claro que Falcao era um abono enorme, mas o Porto tem de saber dar a volta. E tal como referi, neste plano a culpa não vai para o treinador, mas sim para os dirigentes, que apostaram num Kléber ainda sem frutos.

Apesar disto, as derrotas foram decisivas, e o Porto deste ano está atípico para uma equipa que «só» perdeu Falcao. As competições vão desaparecendo do horizonte azul e branco.

Anónimo disse...

Muito está ainda por explicar. Se é que alguma vez poderemos saber toda a verdade: as saídas de Falcão e, logo depois Vilas Boas, com a inscrição de um único avançado na liga dos campeões - avançado que só o seria se fosse sempre opção... Não era isto que o FCP nos tinha habituado. Nunca dava ponto sem nó!

Achei engraçado a "velocidade excessiva por um sinuoso trilho de areia". Retrata mesmo o percurso do FCP na liga portuguesa.

juaKim

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