O new deal português


Nos últimos tempos temos ganho alguma aptidão para suportar o Governo e as suas constantes repetições. Aeroporto da Ota para aqui, TGV para acolá, e no fundo no fundo, ninguém sabe onde está... A gestão das grandes obras públicas portuguesas assemelha-se a uma brincadeira de crianças, onde se tira com a mesma facilidade com que se põe.
Aeroporto nas nuvens
Já lá vão décadas desde a primeira proposta para a construção de um novo aeroporto na Ota, em Alenquer; este iria servir Lisboa, que entretanto já se expandiu e engoliu o aeroporto da Portela. Depois de muita discussão, muita tinta corrida sobre o assunto, e alguns «saudáveis» desvios de dinheiro, chegou-se à conclusão de que seria mais viável construí-lo em Alcochete, na zona do Campo de Tiro da Força Aérea Portuguesa. É claro que, depois de tanta controvérsia, nunca ficou esclarecido se existia ou não um consenso quanto ao Novo Aeroporto de Lisboa. Normalmente quem discute a construção de algo é porque, de facto, possui meios financeiros que suportem o projecto. Note-se que eu escrevi "normalmente", porque se a maioria for de anormais o caso não é bem assim.
TGV? Para quê?
O TGV é outro dos assuntos que se têm discutido ultimamente. "É bom para o progresso tecnológico e para a ligação com a Europa." - dizem uns, certos de que o comboio de alta velocidade irá trazer regalias para Portugal. Contudo, no nosso país a tradição dos comboios tem vindo a desaparecer cada vez mais, muito por culpa da forma como se educou os cidadãos. Desta feita, e enterrados como estamos na crise, para quê investir milhares de milhões de euros em algo que não deverá atingir a utilização desejada? Será que alguém vai mesmo utilizar o TGV para viajar entre Lisboa, Madrid e Porto? É muito difícil acreditar que este projecto vá atingir o desejado retorno do investimento.
Como é possível que, atravessando estes tempos de crise em que o poder de compra dos portugueses diminui, o Governo use grande parte do seu prime time para discutir a construção de grandes obras públicas... De que nos vale um Ferrari se nem carta de condução temos?

2 comentários:

Sara disse...

É muita história para a cabeça. Andamos muito atentos sr francisco!

G. disse...

Excelente artigo. Tenho dito.

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