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A Feira do Sol-e-dó Portugal

No último dia da navegação, o Barco Rock Fest presenteava os festivaleiros com aquele que era o nome mais esperado: Supernada. Porém, e como dita a regra, estes haviam de ser os últimos a actuar. Afinal, o último condimento a sair do prato é o melhor.
Antes daquele que é dos melhores, senão o melhor músico português, Manel Cruz, fomos quase que obrigados a assistir a Dear Sherlock. Jorravam Muse por todo o lado. Não é que seja necessariamente mau, mas comparado com o concerto bacano dos putos Nice Weather for Ducks, ficaram um bocado aquém do expectável. Para mais tarde ficaria o "Assassínio da Guitarra Portuguesa". O crime foi levado pelos Laia e pelo que pudemos apurar até à data de edição deste artigo, ainda não havia novidades no que à captura dos saltibancos diz respeito. Supernada, salvadores da pátria, como diria o bom pastor Salazar, vieram equilibrar as contas da noite. Tocaram aquilo que havia para tocar, tudo menos a Irreal, porque segundo Manel Cruz "essa já morreu".

Barco Rock Fest (Fotoreport)
Texto: Diogo Ferreira e Francisco Morgado Gomes
Fotos: Bruno Carreira

O Barco partiu

«O Barco começou como um festival para bandas da nossa zona». A citação é de Pedro Conde, programador do Festival para o melhor meio do mundo. Teve o prazer de partilhar uma lourinha connosco e contou os segredos todos do Festival que é em tudo menos numa embarcação. Será que revelou? Talvez não. Não mesmo.
Irreverência a rodos, para dar e vender, o que lhe quiserem chamar, mas se calhar em demasia. Microfones pelo ar, contra as colunas, tal como os respectivos suportes; a brincadeira acabou por correr um pouco mal, terminando como esperado: quezílias com a organização. Isto é Alto! e é esta a maior aposta que «a Capital Europeia da Cultura nos coagiu a fazer».
"Não têm pinta de portugueses", é, mas são. Experimentalismo, instrumentalismo, futurismo, estamos perdidos. Os La La La Ressonance já nos levaram a outro lugar. Com muitos artistas em palco – alguns deles a rodar por vários instrumentos - e com um álbum novo na bagagem, trouxeram muitos sons novos a Barco, pena só a fraca afluência do público que esperava mais rock que outra coisa.
A espacialidade assume-se com destaque, e, por vezes, guitarra e sintetizador entram em sintonia num psicadélico mitigado. Tivemos momentos de juventude sónica. Bastantes não é?
Recuando no tempo, fazemos um pequeno esforço relembramos o que nos disse Pedro Conde há cerca de duas horas atrás. «O que difere o Barco começa no formato low-cost. Temos 22 bandas e uma série de djs. O preço de pré-venda a 15€ não sei se se encontra em qualquer lado. Mantivemos sempre a linha dentro do rock alternativo e tentámos não nos comercializar e encontrar o ponto de equilíbrio a nível orçamental. O principal objectivo é manter o público suficiente para continuar». Clap clap clap. Por isso é que temos gajos a babar microfones em palco, e ainda bem.
Chega a hora dos cabeças de cartaz: The Last Internationale. Eh lá, chegámos ao faroeste? Parecia, foi só mesmo no início, porque depois a voz da vocalista tirou-lhe esse toque, mas nada mau. Pedro Conde bem dizia que no Barco havia muito rock alternativo. Do Texas apanhámos boleia para o Louisiana, já ali ao lado, The Last Internationale é banho de rock, imersão de blues, é grande malha.
Rock n’ roll, sim, é isso, e rockabilly, por vezes também faz lembrar! Descemos para Nova Orleães: uma versão da “The House of The Rising Sun” – mais uma para juntar às centenas – calha sempre bem, e foi um momento alto. O concerto dos nova-iorquinos caminha para o final, mas espera aí! O guitarrista acabou de dizer «caralho»? Foi mesmo, ele e o baterista são de ascendência portuguesa.
O palavreado autóctone do guitarrista deu-nos vontade de beber mais uma cerveja (pena ser Sagres). Vamos ao balcão e tal, blá blá blá, “quero uma cerveja”. (...) “Eh pá, o gajo quer-nos cobrar o dobro”. Apenas um pequeno equívoco, afinal bem dizia o Pedro Conde que são todos voluntários. «Toda a gente que aqui está a trabalhar é voluntário. O festival não tem qualquer fim lucrativo. Só conseguimos ter este cartaz porque temos 80 voluntários a trabalhar na parte técnica». Tá bem, já percebemos a ideia.
Depois do sucedido, avistamos uns marmanjos munidos de máscaras. Os Ninja Kore, que como nem ninjas surgiram repentinamente para substituir à última da hora as 2:54, entraram com um drum and bass tão pesado quanto o nome deles (bem pesado). O estilo faz lembrar Pendulum, até porque a formação conta com uma guitarra e uma bateria digital. Com esporádicos samplings de voz de dance hall, largaram os baixos sobre a audiência e elevaram Barco a outro estado de espírito. Mosh atrás de mosh, passaram beats de Prodigy, Skrillex, entre outros.
Foi a reportagem possível.

Reportagem: Diogo Machado Ferreira e Francisco Morgado Gomes
Fotografia: Bruno Carreira

Mêda +: Pequeno mas bem graúdo

Montes, vales, um calor abrasador e alguns quilómetros até à cidade mais próxima; estou na Mêda. Qualquer semelhança com uma produção de Sergio Leone é pura coincidência, até porque não vejo cowboys em lado algum. Não acordei aqui sem mais nem menos, até porque a viagem foi um pouco demorada - com um ou outro engano -, mas cedo deu para perceber o sitío a que tínhamos chegado.

Menos de 30 minutos e o ambiente do campismo já prometia, ainda nem a tenda estava montada e já ressoavam as bombinhas que os nossos vizinhos arremessavam para a rua. De facto, à primeira vista o Mêda + parecia um festival a sério: bom ambiente, boa música portuguesa, muita diversão e preços cómodos - cómodo é pouco. Por uns míseros 3€ foi-nos possível garantir o acesso às piscinas durante os três dias do festival, coisa pouca não é? Mas se a isto juntarmos o campismo gratuito e a entrada à borla no recinto, eis que encontramos o mote perfeito.

O tiro de partida do III Mêda + ficou a cabo dos The Glockenwise. Estes rapazes de Barcelos, que viram o seu álbum nomeado em 2011 para Melhor Álbum Europeu Independente (Impala), deram um concerto sóbrio, sem brilho, mas a um nível satisfatório. A plateia tornava-se mais numerosa para assistir ao grupo da casa A Cepa Torta. Sem esquecer alguns covers de grandes clássicos como Sultans of Swing, a banda soube entreter a audiência. Para finalizar a noite apareciam os Fitacola: punk-rockers de gema, lembraram outros tempos à juventude enquanto interagiam bastante com o público. Saciaram o público-alvo e não deixaram de fazer dançar os demais.

X-Wife

No segundo dia havia promessas de ainda mais espetáculo, visto que a ladear os cabeças de cartaz X-Wife surgiam Bisonte e The Doups, duas bandas nada estranhas no mais recente panorama nacional. Os setubalenses foram bem recebidos e deram um óptimo concerto, provaram que a aposta da Optimus Discos não foi gorada e serviu para lançar uma banda com bastante potencial. Num concerto em que I Said e Just As Predicted foram muito bem recebidas, houve ainda tempo para desejar os parabéns a um festivaleiro. Seguiam-se os X-Wife, que já andam nisto há bastante tempo, já é uma década inteira a percorrer o país de lés-a-lés e em palco isso importa bastante. O trio portuense, que adquiriu uma feição mais electrónica neste último álbum, conseguiu levantar a Mêda e pô-la a dançar. Ao segundo dia do Mêda + já estávamos rendidos.

No último dia foram os MulherHomem, pertencentes ao Movimento Alternativo Rock (MAR), a abrir a noite com categoria; seguiram-se Matilha - também do MAR -, um grupo que sem guitarras não se perde e encontra uma sonoridade bastante única. Para o encerramento do III Mêda + ficava o nome mais apetecível de todo o cartaz: Mão Morta. Tidos por muitos como a melhor banda portuguesa, os bracarenses foram iguais a si mesmos e não entraram em devaneios, atravessaram êxitos antigos e novos temas. Sempre com o demarcado apoio do público, que não deixava de acompanhar Adolfo Luxúria Canibal e os seus espasmos sincopados, o concerto acabou por se revelar um excelente ponto final para esta edição do festival.

Mão Morta

Um festival sem campismo não passa de uma série de concertos num determinado local, mas como o hábito não faz o monge, é preciso que nesse campismo os festivaleiros produzam o ambiente desejado. A esse ponto o Mêda + não oferece dúvidas, proporcionando um excelente ambiente e uma óptima experiência a todo e qualquer festivaleiro que por lá passe ou tenha passado. Para cúmulo, a existência das piscinas é sempre um trunfo, visto que acabaram por funcionar como porto de abrigo durante todo o festival. O sol abate-se com veemência sobre as tendas, e a pouca sombra - deixemos as árvores crescerem - obriga a um, dois, ou três mergulhos.

Depois de três dias muito bem passados, ficámos com a impressão de que Portugal e o Interior necessitam de mais eventos com estas feições e proporções. Se há queixas que a música portuguesa é ostracizada nos grandes festivais de verão, acabem-se com os centralismos e apoie-se quem tudo faz para a promover e a leva para o interior do país, muitas vezes vetado ao esquecimento. A verdade é que da Mêda só trazemos boas recordações e esperanças de que para o ano o cartaz esteja à altura.

Termino com uma certeza: o Mêda + não só parece como se comporta como um festival a sério. Agora tem tudo para crescer e tornar-se num baluarte da produção nacional, um exemplo a seguir!

Mêda+ dia 28

Fotografia: Rita Sousa Vieira
Artigo: Francisco Morgado Gomes

Um punch na cultura portuguesa

Foi no passado sábado que se realizou, na Taberna das Almas, o primeiro Punchfest by mobitto, organizado pela Punch Magazine. Festival polivalente e diversificado, reunindo uma panóplia de actividades artísticas, aliou, entre outras, música e pintura, exposições e filmes de animação. Desenvolvendo um conceito inovador, ainda marginal no país, alertou assim para a importância de apostar em expressões culturais distintas, que harmonizem as relações entre as diferentes formas de arte. Espaço idílico para a realização de um evento cultural, a Taberna das Almas – antiga fábrica de vidro, reabilitada – revelou-se um local acolhedor e familiar, ameaçando tornar-se uma oficina artística de culto em Lisboa.
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Texto por Daniel Veloso e Francisco Morgado Gomes

Optimus Discos 2012: Cais do Sodré

Cais do Sodré bem frequentado com boa música portuguesa. Na noite de apresentação da nova gama de artistas da Optimus Discos, destaque muito positivo para The Doups.
Pontualidade britânica e sala cheia em todos os concertos. Chegámos a tempo de ouvir as últimas músicas do alegre Lucas Bora Bora na Pensão Amor, numa altura em que a fila já era desencorajadora.
Seguiram-se The Poppers, contratação de luxo da Optimus Discos. Sabendo que não havia tempo para muito, entraram sem cerimónias e a todo o gás. Raimundo não deixou os seus créditos por mãos alheias: surpreendeu a plateia ao sair do palco e, em Dogsom Blues, emprestou a guitarra a uma rapariga – «Juro que não a conheço!» -, posicionou-lhe a mão dos acordes e deixou-a brilhar. Com a incisiva Mrs. A e comentários que se atiram em concertos de rock ‘n’ roll pelo meio, despedem-se com Drynamill – a música que «nos tornou milionários» e que todos souberam acompanhar.
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Texto por Daniel Veloso, Francisco Morgado Gomes e Pedro Rebelo Pereira

Blasted estremeceram o Sá da Bandeira

Ao navegar pelo universo da música portuguesa, será tarefa herculeana confundir Blasted Mechanism com qualquer outro grupo. Criadores de um género até então submerso em Portugal, em 1995, Karkov e Valdjiu davam início à vida de um novo Ser: os Blasted Mechanism. Desde então que esse novo Ser não conhece limites, evoluiu, sofreu transformações e, inclusive, transfigurações, mas a alma, essa nunca se modificou. Agora, depois de 17 anos de vida, não há espaço para dúvidas: os Blasted são únicos.
A pouco e pouco a sala do Teatro Sá da Bandeira ia-se compondo, as expectativas aumentavam e o público começava a ansiar pelo início do espectáculo. Sim, porque concerto não será a denominação mais correcta; as luzes, os fatos, o palco, tudo isto o torna em muito mais do que um simples concerto. O grupo vinha apresentar o seu último álbum de estúdio: Blasted Generation. No palco, imponente, uma espécie de pirâmide. Inspirada em Metratron – figura que representa O Anjo Supremo – e no Hipercubo, a estrutura foi desenvolvida por Valdjiu e Rui Gato, responsável pelo Video Mapping.
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Supernada: andava gente à vossa procura

Os Supernada, banda de Manel Cruz criada em 2002, apresentaram quinta-feira, no Lux, o seu primeiro álbum, Nada é Possível. A nostalgia que envolve o artista e todas as suas criações foi quase sempre substituída pela virilidade e pujança, com o público a prestar culto desde início.
«O mito é o [super]nada que é tudo». Aqui encontramo-nos com o verdadeiro génio de Manel Cruz. É impossível não fazer notar os fragmentos de Ornatos Violeta, Pluto ou Foge Foge Bandido que se alojam em Supernada – desde o futurismo, ao papel determinante dos sintetizadores e às inigualáveis voz, expressões e letras -, mas é inexplicável como, depois de tanto sumo que Manel Cruz já nos deu a beber, nos consegue sempre surpreender com rasgos inéditos de originalidade. As células cerebrais de Manel, está provado, renovam-se e multiplicam-se. E perduram.
Leia no Espalha-Factos a reportagem completa
Texto por Francisco Morgado Gomes e Pedro Rebelo Pereira

Festivais de Verão 2012


O mundo festivaleiro português já mexe, também já estava na hora. A periodicidade de novas confirmações aumentou bastante e os cartazes vão ficando cada vez mais compostos. Obrigados a combinar três variáveis - a qualidade da música, o ambiente no recinto e acampamento, tal como o preço do bilhete -, os festivais vão atraindo ou repelindo visitantes. Mas afinal onde é que vale a pena ir este Verão?
É óbvio que o ambiente de um festival é, em grande parte, obra dos festivaleiros, mas a organização nunca pode descurar a sua contribuição. Como evento citadino, sem acampamento próprio ou próximo do festival, o Alive! apresenta um ambiente muito incaracterístico dos festivais de verão, quer no recinto como no acampamento (pago à parte), pelo que se torna muito pouco atractivo neste aspecto. Em termos das bandas encaixadas, é fácil entender que o Alive! está a tentar ascender, perspectivando uma disputa com os melhores da Europa.
The Stone Roses, The Cure e Radiohead são nomes sonantes, mas não são os únicos a juntar alguma categoria ao cartaz; Metronomy, Justice, Caribou e Mumford & Sons também cativam milhares de pessoas. No entanto, com esta ascensão em visibilidade, o preço é obrigado a acompanhar a subida, pelo que não é tarefa fácil colocar este festival como certo numa agenda de férias. Vale a pena pela música, mas perde muito pelo ambiente, ou melhor dizendo, a falta dele.
Bilhete Diário - 53€
Passe 3 Dias - 105€
Passe Campismo - 16€
Realizando a sua terceira edição no presente formato, o Super Bock incorre no mesmo erro que o Alive!: o acampamento. Este foi duramente criticado pelas absurdas quantidades de areia e pela falta de sombra, consequentemente, o ambiente também não contou com grandes elogios. No ano passado o cartaz contava com Arcade Fire, The Strokes e Arctic Monkeys, gigantes da música que levaram milhares ao Meco. Contudo, as condições do som também foram alvo de bastantes queixas, uma vez que os concertos não puderam ser aproveitados como seria expectável.
Apesar de ainda existirem bastantes espaços por preencher, as bandas confirmadas para a presente edição estão uns furos abaixo das expectativas. Certamente que Incubus, The Horrors ou Pete Doherty não cativam tantos festivaleiros quanto os artistas do ano que passou, ainda por cima com as condições oferecidas.
Bilhete Diário - 45€
Passe 3 Dias - 80€
Neste momento, Paredes de Coura é o festival mais antigo de Portugal ainda em actividade, caminhando já para a sua 20ª edição. A idade torna-o, sem dúvida alguma, um caso especial; procurado pelo seu ambiente, é dos únicos festivais capazes de vender bilhetes sem ter confirmado uma única banda. O rock alternativo e o indie sempre reinaram no festival, mas uns ligeiros desvios (Sex Pistols e Nine Inch Nails) nunca causaram grandes choques ao fiel público. Ainda assim, todos conhecem as enormes limitações orçamentais de que o festival padece, pelo que os nomes apresentados "nunca" são enormes.
Para este ano, a organização já confirmou dois nomes grandes: Ornatos Violeta e Kasabian. Se com os primeiros a nação de Paredes rejubila, com os segundos a indiferença é enorme. Depois de um álbum brilhante, os Kasabian vão agora apresentar um longa-duração fraquíssimo, muito fora do seu registo habitual. Ainda faltam muitos artistas, mas se o objectivo for uma abstracção do Mundo durante uma semana, Paredes de Coura é a escolha certa.
Passe 4 dias - 80€
Primavera Sound
Originalmente em exclusivo na terra de nuestros hermanos, o Primavera Sound invade pela primeira vez o território nacional. O festival vai desenrolar-se no Parque da Cidade, no Porto, mas apresenta-se com um conceito exageradamente indie. Apesar de conter alguns nomes de maior dimensão, como Björk, Black Lips ou The Flaming Lips, o cartaz parece insuficiente para um bilhete de 99€. Esta relação cartaz/preço apresenta-se como a principal falha do Primavera, que apenas terá sucesso por atrair o universo hipster do momento.
Marés Vivas
Comemorando o seu 10º aniversário com uma edição de 4 dias, o Marés Vivas apresenta-se como um festival cada vez maior. Contando com Franz Ferdinand, The Cult, Billy Idol e Gogol Bordello, entre outros, o festival de Gaia apresenta um cartaz forte, ainda que algo repetitivo. O passe não é dos mais caros (50€), mas o festival não possui acampamento, pelo que ao preço do bilhete ainda acresce o da dormida. Assim, o Marés acaba por ser uma boa opção a nível musical, ainda que muito fraca a nível de ambiente.
Percebendo as diferenças entre os principais festivais portugueses, torna-se simples entender que há algo para todos os gostos. Seja pela índole musical, ambiente ou até proximidade geográfica, cada festival torna-se apelativo para um determinado público. No entanto, quando a música é o único aspecto realmente cativante, se isso falha tudo o resto se perde. O que se torna, então, importante? O ambiente ou a música? A partir daqui é com o festivaleiro.

Hadouken!

Em 1987 Ryu lançava o seu primeiro Hadouken no famoso arcade Street Fighter; em 2006 surgiram os Hadouken!, agora aclamada banda de electrónica. Com dois álbuns já lançados e um terceiro a caminho, estes rapazes de Leeds estão perto do topo do seu género musical.
O princípio e o primeiro álbum
Em 2007 já atingiam a fama, muito por culpa de That Boy That Girl, música lançada no ano anterior num vinil de duas faixas. O sucesso chegou, e com ele vieram os concertos, os festivais e a rádio. Depois, chegam mais dois singles, Liquid Lives e Leap Of Faith. Já em 2008, os Hadouken! lançam o seu primeiro álbum: Music For An Accelerated Culture. Apesar de não receber críticas brilhantes, a não ser as 4.5 estrelas em 5 da Gigwise, impressionou junto do público.
O álbum abre com duas das principais músicas, Get Smashed Gate Crashed e a já apresentada That Boy That Girl. Aqui os britânicos começam a apresentar a sua electrónica na perfeição, e numa altura em que Klaxons e Late Of The Pier começavam a ter sucesso, estes dois singles valeram como ouro. Tendo em conta a electrónica do momento, o grupo de Leeds cumpria a missão na perfeição, criando músicas que em concerto desempenhariam a sua função de forma brilhante. A melodia continua dentro de um género geral, mas sem seguir uma dinâmica em específico, apresentando sempre uma qualidade superior nos singles em comparação às restantes músicas. Ainda assim, Crank It Up e What She Did aparecem pelo meio deste álbum, fazendo renascer um pouco as esperanças. A partir daí não somos impressionados, mas também não é por isso que ficamos desgostos. É um primeiro álbum, provavelmente lançado a quente devido ao sucesso que os Hadouken! rapidamente recolheram. Serviu e bastou para os lançar em nova tour, desta vez bastante mais global, chegando a passar até pelo Optimus Alive! '09.
For The Masses
Em Janeiro de 2010 era lançado o segundo álbum dos Hadouken!. No dia seguinte, em comentários à NME, o vocalista James Smith chegou a dizer que "já não conseguia ouvir o álbum anterior", o que indiciava uma revolução. Rebirth, primeira faixa, introduz exactamente o que exalta: uma sonoridade muito mais desenvolvida comparativamente ao registo anterior. O primeiro single surge logo a seguir, com Turn The Lights Out (ver vídeo acima), faixa que explode completamente com um grindie bastante agressivo. A esta altura já percebemos até que ponto chega esta nova sonoridade dos Hadouken!, bem mais robusta e prepotente. Aparecem M.A.D. e, pouco depois, House Is Falling, dois outros singles que apelam ao movimento e nos mostram até onde consegue chegar esta banda no universo do new rave.
Somos cada vez mais invadidos de sons novos e inéditos, algo puro e duro mas, ainda assim, chamativo. Quanto a isto, e ainda à NME, James Smith chegou a comentar: "para a rádio é um álbum pouco amigável"; "basicamente, a tua mãe não vai gostar deste disco", rematou. No alinhamento seguem-se Mic Check e Ugly, que mostram um tudo nada de drum & bass, ao que não estamos nada habituados destes britânicos. Contudo, os Hadouken! chegam ainda mais à frente, revelando uma Bombshock que, a par de Lost, coloca um brilhante ponto final ao álbum, com sons entre new rave, dance-punk e trance (nesta última faixa). Viciante!
Os Hadouken! lançaram recentemente, já no final de 2010, mais um registo, o Oxygen EP; este contém duas faixas - Mecha Love e Oxygen - e dois remixes. Actualmente, no panorama da música electrónica, os estes rapazes já são senhores do seu pedestal, ladeando vários grupos de renome internacional. A banda vai aglomerando cada vez mais fãs e estes aguardam agora pelo próximo álbum, razão pela qual a banda já se encontra em estúdio há vários meses. Estão vivos e recomendam-se.

Bobby McFerrin em Guimarães

Em 2012 Guimarães irá ser Capital Europeia da Cultura, partilhando o estatuto com Maribor, cidade da Eslovénia. Apesar de 2012 ainda não ter chegado, a organização já promove diversos eventos culturais, atraentes não só para os habitantes locais como também para pessoas de todo o país, e até mesmo para nuestros hermanos. Por entre nomes como Rui Veloso e Adriana Calcanhotto, surge o de Bobby McFerrin, que actuou no Multiusos da cidade berço no passado dia 3 de Julho.
O autor de...
Nos cartazes que publicitavam a vinda do músico norte-americano a Portugal, constava que Bobby McFerrin era o autor da tão cantada e melodicamente assobiada Don't Worry Be Happy, tema constantemente entregue de forma errada a Bob Marley. Aviso desde já o leitor que Bobby não necessitou de cantar esta música para que se mostrasse ao seu mais alto nível, num concerto de elevada qualidade. De facto, o sucesso daquele tema foi tanto que até lhe valeu um Grammy - um dos oito que já tem - para melhor música do ano. A recorrente atribuição desta música a Bob Marley não se percebe muito bem, visto que, aquando da criação de Don't Worry Be Happy, já fazia sete anos que o mítico artista jamaicano tinha morrido.
O improviso
Quem nunca foi a um concerto de Bobby McFerrin - o meu caso há cerca de uma semana - não consegue prever, de forma alguma, a tipologia de concerto que este utiliza. Cada uma das suas músicas e interpretações apresentam-se singulares, apesar da sua forma de canto quase sempre idêntica, ainda que imprevisível (como a música acima apresentada). Isto acontece porque o improviso sempre foi o habitat de McFerrin, ao qual ele dá uma notável importância no mundo do canto, como refere no seu site oficial:
"I am passionately committed to improvisation, and don't think that any music student in the country should be allowed to graduate unless they've studies it for a term, a year."
Um concerto diferente
É na base deste tão importante improviso que Bobby nos presenteia com o seu espectáculo. Por entre todas aqueles temas incríveis, que facilmente impressionam a plateia, surgem os momentos em que o cantor revela o seu verdadeiro génio, sempre com um humor contagiante. Começa com uma interacção com a audiência, fazendo-a entoar as notas que este "toca" saltando pelo palco, enquanto ele próprio canta uma melodia. Segue-se o momento em que o público canta, em uníssono, a Ave Maria de Gounod enquanto Bobby faz o instrumental, com um prelúdio de Bach; o ambiente é absolutamente fantástico quando todas as vozes convergem sobre o "mote" de McFerrin.
Quando julgamos que nada de melhor surgirá, somos impressionados pelo nível a que Bobby McFerrin leva a interacção com os espectadores. Primeiro chama um par de elementos do público para improvisar uma dança ao ritmo do seu improviso vocal; e eis que somos impressionados pela qualidade dos dançarinos que ainda há pouco estavam entre todos nós. De seguida chama novos espectadores, desta feita companheiros de instrumento para improvisarem em diversos duetos vocais, nos quais era o espectador a dar o ritmo inicial. As ovações foram gigantescas, perante tão soberbas vozes que ali se apresentavam. No final surge algo bastante inesperado: Bobby McFerrin organiza um verdadeiro coro a partir de pessoas da audiência. Depois de pedir cerca de 15 participantes, este é surpreendido por mais de 50 pessoas, que sob o seu comando, e dividos por quatro registos vocais, deram um excelente espectáculo a todos.
Como é fácil denotar, o concerto a que se assistiu em Guimarães foi bastante fora do comum, fugindo ao normalmente esperado de um evento musical. Seguindo sempre este modelo, Bobby McFerrin conseguirá sempre vingar no mundo da música, porque aliado ao seu bom humor que tanto diverte o público, cria ambiente fantásticos, propícios a excelentes demonstrações artísticas.

Metronomy

No mundo da electrónica os Metronomy ocupam uma posição especial. Com três álbuns editados, os britânicos de Londres e Brighton raramente se assemelham a qualquer outro grupo do estilo, incutindo sempre - mas sempre! - uma marca pessoal a qualquer faixa. A sua formação é constituída por quatro elementos verdadeiramente multi-instrumentistas - apenas a baterista se cinge a um único instrumento. Lançaram agora um novo álbum, são um dos nomes de Paredes de Coura para este ano e prometem arrasar com o Taboão.
Nights Out NME - 9/10
Nights Out é, do início ao fim, uma obra-prima da electrónica. Segue praticamente a mesma linha rítmica ao longo das suas 12 faixas, ou seja, nenhuma linha de todo, apenas ritmos em busca de uma emancipação descontrolada e frenética. Depois de uma introdução épica, bem capaz de iniciar um filme algo dramático, chega o caos. A sublime Radio Ladio e My Heart Rate Rapid fazem por mostrar toda a pujança dos incansáveis britânicos, amantes de sons indistintos a desafiar o high pitch. Ainda que menos céleres, não é por aí Heartbreaker e Side 2 deixam de marcar a sua posição, tornando-se perfeitas para demonstrar a polifonia de instrumentos e sons que os Metronomy utilizam. Seguem-se Holiday, uma das melhores faixas do registo, e A Thing For Me, provavelmente a mais conhecida do grupo - muito por culpa do videoclip (ver acima). Tudo acaba com uma tríade escolhida de forma brilhante: Back On The Motorway, On Dancefloors e Nights Outro aparecem em ordem de velocidades, do mais rápido para o mais lento. Desta vez, não seria de estranhar ouvir esta última faixa a fechar a mesma longa-metragem que Nights Out iniciaria.
The English Riviera NME - 9/10
Em 2011 os Metronomy surgem com uma nova produção. Recebeu o nome de The English Riviera; bastava isto para prever uma maturação da banda e um álbum mais calmo. Os teclados em distonia continuam cá, mas num tom diferente, mais relaxante e menos chocante, como percebemos no single The Look, no qual o grupo volta a demonstrar a sua qualidade na produção de telediscos fantásticos em termos de imagem e originalidade. She Wants apresenta-se no pólo oposto, com uma imagem mais escura e um som a roçar o sombrio e a incerteza. Inconstestável é o destaque que agora é dado à voz de Joseph Mount e de outros artistas extra-banda - que bem jogado! Apesar de já ter sido posto à venda em Abril, de momento será difícil encontrá-lo por Portugal.
Os Metronomy tocam direito por ritmos tortos. Preto no branco: os Metronomy, buscando a mais futurista das sonoridades, relembram-nos do porquê de gostarmos de música electrónica. São de um rigor e perfeição ridiculamente superiores, facilmente levando o ouvinte ao êxtase.

Queima das Fitas 2011


As festas estudantis acontecem um pouco por todo o país, proporcionando dias de autêntica «liberdade» para os estudantes que nelas participam. Chamam ainda todo o tipo de audiência, mobilizando milhares de pessoas e, devido a ser importante na esfera universitária, até atraem estrangeiros.
Porto
Amanhã, pouco depois da meia-noite, inicia-se a Queima das Fitas do Porto, provavelmente a mais aguardada de todo o país a cada ano que passa, quer pelo poderio económico quer pela qualidade de organização da FAP. Depois de no ano passado ter apresentado nomes como Crystal Castles ou Franz Ferdinand, em 2011 surge com um cartaz promissor, contando com actuações de MGMT - com claro destaque -, Patrice, Suede e muitos outros. Para os estudantes este não é, nem de longe nem de perto, o motivo de ida, mas resulta perfeitamente como factor de atracção de massas, contribuindo para receitas muito mais avultadas.
Apesar da música não se ficar pelo palco principal, o maior «íman» são mesmo as barraquinhas, cuja lista é completamente impossível de resistir. Entre os 122 nomes, surgem pérolas como "Tasca do Urso", "Reino de Déus", "Estou perdido" e "Anatomia do Greg". Cada barraca tem a sua própria música, desde o kuduro ao trance «foleiro», tentando - muitas vezes conseguindo! - competir com o palco e as tendas de música, agregando milhares de pessoas à sua área. Não seria possível deixar de referir o álcool a preços irrisórios, razão principal para tamanha afluência.
Outras cidades
A par da Queima do Porto, as festas académicas mais conhecidas de Portugal são a Queima de Coimbra e o Enterro da Gata de Braga. Na cidade dos estudantes os nomes principais são Editors, James e Marcelo D2. Este último também actua no Minho, ao lado de 2 Many Djs e Natiruts. Um facto interessante sobre muitos destes eventos é a presença assídua de Quim Barreiros, quase detentor de um lugar cativo vitalício. Já a semana académica de Lisboa desilude sempre pela sua curta duração e fraco espírito - veja-se que no ano passado foi adiada devido à chuva. Ainda assim, a edição deste ano conta com a presença de Emir Kusturica e a sua No Smoking Orchestra, excelente grupo musical.
Como vemos, as tão adoradas Queimas das Fitas continuam a apostar em nomes de alguma dimensão, de forma a atrair cada vez mais público para os recintos. Seja ou não pela música, a passagem é «obrigatória» para os jovens, que aqui encontram diversão garantida.

Lágrimas Negras


Bebo Valdés - Havana, 1918. Diego «El Cigala» - Madrid, 1968. Cinquenta são os anos que separam o nascimento destes dois homens; por entre este tempo, muitos foram os que desapareceram sem merecer a mais breve nota na História. Porém, o caso destes dois senhores é peculiar. Apesar da enorme discrepância de idades e divergências culturais, acabaram por deambular juntos num álbum musical soberbo.
Lágrimas Negras
Tudo começa quando Diego «El Cigala» vê uma gravação de Bebo Valdés e Cachao López, que nela interpretavam o tema Lágrimas Negras. Pouco tempo depois estavam sentados à mesma mesa -Diego e Bebo - discutindo um novo projecto, rapidamente transformado em muito mais do que um simples disco. As gravações começam a 9 de Setembro de 2002, sucedendo-se por entre interlúdios de ensaios e decisões sobre que músicas incluir.
Inolvidable abre sensacionalmente o registo e, de forma simples, introduz o estilo muito próprio deste dueto. El Cigala canta-nos um grito de desespero e Bebo involve-o de um drama puro, digno de um amor nunca esquecido. A temática do Amor e da Saudade domina todo o álbum, aliando a música a letras com enorme expressividade, vincada ainda mais pela voz de El Cigala. Seguem-se Veinte Años e Lágrimas Negras, esta última que significa o iniciar do projecto, tornando-se, portanto, uma escolha óbvia; é ainda o tema com a maior variedade de instrumentos, incluindo um saxofone brilhante. Em Niebla del riachuelo somos apaziguados pelo ritmo lento e o violino melódico, tal como se um denso nevoeiro nos consumisse aos poucos. Córazon loco volta a incutir um outro ritmo, muito por culpa de uma guitarra mais célere e provocadora.
Se me olvidó que te olvidé e Vete de mí estabelecem concordância na voz, arrependida e saudosa; mas, ao mesmo tempo, o ritmo musical revela-se contrário, apresentando uma dupla ambiguidade. La bien pagá, a faixa mais longa, é genial ao ponto de criar múltiplas conversas entre o piano, o contrabaixo, e a voz, que se vão interpelando de forma clara. A opção de incluir um pequeno coro acaba por vingar, entregando muito mais carisma ao tema. Este álbum acaba por terminar com Eu Sei Que Vou Te Amar, combinada com a declamação da letra de Coração Vagabundo, por Caetano Veloso; algo verdadeiramente apoteótico.
As melodias caribenhas aliam-se de forma absoluta aos ritmos do flamenco, criando um género único, volátil e dinâmico, que parece crescer e amadurecer, para no final desvanescer alegre e dramaticamente. Trata-se de um disco repleto de fabulosas interpretações, oportuno para quase todas as ocasiões e merecedor de uma nota perfeita.
Pode ouvir aqui o álbum na íntegra:

Os Festivais para 2011


Há pouco menos de um ano, comentava aqui no Multimedia Journalism os Festivais de Verão; num post os nacionais e a sua situação actual, noutro os europeus. Agora, que já faltou mais para o Verão, certos cartazes começam a compôr-se, apresentando nomes bem interessantes. O destaque recai para dois festivais: um é o suspeito do costume, o outro impressiona agora com brilhantes nomes.
Optimus Alive!11
O maior festival de Portugal teria de possuir uma das posições de destaque deste artigo, por duas simples razões. Primeiro, porque em 2010 foi o evento que trouxe as maiores bandas a Portugal, e segundo, já que apresenta para este ano nomes muito sonantes. Entre estes contam-se Foo Fighters, Iggy and The Stooges e 30 Seconds to Mars; mas o nome que cativa todas as atenções é mesmo o dos Coldplay, banda há muito desejada pelos portugueses. Kaiser Chiefs, Primal Scream, Grinderman e TV on the Radio completam os nomes mais importantes do festival.
Este ano o Optimus Alive! irá decorrer ao longo de quatro dias - 6, 7, 8 e 9 de Julho - ao invés do que se havia passado com edições anteriores, que apenas registavam três dias de concertos. Existem três modalidades de bilhetes para o festival, e duas para o campismo:
Bilhete Diário - 50€ | Passe 3 Dias (7, 8 e 9 de Julho) - 99€ | Passe 4 Dias - 129€
Campismo 3 Dias (7 a 10 de Julho) - 15€ | Campismo 4 Dias (6 a 10 de Julho) - 20€
Super Bock Super Rock
Pela segunda vez com uma edição única, o Super Bock Super Bock, agora realizado no Meco, impressionou tudo e todos com grandes nomes para este ano. Apesar da pequena quantidade de grupos confirmados, a qualidade é irrefutável quando nos deparamos no meio de Arcade Fire, The Strokes, Portishead e Arctic Monkeys. Todas estas bandas perfilam nos sonhos de grande parte dos festivaleiros nacionais, uns pelo presente sucesso e outros pelo seu tamanho. Assim, espera-se grande afluência ao Meco este ano. Os três dias do festival - 14, 15 e 16 de Julho - contarão também com Beirut, The Legendary Tigerman, Elbow e El Guincho.
O campismo é gratuito, tal como as viagens entre o recinto e a praia, quanto aos bilhetes:
Bilhete Diário - 45€ | Passe 3 Dias - 80€
Enquanto Paredes de Coura continua adormecido e o Sudoeste TMN apenas confirmou Amy Winehouse, os dois festivais acima apresentados vão recolhendo festivaleiros, começando desde já o caminho para o sucesso. Recomendação: se tivesse uma palavra a dizer, escolheria, sem dúvida alguma, o SBSR, pela qualidade das bandas, preço dos bilhetes, e espírito de festival que parece apresentar.

Substance 1977-1980


Substance é uma colectânea de singles da aclamada banda britânica Joy Division. Lançado em 1988 pela Factory Records, este apresenta ao público as grandes músicas do efémero grupo de Salford, Inglaterra.
Introdução
Este álbum é iniciado por Warsaw, antigo nome da banda que teve de ser alterado devido à existência dos Warsaw Pakt. Este registo desperta logo a atenção do ouvinte, a voz de Curtis ecoa bem alto e o baixo de Peter Hook não passa despercebido. Facilmente mergulhamos na mística que envolve os Joy Division e seguimos atentamente o fluir da música. Depois aparecem Leaders Of Men e Digital, que, com o baixo e bateria bem decalcados, marcam o ritmo a que a nossa mente trabalha. Autosuggestion chega em estilo de acalmia, evidenciando uma sonoridade mais obscura na guitarra e bateria, enquanto que o baixo funciona como verdadeiro metrónomo; Ian Curtis é mesmo a cereja no topo do bolo, incutindo à música o sentimento de que esta padecia.
Maturação
Gloriosamente sucedem-se Transmission e She's Lost Control, dois dos mais conhecidos e adorados temas de Joy Division; ambos revelam-se magistrais no que toca à musicalidade. Porém, o primeiro é menos complexo, já o seguinte apresenta uma dualidade interessante, com uma bateria repetitiva e mecanizada, apoiada por um baixo algo híbrido, alterando a sua energia ao longo da música; tudo isto é acompanhado pela letra a que Curtis tanto significado deu.
O trio Incubation, Dead Souls e Atmosphere, vem novamente acalmar o tempo presente e entregar um pouco mais de protagonismo à instrumentalidade de Joy Division: um autêntico tapete vermelho para Love Will Tear Us Apart, o single mais vendido do conjunto. Anunciado em 2002 pela NME como o melhor single de todos os tempos, possui uma abismal musicalidade, resultado de uma excelente harmonia de todos os instrumentos, ainda que concentrada no teclado, voz e bateria.
Appendix
Segue-se um conjunto de faixas bónus, todas inequivocamente únicas e independentes, destacando-se No Love Lost, Glass, e Novelty. Esta colectânea termina com These Days, registo que apresenta um fabuloso baixo e finda o álbum com uma certa alegria, ao invés da melancolia e sonolência psicológica a que nos habituam os Joy Division em grande parte dos seus temas.
Fabuloso do início ao fim, Substance consegue prender o ouvinte em todas as músicas; e apesar de requerer certos momentos de introspecção e concentração, incute bastante movimento e energia. Absolutamente genial!
Classificação: 10/10

Desorganização na Casa da Música


Sábado, 2 de Outubro, foi dia de mais um Optimus Clubbing na Casa da Música. Mão Morta subiam ao topo como headliners, seguidos por Pop Dell'Arte e uma formação interessante de bandas, entre as quais figuravam a incrível StopEstra! e os irrequietos Olive Tree Dance. Um novo conceito entrava também em cena neste Clubbing, o Non Stop; que pretendia criar um ambiente musical na Casa da Música pela madrugada dentro, não entregando todos os louros a Mão Morta ou Pop Dell'Arte, mas sim a todo um excelente conjunto de bandas e artistas.
Mão Morta iniciava o seu set às 23:30, e de facto estes entraram em palco quase à hora marcada, cumprindo o horário. Cheguei à sala mesmo a tempo do início, mas reparei que uma grande fila se começava a formar à porta, o que indiciava que estavam a barrar a entrada por ter sido atingida a lotação da sala. Ora, ninguém sabia de nada, nenhuma das pessoas estava sequer informada de que o concerto tinha lotação máxima. À bom português que quer ver o concerto pelo qual pagou, gerou-se instantaneamente um onda de insultos dirigidos à segurança e empurrões com o objectivo de trespassar aquela muralha humana. Os seguranças diziam que não tinham culpa, mas sempre com uma educação a roçar os calcanhares.
Finalmente dentro da sala, mas com duas músicas semi-vistas da porta de entrada, notei que aquela ainda tinha capacidade para albergar umas boas dezenas de pessoas; sem referir ainda o facto de o público parecer estar em sua própria casa, já que o espaço entre cada um dos espectadores ainda era algum. Sempre era melhor ter feito o concerto na sala Suggia, porque parada como estava a audiência parecia que a música dos Mão Morta estava a mais, e sentados estamos sempre melhor. Felizmente, quem realmente assim desejasse ainda conseguia aproveitar o concerto à sua maneira.
A organização foi, como pôde reparar, vergonhosa. O facto de mais salas funcionarem ao mesmo tempo levou a uma excessiva venda de bilhetes; e claro que, na hora de Mão Morta, a grande maioria queria assistir a estes místicos do rock português. Com um e-mail já endereçado à Casa da Música a expressar todo o meu descontentamento, não me irão ver lá tão cedo, e espero que muitos mais o façam.
Quanto ao concerto não há nada a apontar, irrepreensíveis como sempre abordaram temas clássicos e músicas do novo álbum. Sinto-me privilegiado a cada concerto que assisto de Mão Morta, são sem dúvida um marco gigantesco na cultura musical deste país. Nota positiva ainda para a StopEstra!, inexplicável a originalidade e a qualidade deste trabalho, intemporal.

Reading Festival 2010


(foto por Nick Clark)
Entre os dias 27 e 29 de Agosto decorreu em Reading, Inglaterra, o mais antigo festival de música ainda no activo, que é ao mesmo tempo um dos maiores e melhores do Mundo. Foram duzentas e dez (sim, 210!) as bandas que espalhadas por 5 palcos actuaram para cerca de 90.000 pessoas todos os dias, sem contar ainda com as dezenas de comediantes e demais artistas do palco alternativo. Entre os nomes mais sonantes figuravam Queens of the Stone Age, Arcade Fire, Blink-182, Guns n' Roses, e os tão aguardados The Libertines.
Na realidade o festival de Reading, tal como muitos outros festivais de verão, começa antes de qualquer actuação, já que antes dos dias com concertos é possível acampar numa massiva área verde dividida em sete diferentes zonas de campismo (ver aqui mapa do festival). Com a ajuda das chuvas torrenciais essa tal área verde transformou-se rapidamente num extenso e profundo lamaçal impossível de ser habitado sem as devidas galochas; apesar disto havia quem apenas usasse chinelos ou ainda quem andasse descalço. Com a chegada dos concertos a chuva foi cedendo aos pedidos dos festivaleiros e durante o fim-de-semana o sol foi dominante, o que não fez com que a lama desaparecesse mas ajudou a que esta não continuasse a alastrar.

(foto por metro.co.uk)
No primeiro dia, em termos de grupos mais adorados, actuaram os Billy Talent, Gogol Bordello, NOFX, Biffy Clyro, Queens of the Stone Age, LCD Soundystem e Guns n' Roses. Os ciganos de Eugene Hütz voltaram a fazer a festa com os seus alegres temas de música étnica; os norte-americanos de Joshua Homme tiveram uma actuação de elevada qualidade mas de curtíssima duração; já Axl Rose e os seus amigos chegaram uma hora atrasados e tiveram de ter o som cortado para abandonar o palco. No geral acabou por se revelar um dia à altura do festival, com várias actuações de grande nível e um óptimo fecho por parte dos LCD Soundsystem. Nota positiva para os pouco conhecidos Blood or Whiskey, grupo de punk celta que abriu o palco Lock Up com muita energia e dedicação.
Depois de um bom princípio de festival chegava a vez de os The Libertines actuarem, o que causou algum nervosismo em todos os fãs. Juntamente com o grupo britânico eram Hadouken!, Dizzee Rascal, Crystal Castles, Pendulum e Arcade Fire os grupos que esperavam recolher mais espectadores. Os ingleses Hadouken! entraram a todo o gás com a sua electrónica na tenda Radio1/NME, pujantes e destemidos; os Arcade Fire atingiram um espectáculo melódico e harmonioso com grandes respostas por parte do público em músicas como Laika ou No Cars Go; contudo, as grandes atenções da noite estavam viradas para os The Libertines, que surpreenderam todos com a cumplicidade demonstrada entre Pete Doherty e Carl Barât. Tiveram uma performance irrepreensível e mostraram o porquê de serem tão adorados pelo mundo fora.

(foto por metro.co.uk)
No derradeiro dia do festival de Reading eram aguardadas as actuações de Blink-182, Paramore, ou ainda Limp Bizkit, o que fazia com que a qualidade musical estivesse quase exclusivamente patente nos palcos secundários. Estes contavam com artistas como Los Campesinos!, Metronomy, The Drums, Foals, We Are Scientists e Klaxons, entre outros. O grupo dos diferentes Campesinos! organizou a festa do costume com a sua música ritmada e alegre; a electrónica de Metronomy esteve ao mais alto nível, tal e qual da forma a que eles nos habituaram; The Drums chocaram uma grande assistência ao não tocar o seu grande single, Let's Go Surfing; os Foals foram absolutamente clamorosos, nada de negativo a apontar num espectáculo que apresentou todas as suas facetas e qualidades; We Are Scientists conseguiram provar porque estão no auge da sua carreira que já dura há uma década, obtendo uma excelente cumplicidade com o público ao aliar a conversa com a música; no final foram os Klaxons a fechar a tenda Radio1/NME, no que foi mais um excelente espectáculo terminado com a destemida Atlantis to Interzone.
Depois de uma semana intensa entre voos e viagens de comboio e tube apenas me recordo de dois aspectos que poderiam ter sido melhores no festival; se Queens of the Stone Age tivessem sido trocados com Guns n' Roses e The Libertines com Arcade Fire provavelmente o espectáculo teria sido ainda mais incrível. Porém Reading 2010 acabou por se revelar um excelente festival, logrando provar mais uma vez porque é um dos maiores e melhores eventos de música ao ar livre do mundo. Tudo ajudou, desde os artistas aos festivaleiros e desde as condições climatéricas à organização. É sem dúvida um modelo a seguir.

Optimus Alive!10 [Dia 10]

O derradeiro dia chegava então ao Passeio Marítimo de Algés, com os cabeça de cartaz Pearl Jam como imponente figura do dia. Foi o dia 10 que provocou grande tristeza nos fãs que não conseguiram o bilhete e alegria nos que os venderam por várias vezes mais do que o seu custo original. Gogol Bordello, LCD Soundsystem e Peaches eram outros grupos e artistas que actuavam neste dia.
O primeiro nome atraente do dia era Dropkick Murphys, que apesar de ser pouco conhecido conseguiu angariar uma boa quantia de espectadores, também um pouco por causa da espera por Pearl Jam. O grupo norte-americano de punk celta, com uma excelente sonoridade irlandesa e escocesa, ainda logrou fazer dançar uns bons milhares de pessoas ao som do seu ritmo desenfreado. Johnny I Hardly Knew Ya e I'm Shipping Up To Boston fizeram as delícias do público que continuava a pular e a cantar alegremente num dos melhores espíritos vistos em todo o festival. Curioso é o facto de os Dropkick Murphys utilizarem alguns instrumentos musicais muito pouco comuns (gaita-de-fole, bodhrán, banjo, flauta irlandesa, bouzoki e bandolim).
No palco principal seguia-se um grupo com música ainda mais alegre e que voltava a evocar a dança em todos os espectadores. Foram milhares os que dançaram ao som de Eugene Hütz e da sua trupe cigana, seguindo sem quaisquer inibições o ritmo dos maiores representantes da musicalidade étnica em todo o Mundo. A setlist dos Gogol Bordello seguiu grandes êxitos como Start Wearing Purple e Wonderlust King, mas deixou de fora temas igualmente bons como Dogs Were Barking e Avenue B. A diversão era contagiante e este conjunto internacional demonstrou porque são tão requisitados pelo mundo fora. O único ponto negativo do espectáculo pertenceu a uma parte da assistência, que parecia estar lá exclusivamente à espera de Pearl Jam recusando a diversão que outros grupos geravam.
Depois de dois dias exaustivos e no final de um terceiro repleto de grandes artistas eis o grupo por quem todos (ou quase todos) esperavam, Pearl Jam. A banda originária de Seattle é adorada nos quatro cantos do globo e é sem dúvida o conjunto activo mais conhecido do grunge. O alinhamento dos temas apresentou a maioria dos grandes êxitos dos Pearl Jam, como Even Flow, Black e Just Breathe. O concerto correu da melhor maneira, sempre com um excelente acompanhamento vocal por parte dos festivaleiros. Já no encore Eddie Vedder afirmou que Portugal tinha sempre o melhor público, aquele que cantava melhor, e ainda dedicou uma música ao nosso país. Depois surgiram os temas favoritos da grande maioria da assistência, Better Man e, já no segundo encore, Alive (em jeito de terminar o festival de forma perfeita). Bom concerto da banda norte-americana que conseguiu justificar a sua posição como cabeça de cartaz de todo o festival.
Surgia assim a electrónica para fechar o festival e entreter os últimos resistentes. No palco principal entravam os LCD Soundsystem de James Murphy, que com uma setlist de apenas nove músicas ainda fizeram o público dançar. Entre os temas interpretados contavam-se All My Friends e Daft Punk Is Playing At My House, com esta última a receber a esperada resposta por parte do público. Já no palco Super Bock Super Rock foi Boys Noize a fazer a festa, apresentando um excelente set que fez as delícias a todos os presentes. A noite prosseguiu com mais electrónica e ainda houve tempo para os Homens da Luta actuarem no Palco Optimus Clubbing, recebendo notório apoio.
O Optimus Alive! 10 acabou por se revelar um excelente festival, tanto a nível da organização, infra-estruturas, e sobretudo a nível musical, apresentando o melhor cartaz nacional de 2010. É no presente o festival com maior dimensão do país, ultrapassando sem dúvida alguma o Sudoeste e o cada vez mais esquecido Paredes de Coura. Desta feita, nota muito positiva para a organização; esperam-se grandes nomes para a edição do próximo ano com Coldplay a encabeçar a lista de rumores.
Que bandas pensa que a organização do Alive! vai trazer no próximo ano?

Optimus Alive!10 [Dia 9]


No segundo dia do Optimus Alive!10 já eram outros nomes internacionais a fazer a festa. O palco Optimus contava com grupos como Deftones e Manic Street Preachers, e no palco Super Bock figuravam Booka Shade e Gossip, entre outros. À porta a espera foi muito mais curta do que no dia anterior, isto porque a grande maioria das pessoas já tinha recolhido a sua pulseira, pelo que a entrada no recinto foi em grande parte facilitada.
Jet era a banda de abertura do palco principal, e os australianos não desiludiram, conseguindo contagiar toda a plateia com a sua «alegre» musicalidade. É claro que Are You Gonna Be My Girl? foi o tema mais apreciado pelo público, que dançou desenfreadamente ao som do ritmado baixo e da carismática voz de Nic Cester. Porém, ao longo de todo o espectáculo a boa disposição foi geral e todas as músicas do grupo foram devidamente apreciadas. A missão estava cumprida, toda a gente se tinha divertido com Jet e a festa do dia 9 estava oficialmente lançada.
Seguiu-se Mão Morta, banda portuguesa de culto adorada pela generalidade dos apreciadores de música, seja pelas actuações irreverentes de Adolfo Luxúria Canibal, seja pela qualidade inequívoca de todo o grupo. O concerto teve o seu início de forma enérgica, mas foi com E Se Depois seguida de Tu Disseste que o público começou a vibrar com a música do grupo de Braga. Passando por Budapeste e Barcelona os Mão Morta foram terminar o concerto com a desafiadora Cão da Morte e a estrondosa Anarquista Duval (a actuação de ambas pode ser vista aqui). Foi uma excelente performance de um grupo português que continua a dar grandes «cartadas» no panorama musical nacional.
Mais tarde subiram ao palco principal os Manic Street Preachers, muito famosos por alguns êxitos como The Everlasting ou Your Love Alone Is Not Enough, que nos seus anos fizeram grande sucesso nas rádios. Os galeses deram um espectáculo de qualidade conseguindo que o público ainda cantasse em coro alguns dos seus temas. Nada de extraordinário mas certamente uma bela demonstração da harmonia que um grupo consegue atingir nas suas composições.
Depois da actuação de Skunk Anansie foi a vez de os Deftones, cabeças de cartaz, subirem ao palco. Os norte-americanos começaram o concerto de forma «nua e crua» com Headup, provocando um enorme alvoroço na parte dianteira do público. Este foi irrepreensível, respondendo intensivamente durante as vinte e duas músicas, sem qualquer encore, que compuseram a setlist dos Deftones. O concerto prosseguiu de forma agressiva com gigantescos mosh pit a serem formados mesmo junto ao palco, um deles especial e a pedido de Chino Moreno, vocalista. Porém, diferenciado o que parece do que realmente é, é necessário afirmar que no cômputo geral foi uma actuação mediana; isto porque nos últimos seis temas já havia a sensação de repetição, a sonoridade parecia idêntica em todas as músicas, o mesmo baixo e a mesma voz, para não falar da bateria que marcava o mesmo ritmo. Contudo a assistência pareceu adorar toda aquela vivacidade e energia, e os Deftones também demonstraram alguma alegria por tocarem no nosso país.
Foi novamente um excelente dia de música no Passeio Marítimo de Algés. As melhores bandas do dia foram Mão Morta, Skunk Anansie, Manic Street Preachers e Gossip, com a actuação do grupo de Beth Ditto a ser muito elogiado pela imprensa portuguesa. Faltava ainda o derradeiro dia do Optimus Alive!10, quando actuariam os tão aguardados Pearl Jam que fizeram esgotar os bilhetes diários e os passes de 3 dias. Previa-se uma festa sem igual.

Optimus Alive!10 [Dia 8]


O festival de verão que se auto-intitulava (e bem!) de "O festival com melhor cartaz de 2010" teve o seu início no dia 8 de Julho. No Passeio Marítimo de Algés o Optimus Alive! prometia diversão e muita festa, com bandas como os Pearl Jam, Kasabian, Faith No More e Gogol Bordello.
O dia começou cedo para os festivaleiros, uns vinham do campismo, outros de pensões ou hotéis, e ainda havia quem apenas passasse por lá por um dia apenas. À entrada para o recinto a espera era alargada nos três corredores de passagem (um para cada tipo de bilhete). Talvez tenha sido neste sector que a organização pecou em grande forma, já que a distribuição das pulseiras era demasiado lenta, tornando todo o processo prévio muito demorado.
Os Alice in Chains foram a primeira grande banda do dia, atingindo uma actuação sólida que em tudo agradou aos fãs do grunge. O nervosismo era geral, praticamente ninguém sabia se William DuVall iria conseguir uma boa performance, já que era a primeira vez que a banda se apresentava em Portugal depois da morte de Layne Staley em 2002. Todos os fãs e espectadores responderam da melhor forma e o concerto acabou por correr da melhor maneira; como agradecimento os Alice in Chains mostraram repetidamente a sua felicidade por actuarem em Portugal.
Kasabian era o grupo musical que se seguia. Autores de um dos melhores álbuns de 2009 (West Ryder Pauper Lunatic Asylum), os britânicos começaram com Fast Fuse, música à qual o público respondeu cantando em coro o refrão. Seguiu-se a famosa Shoot The Runner e o single ainda mais impressionante Underdog. Passando por Club Foot e Fire, e viajando por muitos outros temas de todos os seus três álbuns os Kasabian foram terminar com Vlad The Impaler e a épica Lost Souls Forever. Excelente concerto dos ingleses que justificaram a sua posição no cartaz.
Os cabeças de cartaz do primeiro dia eram os Faith No More, banda que se uniu novamente no ano passado chegando mesmo a actuar no festival Sudoeste. Os americanos simpatizaram logo com o acolhedor público português ao pronunciar algumas frases em língua portuguesa. Passando por todo o seu excelente repertório e cantando até Evidence em versão lusófona, os Faith No More tiveram ainda tempo para apresentar alguns covers, como Easy e Chariot of Fire, temas muito conhecidos dos The Commodores e dos Vangelis, respectivamente. O entretenimento foi geral e o vocalista continuou a dirigir-se ao público na nossa língua, terminando a sua actuação com Caralho Voador no 2º encore.
Ao longo do dia actuaram ainda Biffy Clyro, The XX, Florence + The Machine, La Roux e muitos outros nomes. Foi um excelente dia de abertura para o Optimus Alive!, que com algumas bandas de renome internacional conseguiu lançar da melhor maneira a edição de 2010 do festival. Faltavam ainda 2 dias e as actuações de muitos outros nomes, como Mão Morta, Deftones, Gogol Bordello e Pearl Jam.