O Barco partiu

«O Barco começou como um festival para bandas da nossa zona». A citação é de Pedro Conde, programador do Festival para o melhor meio do mundo. Teve o prazer de partilhar uma lourinha connosco e contou os segredos todos do Festival que é em tudo menos numa embarcação. Será que revelou? Talvez não. Não mesmo.
Irreverência a rodos, para dar e vender, o que lhe quiserem chamar, mas se calhar em demasia. Microfones pelo ar, contra as colunas, tal como os respectivos suportes; a brincadeira acabou por correr um pouco mal, terminando como esperado: quezílias com a organização. Isto é Alto! e é esta a maior aposta que «a Capital Europeia da Cultura nos coagiu a fazer».
"Não têm pinta de portugueses", é, mas são. Experimentalismo, instrumentalismo, futurismo, estamos perdidos. Os La La La Ressonance já nos levaram a outro lugar. Com muitos artistas em palco – alguns deles a rodar por vários instrumentos - e com um álbum novo na bagagem, trouxeram muitos sons novos a Barco, pena só a fraca afluência do público que esperava mais rock que outra coisa.
A espacialidade assume-se com destaque, e, por vezes, guitarra e sintetizador entram em sintonia num psicadélico mitigado. Tivemos momentos de juventude sónica. Bastantes não é?
Recuando no tempo, fazemos um pequeno esforço relembramos o que nos disse Pedro Conde há cerca de duas horas atrás. «O que difere o Barco começa no formato low-cost. Temos 22 bandas e uma série de djs. O preço de pré-venda a 15€ não sei se se encontra em qualquer lado. Mantivemos sempre a linha dentro do rock alternativo e tentámos não nos comercializar e encontrar o ponto de equilíbrio a nível orçamental. O principal objectivo é manter o público suficiente para continuar». Clap clap clap. Por isso é que temos gajos a babar microfones em palco, e ainda bem.
Chega a hora dos cabeças de cartaz: The Last Internationale. Eh lá, chegámos ao faroeste? Parecia, foi só mesmo no início, porque depois a voz da vocalista tirou-lhe esse toque, mas nada mau. Pedro Conde bem dizia que no Barco havia muito rock alternativo. Do Texas apanhámos boleia para o Louisiana, já ali ao lado, The Last Internationale é banho de rock, imersão de blues, é grande malha.
Rock n’ roll, sim, é isso, e rockabilly, por vezes também faz lembrar! Descemos para Nova Orleães: uma versão da “The House of The Rising Sun” – mais uma para juntar às centenas – calha sempre bem, e foi um momento alto. O concerto dos nova-iorquinos caminha para o final, mas espera aí! O guitarrista acabou de dizer «caralho»? Foi mesmo, ele e o baterista são de ascendência portuguesa.
O palavreado autóctone do guitarrista deu-nos vontade de beber mais uma cerveja (pena ser Sagres). Vamos ao balcão e tal, blá blá blá, “quero uma cerveja”. (...) “Eh pá, o gajo quer-nos cobrar o dobro”. Apenas um pequeno equívoco, afinal bem dizia o Pedro Conde que são todos voluntários. «Toda a gente que aqui está a trabalhar é voluntário. O festival não tem qualquer fim lucrativo. Só conseguimos ter este cartaz porque temos 80 voluntários a trabalhar na parte técnica». Tá bem, já percebemos a ideia.
Depois do sucedido, avistamos uns marmanjos munidos de máscaras. Os Ninja Kore, que como nem ninjas surgiram repentinamente para substituir à última da hora as 2:54, entraram com um drum and bass tão pesado quanto o nome deles (bem pesado). O estilo faz lembrar Pendulum, até porque a formação conta com uma guitarra e uma bateria digital. Com esporádicos samplings de voz de dance hall, largaram os baixos sobre a audiência e elevaram Barco a outro estado de espírito. Mosh atrás de mosh, passaram beats de Prodigy, Skrillex, entre outros.
Foi a reportagem possível.

Reportagem: Diogo Machado Ferreira e Francisco Morgado Gomes
Fotografia: Bruno Carreira

1 comentário:

Anónimo disse...

Parabéns! Gostei imenso deste artigo. (mesmo não engrenando muito bem com a forma como apresentaste os Ninja Kore).
Ah! E os The Last Internationale só podem ser de ascendência portuguesa, do norte... caral...
qcdpt

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