
Em Portugal a vertente católica do Cristianismo é a religião que colecciona mais seguidores, substancialmente mais do que qualquer outra. Claro que o panorama actual é possível devido a toda uma educação baseada nos princípios cristãos que, apesar de ter vindo a diminuir desde o início do séc. XIX, não tem perdido os seus efeitos.
Era nas pequenas aldeias que ainda hoje persistem que esta educação tinha as suas bases mais severas. Quando uma criança nascia a religião cristã detinha automaticamente parte da sua vida, desde o baptizado até ao frequentar assíduo da missa. De forma resumida a criança não tinha escolha; e era então obrigada a prestar um culto que, na maioria das vezes, não lhe fazia sentido nenhum. E se por vezes berrava - Mas eu não gosto daquele santo! - enquanto soluçava por cima do choro, era à palmatória que se resolvia a questão. Alguns meses depois já gostava de todos os santos e até de Jesus, o qual talvez respeitava para não se arriscar a mais alguns tabefes. Este erro estrutural veio resultar num fanatismo céptico de uns e numa devoção injustificada de outros.
Fanatismo céptico
Ainda há poucos meses em directo para a televisão, uma mulher à saída da igreja, quando questionada sobre a questão dos padres pedófilos, teve uma saída brilhante. "Mas também há muitos abortos" disse esta em tom de vitória. O mesmo acontece quando momentaneamente esquecemos a Casa Pia ou o Freeport por causa de uma vitória no futebol ou a visita do Papa. A questão é: "Onde, naquela senhora, está Cristo?". Ou se tratou de uma resposta infeliz e muito pouco meditada (espero eu), ou então eu não vejo Cristo naquela mulher. Não se pode desculpar um erro com outro erro ou, neste caso, confirmar um como o pior, muito menos quando não têm nada de semelhante. [não é da minha vontade conotar o aborto como algo errado ou mesmo correcto nesta afirmação]
Ainda há poucos meses em directo para a televisão, uma mulher à saída da igreja, quando questionada sobre a questão dos padres pedófilos, teve uma saída brilhante. "Mas também há muitos abortos" disse esta em tom de vitória. O mesmo acontece quando momentaneamente esquecemos a Casa Pia ou o Freeport por causa de uma vitória no futebol ou a visita do Papa. A questão é: "Onde, naquela senhora, está Cristo?". Ou se tratou de uma resposta infeliz e muito pouco meditada (espero eu), ou então eu não vejo Cristo naquela mulher. Não se pode desculpar um erro com outro erro ou, neste caso, confirmar um como o pior, muito menos quando não têm nada de semelhante. [não é da minha vontade conotar o aborto como algo errado ou mesmo correcto nesta afirmação]
Devoção injustificada
Naquelas aldeias distantes e recônditas era a mulher a mais afectada pelo Cristianismo, este que por vezes acabava por desempenhar um papel central na sua vida. Acabavam por ceder à devoção devido a toda aquela história do Diabo, de que se não adorassem Cristo acabariam no Inferno e não no Céu. No presente essas senhoras são agora as beatas que dizem tudo o que o Padre diz, em jeito de repetição mecânica sem sentimento. Não faltam a uma missa porque senão provavelmente serão condenadas, julgando que na ida à igreja reside a eterna salvação.
Naquelas aldeias distantes e recônditas era a mulher a mais afectada pelo Cristianismo, este que por vezes acabava por desempenhar um papel central na sua vida. Acabavam por ceder à devoção devido a toda aquela história do Diabo, de que se não adorassem Cristo acabariam no Inferno e não no Céu. No presente essas senhoras são agora as beatas que dizem tudo o que o Padre diz, em jeito de repetição mecânica sem sentimento. Não faltam a uma missa porque senão provavelmente serão condenadas, julgando que na ida à igreja reside a eterna salvação.
Ser cristão não é ir à missa todos os dias, não é rezar o terço e não é muitos menos saber todas as falas do padre de cor; é no dia a dia pensar em Cristo, imaginá-lo em nós, e agir como um cristão, espalhando a nossa fé. Não é necessário ser obrigado a acreditar para de facto o fazer, e todos deveriam ter o direito de encontrar o seu próprio caminho, sem catequeses ou ademais obrigações. Cada um de nós, a partir de uma certa idade já tem responsabilidade suficiente para meditar no assunto e verificar no que acredita ou deixa de acreditar. Só assim a Igreja encontraria os seus fiéis seguidores, não gananciosos e verdadeiros.
Uma utopia.

6 comentários:
No fundo o papel da Igreja é educar as pessoas segundo determinados princípios morais que promovem o respeito pelo Próximo. A questão que se levanta é se os métodos estão correctos e se o acesso à formação não se incompatibiliza com esses métodos.
Eu concordo plenamente com os ideais que a Igreja transmite, porque estes sempre foram importantes para a educação das sociedades desde tempos medievais. Desde então e até agora a Igreja teve um papel fundamental neste aspecto, e se temos um Mundo assim tão desenvolvido em parte o devemos à Igreja cristã.
É normal que a partir do momento em que isto acontece, a religião faça parte de toda a educação, e quem é educado mantenha contacto com esta.
Não sei é se por vezes essa adesão era demasiado forçada, pelo menos até há algumas décadas; porque penso que hoje em dia a religião nos países desenvolvidos tem vindo a perder importância rapidamente.
Por um lado pode ser mau, mas por outro é importante que as pessoas tenham uma certa liberdade religiosa.
Parece-me que em Portugal não se questiona a liberdade religiosa. Parece-me também que os ideais defendidos e pregados pela igreja católica não podem ser questionados quanto à sua necessidade e pertinência para a construção de uma sociedade justa e solidária.
Parece-me que apesar de a igreja católica se ter vindo a actualizar ao longo do tempo, não o faz suficientmente rápido. Não tem conseguido acompanhar a democratização do ensino e consequente evolução do pensamento e dos costumes.
Sim, não podem ser questionados, porque foram esses ideais que construíram a nossa sociedade e zelaram pelo bem-estar de muitas outras sociedades ocidentais, muitas das vezes em assuntos que nada tinham a ver com a educação e que não estavam plantados na base daquelas.
Não sei se o problema será essa falta de actualização ou então a não percepção da importância que perdeu, pelo menos no nosso país. Mas claro que estamos a falar da mais antiga instituição do Mundo, e talvez a mais poderosa também. É um assunto interessante, que certamente merece um aprofundamento.
Respeito a tua visão. No entanto não posso deixar de expressar a minha. Sou contra qualquer tipo de obscurantismo religioso, acredito em Deus e tenho Fé na Sua Igreja. Todos os rituais e "hábitos" que aqui são por ti postos em causa de certo modo, para aquilo que se chama a natureza salvífica da fé são a meu ver parte integrante de uma tradição que ao longo dos séculos orientou os povos ocidentais. A Fé por si só não vale muito (e é isto que nos distingue dos protestantes), uma Fé deambulante e não associada a rituais, a práticas do dia-a-dia e regras é uma Fé tendencialmente errónea, desamparada e herética (sujeita a erros).
A Fé e a Religião complementam-se.
E quanto ao primeiro aspecto para tanto a pedofilia como a interrupção voluntária da gravidez (ou seja sem justificação médica) são graves atentados à vida humana...
Não era meu objectivo passar a ideia de que renego totalmente as tradições que estão na base da religião cristã, apenas referir o modo como actualmente são empregues. Deste eu discordo apenas e só pela insignificância a que são reduzidos os costumes.
Quanto ao último ponto abordado no seu comentário, é como afirmo no texto, não se pode desculpar um erro com outro erro, ou até "mandar" as culpas para o colega do lado. Há que abordar os assuntos com seriedade e responsabilidade.
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