
Os festivais de verão estão cada vez mais disseminados por Portugal e pelo mundo fora. Só em 2009 foram mais de 20 os festivais portugueses, dos quais muitos moveram grandes massas populacionais para as suas zonas. Aconteceram um pouco por todo o país, do Norte com o Paredes de Coura, ao Sul com o Super Bock Surf Fest; e do Litoral com o Optimus Alive!, ao interior com o Vidigueira Jovem. O povo português tem certamente por onde escolher, desde os festivais metal ou alternativos até aqueles que tudo juntam, como é o caso do Rock in Rio.
Onde começou este movimento?
Tudo começou em 1971 quando em Vilar de Mouros se realizou o primeiro festival de verão em Portugal, considerado por muitos críticos o Woodstock português. Em pleno Estado Novo mais de 30 000 pessoas livres de quaisquer preconceitos se juntaram perto das margens do rio Coura, para celebrar de forma inimaginável o primeiro festival português. Este contou com a presença de nomes como Elton John, Manfred Mann, e ainda os nacionais Quarteto 1111. Desde então Portugal tem crescido no panorama internacional da música, tornando-se palco frequente de digressões de grandes bandas. Isto, aliado a baixíssimos preços de bilhete, faz com que a procura de festivais de verão seja cada vez maior.
Tudo começou em 1971 quando em Vilar de Mouros se realizou o primeiro festival de verão em Portugal, considerado por muitos críticos o Woodstock português. Em pleno Estado Novo mais de 30 000 pessoas livres de quaisquer preconceitos se juntaram perto das margens do rio Coura, para celebrar de forma inimaginável o primeiro festival português. Este contou com a presença de nomes como Elton John, Manfred Mann, e ainda os nacionais Quarteto 1111. Desde então Portugal tem crescido no panorama internacional da música, tornando-se palco frequente de digressões de grandes bandas. Isto, aliado a baixíssimos preços de bilhete, faz com que a procura de festivais de verão seja cada vez maior.
Onde está a comunidade ou o ambiente do campismo?
Assistimos a um esquecimento cada vez maior dos ideais de comunidade do primeiro Vilar de Mouros, já que aparecem cada vez mais festivais que se importam em trazer as bandas mas tendem a esquecer-se do público. Ideais estes não esquecidos decerto pelos míticos Sudoeste e Paredes de Coura, os melhores festivais nacionais em termos de ambiente e liberdade. É claro que as bandas e respectiva qualidade importam, mas na minha opinião, e decerto nas de quem já foi ao Sudoeste ou a Paredes de Coura, não tanto como o ambiente vivido fora e dentro do festival, no campismo e na zona de concertos. Apesar de difícil, não é impossível aliar estes dois aspectos; o primeiro padece apenas do orçamento, já o segundo requer talvez uma certa tradição que só é ganha ao longo dos anos.
Assistimos a um esquecimento cada vez maior dos ideais de comunidade do primeiro Vilar de Mouros, já que aparecem cada vez mais festivais que se importam em trazer as bandas mas tendem a esquecer-se do público. Ideais estes não esquecidos decerto pelos míticos Sudoeste e Paredes de Coura, os melhores festivais nacionais em termos de ambiente e liberdade. É claro que as bandas e respectiva qualidade importam, mas na minha opinião, e decerto nas de quem já foi ao Sudoeste ou a Paredes de Coura, não tanto como o ambiente vivido fora e dentro do festival, no campismo e na zona de concertos. Apesar de difícil, não é impossível aliar estes dois aspectos; o primeiro padece apenas do orçamento, já o segundo requer talvez uma certa tradição que só é ganha ao longo dos anos.
O que significa tudo isto?
Mas então quererá isto dizer que as promotoras só se importam em facturar dinheiro? Provavelmente, mas teremos de ser nós a apontar o erro e pedir por mais. Felizmente isto acontece em apenas alguns festivais, enquanto uns ainda resistem e outros nem se importam.
Mas então quererá isto dizer que as promotoras só se importam em facturar dinheiro? Provavelmente, mas teremos de ser nós a apontar o erro e pedir por mais. Felizmente isto acontece em apenas alguns festivais, enquanto uns ainda resistem e outros nem se importam.
A época de procura anual já abriu, e já foram sendo distribuídos grandes nomes internacionais pelos diversos festivais portugueses. O Optimus Alive! já confirmou Kasabian, Pearl Jam, LCD Soundsystem e Gogol Bordello, o Rock in Rio detém as actuações dos Muse e Rammstein, enquanto que o Marés Vivas apenas anunciou Ben Harper. Tanto o Sudoeste como o Paredes de Coura ainda não deram «sinais de vida», anunciando apenas as suas datas.

9 comentários:
Muito bem chico.
E claro a nossa foto dá lhe aquele ar.
Digno de ser artigo de jornal
Lembro-me de ter visitado Vilar de Mouros num verão há muitos anos atrás, antes da reedição do festival e tive sérias dificuldades em acreditar na palavra de um amigo meu que esteve nesse primeiro festival em 1971 e me garantia que tinha visto actuar ali elton john, quando o que os meus olhos me mostravam era uma aldeia muito pequenina perdida no minho.
Quanto aos festivais de agora, não podemos esquecer que são outros tempos e, principalmente, outros valores. A organização não controla quem aparece. Além disso, parece-me que aquilo de que te queixas está intimamente ligado a uma crise profunda de valores (como o civismo) que percorre algumas das gerações mais recentes. Basta veres, que mesmo num espaço priveligiado (refiro acima de tudo humanamente) como o CLF, a quantidade de lixo que encontras no chão, ou o estado em que ficam as salas de aula quase todos os dias...
Já agora, a tua opinião dos festivais é fruto de um saber "de experiência feito"?
E já agora, também, o Andanças (que vai para a sua 15ª edição), que tem um conjunto de valores e objectivos diferentes, não é injustiçado na tua crónica?
abraço!
Apenas de um saber de pouca experiência. Tive a oportunidade de no Verão passado ter ido a dois festivais nos dois extremos do que refiro no texto, um que trouxe só a música e outro que tudo tem.
O Andanças tenho de admitir que não conheço, mas fui agora investigar melhor. Pelo que vi está precisamente colocado no pólo bom do texto. Valeu a pena a referência, obrigado :D
dois dos piores inimigos do jornalista são a má investigação e as generalizações... cuidado, amigo! :)
A investigação possibilitou a generalização, que não exclui a existência de bons festivais, na minha opinião claro, como o Andanças. ;)
Lembro a grafia da palavra "privilegiado". É um privilégio ter alunos que sabem pensar e argumentar. Força, Francisco!
O Andanças é o "festival" (aspas porque não o considero um festival) melhor concebido em Portugal. É uma chapada de luva branca na cara de todos os outros. Nunca tinha visto tamanha preocupação com o ambiente, e enorme à vontade que todos têm. Faz-nos sentir num paraíso.
Tal como tu, também idolatro Paredes de Coura - uma vez Paredes, sempre Paredes - é o lema. Mas deixa-me extremamente envergonhado o estado em que fica o recinto no final do dia e o estado em que fica o campismo no final do festival.
Continua com o bom trabalho. Abraço.
O lema é mesmo esse, mas como tu referes, é lastimável a forma como ficam tanto o recinto como o campismo. É só ver as fotos do palco principal depois dos concertos -.-'
Obrigado
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