Novamente rejeitado pela Federação Portuguesa de Futebol, o alargamento da Liga tem suscitado diversas reacções no espectro de clubes profissionais portugueses. Proposto com diversas soluções, ainda não é desta que o alargamento é aprovado de modo definitivo. Mas será que tal medida vingaria no futebol nacional? Mais importante ainda, o que dizer da competitividade e da verdade desportiva?
O alargamento
Alargar de 16 para 18 o número de clubes na primeira divisão, regressando ao formato da época 2005/2006; foi esta a proposta de Mário Figueiredo, presidente da LPFP - Liga Portuguesa de Futebol Profissional. Desempenhando papel preponderante para a sua eleição como director deste organismo, a medida foi mais uma vez vetada pela FPF, mas Mário Figueiredo já afirmou que a sua «continuidade não depende desse assunto».
Iniciando o seu trilho com uma proposta que previa a não descida de qualquer equipa da Liga Zon Sagres, o alargamento cativou, desde logo, a atenção dos clubes que pela linha d'água vagueavam. Contudo, nem todos se mostraram tão receptivos, e dirigentes de equipas como o Sporting, o Porto e o Nacional revelaram a sua indignação face ao alargamento, impugnando a sua aprovação. A medida chegou a ser conotada de «imoralidade» por Pinto da Costa e «promoção da ilegalidade» por Rui Alves, presidentes do FC Porto e do CD Nacional, respectivamente.
Lançado o mote para mais uma discussão acesa no futebol português, Mário Figueiredo insistiu na aprovação da medida e adicionou o processo de "liguilha" para decidir as subidas e descidas. Ainda assim, o alargamento foi mais uma vez rejeitado pela FPF.
Bom senso e verdade desportiva
Os dirigentes nacionais ainda não entenderam que a promiscuidade só favorece os "grandes". Mais cedo ou mais tarde, a má gerência toma o lugar e cumpre o seu papel corrosivo, aniquilando qualquer equipa que se lhe faça frente. Foi o que aconteceu com o Salgueiros, ou o Boavista, e é o que já se prepara para abater sobre a União de Leiria.
Numa altura em que os salários em atraso não são motivo de surpresa, discutir a adição de duas equipas a uma competição que está longe de ser competitiva só pode ser uma brincadeira de mau gosto. Mas os clubes aceitam-na, cegos pela aparente "ascensão social" ou pela fatal manutenção. A subida ao escalão primodivisionário do futebol nacional não é para todos, a ambição desmedida tem de ser travada, caso contrário é o futebol que perde. Ao continuar, o futebol português tornar-se-à incomportável para uma boa parte dos clubes, e qualquer dia jogamos numa Liga Escocesa, com 12 equipas a três voltas. Meditando sobre isso, não sei até que ponto seria prejudicial.
Finalmente, é ainda necessário referir que todo este processo surge no decorrer da competição desportiva que pretende alterar, pelo que tem as intenções de mudar as regras a meio do jogo. Sem demais análises às medidas propostas, este aspecto é, por si só, reprovável, colocando em causa os valores de justiça desportiva e bom senso.
Fazendo uso das palavras do antigo secretário de Estado do Desporto e Juventude, Laurentino Dias, «É ilegal porque não se podem mudar as regras a meio, é irracional porque não tem fundamento em quaisquer estudos, e é oportunista porque resulta de uma proposta de campanha eleitoral, da qual se percebia qual era o sentido.»

1 comentário:
Chico, apesar de efectivamente os clubes se atrasarem no pagamento dos ordenados dos seus jogadores existe um factor determinante para haja o desejo de participar na Liga Zon Sagres, para além da ascensão social. Esse factor é económico e se um clube for bem gerido, a questão dos ordenados em atraso até pode ser colmatada. Tudo isto porque sai mais barato a um clube encontrar-se no primeiro escalão do que em qualquer um dos outros, uma vez que o que recebem em direitos televisivos e em receitas de bilheteira paga-lhes a época. A principal razão para as equipas continuarem a não pagar aos jogadores e consequentemente descerem sucessivamente de divisão até acabarem, deve-se a uma extrema má gestão por parte dos dirigentes que gerem um clube como reais empresas, porém o futebol envolve muito mais do que isso. Para não falar de quem entra neste mundo para esconder determinadas obscuridades (lavagens de dinheiro e etc.). De resto, já se sabe que neste país quem rouba um pão para comer é condenado à forca, mas quem rouba milhões para si próprio fica sempre impune, enfim.
Continua com o bom trabalho, abraço Miguel Maia
Enviar um comentário