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Twilight Zone


(Direitos sobre a foto: EPA)
A série de culto norte-americana Twilight Zone obteve um nome diferente tanto no Brasil como em Portugal; foi então chamada de Além da Imaginação e Quinta Dimensão, respectivamente. Qualquer uma destas escolhas parece ser capaz de adjectivar perfeitamente a Região Autónoma da Madeira, a primeira dirigindo-se para a sua situação actual e a segunda para a região como um todo.
O buraco
Muito foi dito sobre o buraco da Madeira nestas últimas semanas, mas enquanto Portugal se encontrava em «choque», Alberto João Jardim fazia troça da ocorrência. Quando interpelado, é óbvio que Jardim acaba sempre por desviar o assunto, entregando as culpas ao continente e seus bastardos - como ele gosta de lhes chamar. No final de Setembro, aquando da inauguração de 1km de estrada na freguesia de Curral das Freiras, o Presidente da Madeira comentou o seguinte:
"Todos se lembram do buraco que era o Curral das Freiras, a miséria que era viver nesta cratera, nesta cratera que parece a República Portuguesa. Eles dizem que a gente tem um buraco, eles têm uma cratera."
Contudo, verdade seja dita, não é complicado perder o fio à meada quando criticamos um país como Portugal, principalmente em matéria económica. Ainda assim, não é por isso que esta situação deixa de ser gravíssima, e o pior foi a omissão da dívida. Tenhamos apenas em atenção um pequeno facto com uma grande represália: este desfalque nas contas da ilha da Madeira acaba de agravar o défice nacional em 1600 milhões de euros (segundo o PS-Madeira, e para alegria do povo, é para começar já a pagar em Dezembro). Vai mesmo para além da imaginação.
The show must go on
O resultado das últimas Eleições Regionais da Madeira espelha tudo aquilo que por lá se passa, todos sabem, mas poucos dizem. Incrédulo ninguém ficou, perplexo muito menos, mas é certo que preocupados ficámos todos. Este não-espanto também comprova o quão fundo já vai a Madeira no seu buraco, aqui num sentido muito mais lato. O interesse está no facto de que não é a democracia a falhar, mas sim o poder que não a deixa operar. Não aponto corrupção no acto eleitoral - isso seria, porventura, um exagero - mas sim na vida pública de toda a Madeira. Ainda há relativamente pouco tempo, há cerca de quatro anos, Alberto João Jardim soltou um «L'État c'est moi», seguido de uma gargalhada, quando estava cercado por microfones. Ora, nem o próprio Presidente faz por afastar a imagem de um ditador, citando Luís XIV, o tão conhecido e infame rei-sol. Foi por estas e por outras que o PND, Partido Nova Democracia, se viu obrigado a uma campanha mais invasiva nas Legislativas 2011 - como esta.
No acto eleitoral, o PPD/PSD obteve 48,56% dos votos e maioria absoluta, contando com 25 assentos numa Assembleia composta por 47 lugares. Desta forma, o poder vai continuar incontestável, e os protestos de nada servirão. O ciclo que Alberto João Jardim formou na sociedade madeirense funciona agora como áurea protectora, um escudo que protege tanto o líder como todos aqueles que nele votam. Quem vai procurar perder certas regalias, ou até mesmo o emprego, votando contra aquele que assegura tudo isto? Por agora, os madeirenses têm um líder que dirige a região como um clube de futebol, trata o Presidente da República por «Sr. Silva» e quer expulsar imigrantes do país - ver aqui. A conjuntura política está complicada, e decerto que se o povo não «abrir os olhos», após este virá outro igual, pelo menos enquanto a maioria absoluta não permitir o voto sobre a lei do número máximo de mandatos. De momento, tudo aquilo parece normal... para uma Quinta Dimensão.