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A transformação do Facebook


Pode parecer complicado, mas o facto de o artigo ser pequeno ajuda e não custa nada tentar. É só ler do início ao fim sem responder a uma mensagem/postar uma foto/comentar um estado/partilhar um vídeo/fazer um like num comentário/atualizar a timeline. Podíamos continuar, mas certamente que a sua tarefa sairia gorada sem a oferta da mínima resistência da sua parte.

Facebook pressupõe isto mesmo, a utilização massiva de todos os seus recursos enquanto a rede de utilizadores vai adensando e cada vez mais pessoas estão interligadas através daquilo a que se dá o nome de 'amizade'. O milhar de milhão de utilizadores já foi ultrapassado, os limites, esses, ainda não se encontram à vista.

Milestone
Em 2004 o Facebook contabilizava um milhão de utilizadores, hoje em dia, no espaço de um mês, um milhar de milhão de contas únicas são utilizadas, enquanto o número total já cresce além dessa marca. Num mundo habitado por sete mil milhões de indivíduos, à primeira vista seria fácil prever a quebra de crescimento desta rede social; algum dia terá de acontecer, certo? Do ponto de vista demográfico - se assim o podemos chamar - a incógnita permanece, e só poderá ser resolvida por estatísticos, mas em termos económicos o Facebook ainda não explorou todas as suas potencialidades, que o demonstre a mais recente característica em test-drive.

Want, o espírito da despesa
Want: um novo botão do Facebook. Nada mais do que dar hipótese ao utilizador de criar as suas wishlists, minando este botão em tudo o que seja relacionado com um produto. A singularidade em torno deste aspecto reside - tal como em tudo o que é relativo ao Facebook - na partilha; com 140 mil milhões de 'amizades' nesta rede social, praticamente todos poderão ver o que A quer comprar ou o que B já comprou. Apesar de parecer que isso já acontece, desta vez estamos perante um visão muito mais mercantilista de todas estas ligações de 'amizade', possivelmente o ponto de viragem para o mercado electrónico ainda em crescendo.

A fase de testes deste novo botão resultou ainda num novo feature, o 'Collections', que conta com a parceria de sete marcas, entre as quais a Victoria's Secret. Segundo um comunicado da própria Facebook Inc., noticiado pelo Huffington Post, as «pessoas terão a possibilidade de interagir com estas coleções e partilhar as coisas em que estão interessadas com os seus amigos». Esta característica, que estará progressivamente à disposição da totalidade dos utilizadores norte-americanos, permite ainda, segundo o mesmo comunicado, «clicar e comprar os artigos fora do Facebook».

Por agora o objetivo é redirecionar compradores, o que do ponto de vista concetual é bastante promissor, mas quando se tem uma plataforma com tamanho número de utilizadores e ligações entre si, a singela hipótese veste-se de uma certeza arrebatadora, e este 'Quero' tem tudo para virar o Facebook do avesso. Esperando que tenha logrado a conclusão da sua tarefa, o melhor será mesmo ir doseando o "vício", porque depois de lhe consumir o seu tempo, não falta muito para que o Facebook comece a consumir o seu dinheiro.

Pode consultar a estatística oficial do Facebook aqui
Artigo originalmente publicado no Clique

Patriotismo: Not on the Internet



Nem sempre se travam guerras empunhando espadas, armas ou o mais afiado dos argumentos; na era do desenvolvimento tecnológico o plano bélico trespassou fronteiras e alojou-se na teia global da Internet. Contudo, segundo um estudo norte-americano, desengane-se quem julga que esse belicismo se alimentava de um orgulho nacionalista e patriótico.
Hacker ou vírus são conceitos já muito bem difusos na sociedade contemporânea, tanto que uma boa parte dos cibernautas tem bastante atenção contra estas ameaças. Mas se a nível pessoal estes perigos podem provocar grandes incómodos – ao colocar em causa a integridade de informações pessoais, de terceiros ou de trabalho -, a nível nacional o cenário muda e a calamidade aumenta exponencialmente.
No que toca a estes ataques, em jogo estão informações confidenciais respeitantes a nações inteiras, que podem colocar em risco a vida de milhões de pessoas (veja-se o caso da Wikileaks, que expôs ao mundo milhares de informações secretas).
No entanto, quando falamos em ciberataques o patriotismo não é condição necessária. Segundo um estudo levado a cabo pela Universidade Estatal do Michigan, o perfil de um ciberguerreiro civil – aquele que ataca governos ou organizações governamentais sem ajuda de agências ou terceiros – não inclui o patriotismo como característica eminente. Thomas Holt, professor de Justiça Criminal, afirmou que «quando agentes tentam identificar os ciberguerreiros civis dos dias de hoje,  não têm necessariamente de procurar pela pessoa mais radical a nível político», citado pelo UPI.com.
Para além de chegar a esta conclusão, o estudo confirmou que este género de ciberguerreiros normalmente descarrega conteúdos da Internet de forma ilegal, tem tendência a envolver-se em protestos físicos e não têm qualquer motivação em relação ao seu próprio governo. Holt afirmou ainda que existe uma probabilidade de estes ataques estarem ligados a «uma crença altruísta de que todos os grupos merecem o mesmo tratamento».
Ainda assim, os ataques baseados em sentimentos patrióticos não devem ser de todo colocados de parte. Ainda no passado mês de setembro, o clima não se sentia calmo entre a Arménia e o Azerbeijão, tudo devido a uma série de ciberataques provocados por cidadãos de ambas as nações. Numa primeira fase, foram arménios a atacar uma série de sites azeris de grande importância, entre os quais o do Supremo Tribunal de Justiça; depois veio a esperada retaliação, onde os principais alvos foram meios de comunicação da Arménia. Este tipo de ataques não é novidade entre estes países vizinhos, onde os ciber-confrontos já duram há mais de dois anos.
Excepção que comprova a regra? Dificilmente. Custa acreditar numa total alienação do patriotismo, seja a que nível for. Muitas das vezes são questões sociais, políticas ou culturais que estão na origem das dissensões entre países e/ou seus cidadãos. Noutras situações, são as raízes históricas. E quando se esgotarem todas as explicações e mais nenhuma razão prevalecer, talvez seja o orgulho nacional a falar mais alto.
Artigo originalmente publicado no Clique

O neo anti-natalismo Chinês


Hoje em dia poucos são os que passam ao lado da China e da sua infame jornada de anti-natalidade, a conhecida «política do filho único». Cerca de 33 anos mais tarde, e apesar de a medida ainda se encontrar válida e activa, já se registaram algumas mudanças. Numa altura em que a bola está do seu lado, a China percebe que tem de mudar de estratégia.
Leia no Clique o artigo completo

E tudo o euro levou


Fruto da crise e suas violentas consequências, a discussão sobre a exclusão da Grécia da zona euro tem ocupado bastante a praça pública. Há quem defenda que a Grécia deva abandonar a moeda única, tudo para evitar o atraso crónico que se está a abater sobre uma «pobre» União Europeia. No reverso da moeda está o apoio à manutenção dos helénicos no euro, de forma a honrar o acordo europeu e evitar que a Grécia vá parar mais fundo no abismo.
Dracma, who's that?
Corre pela boca de muitos inconsequentes a exaltação de que a Grécia tem de sair do euro, e até Paul Krugman, Nobel da Economia em 2008, referiu que os helénicos vão «entrar em default e provavelmente sair do euro». Ora, de certo que há uma série de consequências a ter em conta quando tratamos de quadros tão mutáveis como a moeda e a economia. O abandonar da moeda única por parte dos gregos significaria o regresso à sua anterior moeda - o dracma - que chegaria desvalorizada, impotente face ao euro, dólar e libra esterlina. Muito provavelmente, este fosso iria aumentar progressivamente, tal qual como tem acontecido com outras moedas europeias - veja-se o Forinto húngaro.
De facto, o regresso ao dracma levaria a diversos resultados, tanto a nível local como comunitário. A desvalorização da moeda tornaria os produtos gregos mais apelativos a consumidores estrangeiros, o que levaria ao aumento das exportações. O consumo nacional também seria obrigado a aumentar, visto que os preços das importações subiriam em escalada. Por outro lado, as dívidas contraídas em euros tornar-se-iam cada vez mais elevadas, face ao menor valor da moeda, o que teria consequências devastadoras a nível público e privado. Face à crise mundial, nada propícia ao «renascer» de uma nação, e ao fraco poder da moeda, a Grécia poderia ser obrigada a declarar falência.
Honrar o acordo
Num artigo para o La Repubblica, Barbara Spinelli compara este ostracismo a um guarda-fogos. Um guarda-fogos que tanto nos querem impingir, para que acreditemos que com a Grécia fora do euro a tempestade irá cessar e o céu ficará mais claro. Como mais tarde é referido pela jornalista, ninguém acredita que esta solução seja levada a cabo, e muito menos que se torne eficaz e evite o contágio. As recentes decisões administrativas e financeiras, incluindo as tranches de ajuda, fazem acreditar que esta opção nem sequer está em cima da mesa.
Contudo, tenhamos em conta o aspecto mais vital da organização que se auto-intitula de União. Em 1981, a Grécia consumava a sua entrada na CEE, desde então já lá vão 31 anos de comunidade, esta mesma que agora a quer ver pelas costas. Empurrar a Grécia para fora da «União» Europeia seria contrariar todos os princípios que levaram à fundação desta Comunidade, para além de desresponsabilizar todas as outras nações europeias. O dever da UE, ou pelo menos aquele em que é suposto acreditarmos, é a fundação de uma comunidade próspera e o acautelar de crises, sejam elas económicas ou sociais. Uma expulsão apenas daria mais argumentos ao eurocepticismo, descredibilizando a União Europeia e os seus «princípios».
Fora destas temáticas técnicas, temos ainda que tomar em consideração aquilo que Mário Soares aponta no seu último artigo para a Visão. Na verdade, a Grécia é o berço do Ocidente, onde o conhecimento germinou pela primeira vez, antes de se espalhar pelos quatro cantos da Europa e do Mundo. Será o discípulo capaz de expulsar o seu mestre? Pessoalmente, espero que não, mas é bastante complicado prever o futuro de uma Europa tão abalada.
Leia aqui o artigo de Barbara Spinelli
Leia aqui o artigo de Mário Soares

Uma greve hebraica sem fim à vista

Em Israel, a greve já corre pelo quarto dia consecutivo. Paralisações foram registadas nos sectores dos Transportes, Educação, Saúde e ainda nos bancos e na bolsa de valores. Até agora saíram malogrados os esforços da Histadrut – a principal central sindical do país – em tentar obter as suas exigências, principalmente focadas nos direitos dos trabalhadores temporários. O acordo já esteve mais perto de estar consumado, mas enquanto este não existir, está garantido que a greve continuará.
Leia no Clique o artigo completo

Meu caro Aníbal


Por esta altura chovem gritos sobre o Palácio de Belém; o povo português chora as condições em que o mártir vive. Não se equipara ao desespero dos norte-coreanos aquando da morte do Querido Líder, até porque aqui nas terras d'el Rei não estamos a falar de morte, ainda que a inanição seja um perigo a ter em conta. Cavaco Silva, cuja humildade e bondade me obrigam a prostrar e chamá-lo de Pai, sofre por todos nós. Corre o rumor que já é principal candidato ao Prémio Nobel da Paz.
A epopeia
Para analisar correctamente a situação de tão majestosa figura paternal, remontemos a Janeiro de 2011. Face a um dilema socrático, o Pai prescindiu do salário de Presidente da República - de cerca de 6.523€ mensais -, optando por receber pensões que totalizam cerca de 140 mil euros por ano - mais de 10.000€/mês. Com esta escolha, o Pai fugiu ao corte dos 10% de salário, e no final das contas consegue arrecadar cerca de 2.000€ a mais do que se tivesse optado pelo salário de Presidente. Assim começava a caminhada do peregrino para a glória a que hoje assistimos.
Um ano volvido sabe-se a trágica notícia, o Pai não aguenta a pressão e confidencia: «Ainda não sei quanto irei receber. Tudo somado, quase de certeza que não vai chegar para pagar as minhas despesas (...)». O país foi apanhado de surpresa, até porque o Pai nada fez para evidenciar as suas dificuldades económicas, protegendo o povo - na qualidade de filho - pelo qual transporta o cruel cilício. Atroz, mas verídico, Portugal tem a sorte de ter um Pai que prefere o jejum para assim deixar o filho rapar o prato.
Teatrinhos à parte
Tal é o descaramento que me é bastante complicado comentar o ocorrido sem recorrer ao uso da ironia. Cavaco Silva - porque um Pai que nos abandona ninguém quer - e a sua esposa estão a amealhar por volta de 10.000€ ao mês, o que poderá não ser suficiente, diz este. Cavaco diz ser poupado e autointitula-se de «provedor do povo»; apesar disso, parece que este vencimento mensal não será suficiente para satisfazer as necessidades básicas de um casal, pelo que a fome deverá atacar Belém ainda este ano.
Em 2009, existiam em Portugal mais de 1,9 milhões de famílias a viver com um rendimento inferior a 10.000€ anuais, mas Cavaco não se aguenta com 10.000€ por mês. O ganho médio mensal de um trabalhador por conta de outrem é de 1.034€, mas Cavaco não se aguenta com 10.000€ por mês. Em 2010, a remuneração do trabalho per capita foi fixada nos 8.283€/ano, mas Cavaco não se aguenta com 10.000€ por mês. A pensar que Cavaco é que era o economista...
Desde há uns tempos que me apercebi do quão mal está representado o nosso país, mas nunca senti verdadeira vergonha por ter Cavaco Silva a Presidente da República, o que agora sinto. Até hoje, Aníbal Cavaco Silva apenas se tinha sentado na sua poltrona, inaugurado meia dúzia de Casas de Apoio ao Apoiado e quando em público falou, sim porque o homem falou, foi para desestabilizar o trabalho do Governo - muito por culpa de nunca ter conseguido separar o Aníbal do Presidente da República. Agora, tudo mudou, o nosso próprio Presidente fez do português um bobo e provou que somos todos joguetes nas mãos de irresponsáveis.

Economia Estatal


Já veio a público a nomeação de Eduardo Catroga para chairman da EDP, empresa privatizada após negociações em que este mesmo participou. Irá auferir 45.000 euros mensais, acumulando uma pensão de 9.600 euros. Se isto não é pouco ético, não sei o que será. Primeiro o explícito boy, depois o facto de ser uma parte ganhante quando fez parte da comissão de negociações, e ainda a pensão milionária (o salário fica de fora da discussão, a introdução tem os seus limites técnicos).
A Economia portuguesa
O exemplo de Catroga assenta que nem uma luva quando queremos iniciar um pensamento sobre os dinheiros públicos. Nos tempos que correm, a pensão de 9.600 euros é chocante, que não me deixa entender a razão para que nenhum Governo tenha tido a ideia de congelar as pensões quando os salários são elevadíssimos. Pensando melhor, a razão está explícita, muitos deles juntam salário a uma pensão nas contas finais do mês, seria aborrecido. Não obstante a gravidade desta situação, o que verdadeiramente faz desaparecer o dinheiro são outro tipo de questões.
Um dos problemas basilares da economia portuguesa é, na verdade, a economia paralela. Em Portugal esta já atingiu os 33 mil milhões de euros, quase 20% do PIB nacional. Com tanto dinheiro desviado dos cofres do Estado, não admira que a crise seja inevitável. Trata-se de uma problemática estrutural, que sem resolução continuará a desviar fundos ao Estado, este que caminha pobre e mal alimentado. Em Itália já existem leis para controlar a economia paralela, como a obrigatoriedade de um cliente possuir o recibo quando está a menos de 100 metros da respectiva loja - caso contrário essa loja paga uma multa elevada.
Impostos e Fiscalização
O verdadeiro buraco negro da economia portuguesa está, como é claro, nos impostos e sua inexistente fiscalização. Este é, de facto, o cenário idílico para um indivíduo mostrar o seu know how em manobras à portuguesa. O português gosta de esperteza saloia, e, portanto, não lhe dá jeito pagar impostos. Convenhamos, se o vizinho não paga e nada lhe acontece, para que é se há-de pagar? Operação mental digna de um Descartes.
Sabendo-se que a fuga aos impostos é gigantesca, porque não se faz nada para a travar? Infelizmente, a maioria que foge à sua obrigação fiscal tem bastante dinheiro, e muitas vezes influência política. Aqui entram os lobbys, que tanto destroem e corrompem o nosso sistema político-legislativo. Isto sim precisa de mudar, é necessário que alguém tenha vontade e poder suficientes para abolir o sistema, caindo veemente sobre aqueles que evitam o progresso do nosso país.
Só vejo isto possível na figura de um Presidente da República, não o que temos agora, mas sim uma figura activa e presente na política portuguesa, algo mais do que um inconstante comentador inconveniente que nada acrescenta às decisões. Um Primeiro-Ministro estará sempre ligado aos interesses do seu partido e do Governo, mas um Presidente apartidário e responsável poderá bem ter a desejada influência para dar um volta à situação. A sua figura terá sempre proeminência no que toca ao comentário político, e as suas funções não são assim tão reduzidas como a maioria acredita.
A economia portuguesa segue no trilho de um futuro ainda mais negro do que o presente. Não se investe na produção, os cortes são sistemáticos e os lucros são diminutos. Sem apostas claras e confiantes em consertar os erros, dificilmente escaparemos ao redemoinho da crise.

Nota: No meu último artigo falei do movimento de ocupação de casas abandonadas. Na Irlanda já há quem o faça. Leia aqui o artigo do The Guardian.

O Estado e a Habitação


À passagem do novo ano, a coligação entre PSD e CDS aprovou a Nova Lei do Arrendamento, o que já tem suscitado bastantes contestações da esquerda. Esta prevê uma revisão/actualização dos contratos arrendatários, devido a uma suposta discrepância para com os seus correctos valores. No que toca ao arrendamento, que outras soluções encontrar para Portugal e as necessidades das populações?
A Nova Lei
Os contratos de arrendamento em Portugal são renovados automaticamente, pelo que os preços praticados já estão desvalorizados tendo em conta os actuais valores de mercado - 48,5% das rendas em Portugal estão abaixo dos 60€. Foi sobre este mote que o Governo aprovou em Conselho de Ministros, ainda que parcialmente, a Nova Lei do Arrendamento. Está ainda prevista a criação de contratos mais curtos, tal como uma taxa liberatória de 25% sobre as rendas recebidas.
No entanto, a medida mais controversa poderá ser a relativa ao despejo. Segundo a nova lei, após aviso do proprietário, o inquilino terá 3 meses para pagar o dinheiro em falta ou será despejado. A esquerda não tardou a reagir à nova legislação, em especial a esta última prerrogativa. A bancada socialista já prometeu que irá propôr profundas alterações à proposta de lei do Governo, afirmando que não abdicarão «da defesa dos mais carenciados da sociedade». Já o Bloco, através da deputada Catarina Martins, apelidou a proposta do Governo de «Lei do Despejo simplex». Tendo em conta os interesses dos cidadãos mais carenciados a esquerda está «unida» frente à decisão do Governo.
Ocupação e Enfiteuse
Portugal sofre de uma proliferação de casas abandonadas, terrenos perdidos e habitações inacabadas. Sem-abrigos não têm tecto sob o qual viver e dormir, enquanto outros sobrevivem em condições miseráveis; isto quando no preciso centro da metrópole se multiplicam as casas vagas, sombrias e em mau estado. Em países como Inglaterra e Holanda, onde já existe legislação sobre a ocupação, o ocupador tem possibilidade de manter a casa e viver nela legalmente, caso, num determinado período de tempo, ninguém apareça a reclamar a sua posse.
Um regime de enfiteuse prevê um arrendamento por um período de tempo bastante alargado, por vezes até de gerações. No final do contrato, a renovação é proposta ao inquilino, cuja decisão em continuar ou não o aluguer é soberana. Combinando uma legislação eficaz da ocupação com um regime de enfiteuse, Portugal poderia dar um passo importante para a justiça social na habitação. Nos casos da ocupação, a propriedade das habitações passava para o Estado, que aí alugaria a baixo custo a habitação ao seu ocupante original. Assim, ao iniciar a ocupação de casas antigas, já degradas e vagas, estaríamos a fomentar a reconversão dos centros urbanos, a requalificação das habitações, tal como a aumentar a qualidade de vida das populações.
A longo prazo, o Estado tem a possibilidade de dar início a um programa com horizontes bastante extensos, com o qual poderá ganhar muito. Concluindo, este processo, além de moroso, traz ademais encargos judiciais e fiscais, mas os ganhos financeiros e sociais do Estado são demasiado elevados para ignorar tamanha hipótese.

Esta Bélgica...


Em tempos de crescente crise económica, o Mundo tende a esquecer-se que esta não é a única crise instaurada. Por todo o globo atravessamos uma grave e exponencial anomia de valores, que ameaça eliminar a paz e instalar a desordem. O Ocidente, perante uma modernidade tão periclitante, vê-se a braços com atentados ao seu funcionamento, provocados tanto por forças internas como externas. Infelizmente, a Bélgica tem sido exemplo disto nos últimos tempos.
Novo Governo, mesma falta de união
Ao fim de mais de 500 dias, a Bélgica «conseguiu» formar Governo. Contudo, se há coisa que a Bélgica não está para conseguir num futuro próximo, é certamente resolver o choque cultural que assola o país. A divisão e disputa entre flamengos e valões não é assunto novo - veja-se que foi o partido separatista a obter mais votos nas eleições -, mas ultimamente tem-se tornado num fenómeno bem mais sério.
Esta semana, a comunidade flamenga de Grimbergen instalou uma linha telefónica para denúncias de um certo tipo de «crime»: a utilização de uma língua que não a holandesa. Ora, o verdadeiro crime é mesmo a aplicação desta medida racista e ultranacionalista, que tem como único objectivo tornar o holandês obrigatório. Marleen Mertens, Presidente da Câmara de Grimbergen, adjectivou esta medida como «completamente normal», comentando que quando vai à Valónia fala francês. Compreende-se o desejo de independência dos povos, sejam eles flamengos, bascos ou galegos, mas enquanto forem permitidos os ataques à pluralidade cultural e sua legitimidade, vamos ter bastante mais com que nos preocupar.
Atentado em Liege
Como se ainda não fosse suficiente, no mesmo dia em que é noticiada esta «obrigatoriedade» em falar o holandês, ocorre um atentado na cidade de Liege, a terceira maior da Bélgica. Nordine Amrani, cidadão belga, espoletou três granadas e abriu fogo contra uma paragem de autocarro em plena praça Saint-Lambert, a principal da cidade. Cinco pessoas morreram e mais de 120 ficaram feridas, outras 40 foram internadas devido a traumas psicológicos. Suécia (2010), Noruega (2011), Itália (2011), o assustador é que a lista vai continuar; o «sucesso» e visibilidade de um primeiro ataque faz desencadear uma reacção em cadeia de uma série de outros: estamos à porta de um ciclo vicioso.
A Bélgica assemelha-se a uma mini-Europa, são dois a mandar e ninguém se entende. Uns têm algum «poder» e querem mais, outros só querem sair e preservar a sua própria independência. Se o problema fosse apenas o dinheiro...

O novo Governo


A 5 de Junho os portugueses "decidiram": PSD e CDS entrariam em coligação para tentar tirar o país da situação miserável em que muitos o colocaram. Pouco depois o Presidente da República - sim, porque afinal de contas ele sempre tem poder para fazer alguma coisa - escolheu Pedro Passos Coelho, representante do partido mais votado, como Primeiro-Ministro da República Portuguesa.
Vitórias e Derrotas
Deixando de parte uma análise exaustiva aos resultados eleitorais, julgamos que apenas a abstenção merece o devido destaque (como já é regra), atingindo os 41.93% de eleitores. A insatisfação era muita, mas não serve, de modo algum, para justificar uma não comparência às urnas. O português desenvolveu um desrespeito notável pelo direito de voto, não percebendo a importância que este tem para o rumo da nação.
Já estava previsto que o PS ia sofrer um duro golpe nestas legislativas, muito por culpa do seu representante máximo, José Sócrates. O ex-Primeiro Ministro, para além de ter provocado toda esta situação, já vinha a agregar "crimes" ao seu cadastro desde há muito tempo. Assim, como o português muito gosta de votar no candidato e não no partido, já era óbvio que muitos iriam mudar o seu voto e afundar o PS a uma vitória social-democrata. Depois de uma humilhante derrota, que retirou 23 mandatos ao PS, José Sócrates demitiu-se de seu cargo - que de resto já tem dois concorrentes, Assis e Seguro -, decisão que só um louco não tomaria.
No reverso da medalha estavam PSD e CDS, o primeiro devido a esta vitória estrondosa que enviou Passos Coelho para a chefia do Governo e arrecadou quase 47% dos assentos da Assembleia; o segundo porque já aspirava a protagonismo político há algum tempo, logrando aqui conseguir a coligação que desejava. Estes dois partidos juntaram-se assim para chefiar a nação portuguesa, apresentando quatro ministros do PSD, três do CDS e quatro independentes.
Depressa e bem...
Ao novo Governo pediram-se decisões rápidas, certeiras e poupadas. O primeiro aspecto tratado foi o de reduzir o número de ministérios de 16 para 11, adjudicando mais tarefas a certos ministérios e fundindo outros. Com a troika no nosso encalço, o Governo tem de mostrar não só actividade, mas também rapidez e poupança. Deste modo, as medidas começaram a surgir: o subsídio de Natal vai ser retirado a grande parte dos portugueses; as pensões vão diminuir, ainda que para os mais necessitados cheguem a aumentar; as parcerias Público-Privadas vão estar sob revisão e aquelas que não têm interesse para o Estado vão ser terminadas; algumas empresas vão ser privatizadas. Estas são algumas das medidas que o novo Governo espera implementar com sucesso, para assim combater e vencer a crise com a ajuda do dinheiro da troika.
Quem não parece querer ajudar são as agências de rating, que não só já haviam afectado os bancos portugueses, como agora desceram a avaliação da dívida pública portuguesa para "lixo". Apesar da procura continuar maior que a oferta, esta descida de classificação coloca mais pressão sobre a dívida pública portuguesa, o que poderá obrigar a uma maior taxa de juro. A conjuntura é desfavorável para Portugal, mas a ajuda monetária do FMI veio devolver algum fôlego à nação lusa. Enquanto o novo Governo tenta salvar o país, o português também pode fazer a sua parte, comprando apenas produtos nacionais e evitando importações de estrangeiros.
A economia nacional necessita de um empurrão e o Governo da confiança de todos os portugueses.

Literatura #2 - Animal Farm


Nascido em 1903, na Índia, George Orwell assinou diversas obras de literatura, entre elas "Animal Farm", reconhecida internacionalmente pela sua brilhante crítica e sátira ao regime comunista soviético, em vigência desde o pós-guerra até aos anos 90. O nome de nascença de Orwell é Eric Arthur Blair, mais tarde vindo a adoptar o nome pelo qual é mundialmente conhecido. Na sua obra constam livros como 1984, Burmese Days e Coming Up For Air.
Contre Stalin
Pensada como uma história contra o regime de Estaline, Animal Farm aponta as incongruências e maiores falhas do Comunismo. Começa por apresentar a quinta onde se desenrola a acção, a Manor Farm, propriedade de Mr. Jones, um ébrio agricultor que induz os seus animais a um trabalho pouco remunerado em alimentos. Infelizes e guiados por Old Major, o mais velho e sábio porco da quinta, sonham com a liberdade, o resultado de uma rebelião contra Mr. Jones. Guiados por uma máxima, "Four Legs Good, Two Legs Bad", e até mesmo inspirados por uma canção, Beasts of England - funcionando tal qual como uma música do Coro do Exército Vermelho -, levam a cabo a revolução que elimina a chefia humana da quinta, entregando o controlo aos animais. O objectivo da eliminação humana fora consumado, agora só necessitavam de viver em igualdade, sem cair nos vícios humanos.
Revolução esquecida, liberdade perdida
A sublevação é orquestrada com incrível sucesso; e desde logo os animais começam a organizar a vida na quinta, agora chamada de "Animal Farm". Os porcos Napoleon e Snowball, líderes da rebelião, chefes ficaram, uma vez que se tratavam dos animais mais espertos. Os outros, ignorantes na verdadeira acepção da palavra e, consequentemente, ingénuos, limitavam-se a ouvir e a seguir as ordens que de cima provinham. Astuto, Napoleon expulsa Snowball - com o qual nunca concordava - da quinta, ficando com o caminho livre para o domínio absoluto. Com a ajuda de Squealer, um porco com qualidades demagógicas, manipula as frágeis mentalidades de todos os outros animais, submetendo-os a uma miséria que nem estes reconheciam ou condenavam. Pouco a pouco os porcos iam adoptando alguns dos vícios humanos, deixando-se corroer pelo poder que agora tinham em mãos.
Repleta de pequenos detalhes, a história prossegue para um final brilhantemente pensado - tal como a totalidade da obra. Uma incrível crítica ao modo como o comunismo parece pregar a igualdade e justiça entre todos os homens, enquanto que no topo existe sempre alguém a comandar e escravizar os demais. Abrange, de facto, todas essas revoluções pela liberdade que tão pouco depois parecem esquecer as causas que inicialmente defendiam. Uma história simples, rápida e recomendada.

Chegou a «troika»


Quando eu era pequenino obrigavam-me a comer os espinafres e aquelas coisas verdes todas. O pretexto era quase sempre ser forte ou apenas crescer. Ora, quem quer ser um super-herói não se pode dar ao luxo de ver a sua carreira arrasada por um pequeno esforço falhado. Assim, eu lá comia.
Poupança
Neste último mês o tão temido FMI acabou mesmo por entrar no nosso país, para assim tomar comando das contas nacionais. Fala-se muito em planos de austeridade e num futuro de grandes privações para o povo português, com salários reduzidos e impostos aumentados. A «troika» dos "Cortes & Costuras" não parece vir com misericórdias e quer mesmo ver resultados e acordos para levar a cabo o empréstimo de 80 mil milhões de euros. O poder de compra dos portugueses vai sofrer muito, obrigando a que muitas bolsas fechem os seus cordões.
Vejamos, então, se as minhas noções básicas em Economia não falham: sem dinheiro, as pessoas não compram; se não compram, também não se vende; se não se vende, o comércio estagna e o dinheiro não circula. Desta forma, vamos cair numa depressão ainda maior, mais lojas irão fechar, o desemprego vai aumentar, e a pobreza, consequentemente, irá seguir pelo mesmo caminho. É claro que a questão não é assim tão linear, e se o fosse isso não implicaria a nossa salvação - com a corrupção que por aqui anda já nada me espanta.
Objectivo principal
O mais benéfico para o nosso país seria, sem dúvida alguma, o relançar da economia, não apenas um ridículo e efémero acertar de contas. É claro que não podemos atingir o primeiro sem o segundo, mas as medidas a aplicar são completamente diferentes. Precisamos que os portugueses se sintam confortáveis ao comprar o que quer que seja, o dinheiro precisa de ser investido para que todos ganhem e que a produtividade se torne rentável. Há muitas formas de conseguir isto, começando com investimentos tanto no sector público como no privado e um maior controlo sobre os grandes grupos económicos e a sua falta de disputa no mercado (caso das gasolineiras). No entanto, os economistas parecem bem mais empenhados em fazer perdurar a miséria parcial que se vive em Portugal do que puro e simplesmente erradicá-la de vez.
Lembram-se do exemplo dos legumes? Pois bem, não posso dizer que sou o Mr. Universe, mas cresci de forma saudável. Se o FMI chega cá e ainda nos quer tirar mais «legumes», como estará o país daqui a uns anos? O que será feito de Portugal se estamos a criar uma nação de pobres? O futuro é incerto, mas, para já, prevê-se negro, muito negro.

Os sismos sociais


No presente, o Mundo é habitado por guerras e conflitos, verdadeiras catástrofes humanas provocados única e exclusivamente pelo Homem. Sabemos, devido a completos e fundamentados registos historiográficos, da existência de inúmeros destes sismos sociais, que reformulam a mentalidade humana, alterando a sua abstracta geometria ao longo dos tempos.
Os massacres
Dizem-nos para não nos esquecermos, quando falam do genocídio dos Judeus pela mão de Hitler e dos seus discípulos de cabelo loiro e olho azul; referir Hitler é como retirar uma baga de um saco cheio, seria possível continuar a enumerar uma quantidade infindável de «terroristas», como Estaline, Mao ou Milosevic. O esquecimento leva à réplica destes sismos, e, então, é necessário manter estes acontecimentos bem presentes na nossa memória. Estes são, provavelmente, alguns dos maiores sismos sociais, que alteraram para sempre a mentalidade dos povos/etnias visadas e perseguidas, agora como que eternamente condenadas a carregar esse fardo pesado.
O cristianismo
Ainda assim, julgamos que é possível que o maior sismo de social não seja, de todo, negativo. Haverá, na História da Humanidade, algo que tenha tido mais efeito que o nascimento de Cristo? A origem desta única pessoa, este simples «carpinteiro» da Humanidade, provocou um sismo que se perpetua até aos dias de hoje, provocando cada vez mais «estragos». Desde há pouco mais de dois mil anos que uma enorme e crescente legião de crentes vem seguindo a Palavra do Senhor, lançada por Jesus Cristo. É desconcertante julgar que um único homem logrou tão glorioso resultado, atingindo um número que ultrapassa ligeiramente os dois biliões, ocupando a posição de religião mais seguida do planeta.
Ora, é possível concluir que, independentemente da índole do sismo social, os seus efeitos, tal e qual como avaliados na escala de Mercali, podem ir do mais baixo ao mais elevado, influenciando, a um nível correspondente, a sociedade local, nacional, ou ainda mundial. O Homem, ser social, é feitos destas alterações e, tal como na Natureza, nada se perde, tudo o transforma.

Bode expiatório da ignorância


José Sócrates apresentou, na passada quarta-feira, a sua carta de demissão ao Presidente da República. O ex-Primeiro-Ministro afirmou que não teria condições de governar caso o PEC IV fosse rejeitado, e, como não podia deixar de ser, a oposição fez-lhe a vontade, desafiando a sua palavra ao abrir a porta de saída.
A coligação «interesseira»
Na Assembleia da República o teatro costuma ser prato do dia, e na quarta-feira a peça foi determinante para o futuro do país. Apesar da união de toda a oposição na rejeição ao PEC, esta coligação não foi nada mais do que um movimento de interesses partidários. O orgulho de um português é algo de muito delicado, e o único assunto no qual os partidos se conseguiram entender foi no da rejeição ao PEC, ou melhor dizendo, no despedimento de José Sócrates. Sim, foi isso que esteve em questão, o aproveitar de um argumento viável para despedir de uma vez por todas o líder do PS do seu cargo de Primeiro-Ministro.
A oposição já se sentia injustiçada há muito tempo, não vendo final para este «martírio» político. Desta feita, mal viram a oportunidade de ver José Sócrates pelas costas, não a desperdiçaram. Ao invés de operarem uma coligação pelo bem do país, foram os protagonistas de um verdadeiro jogo da batata quente. José Sócrates vai-se recandidatar e este jogo de crianças está longe de conhecer o seu fim.
Ignorância política
Em ambos os pós-guerra o Comunismo viveu épocas áureas, aglomerando em si milhões de apoiantes. A questão era simples: os bolsos ficaram vazios e o proletariado sentia-se injustiçado pelas classes altas. Quando o pobre vê a possibilidade de derrubar o rico, nem pensa duas vezes. Assim, os portugueses ainda vão demorar algum tempo a perceber que esta queda de Governo não é totalmente benéfica, se é que não é apenas prejudicial. Como o dinheiro falta e o português pouco ou nada percebe de política, chegando ao ponto de nem sequer votar, este deixa-se influenciar por «joguinhos políticos» e julga que a culpa é sempre do mesmo, do Primeiro-Ministro. De facto, parece ser ele o visado em toda e qualquer conversa e discussão entre deputados.
A ironia reside mesmo no facto de o que maioria pensa estar bem longe do que ela faz. Sócrates apresentou a sua recandidatura, e vamos a ver se o português vai conseguir mudar o seu voto, ainda que não seja para não nos voltar a colocar na estaca zero. Já se percebeu que a oposição não quer trabalhar com José Sócrates, e já que decidiram retirar-lhe o seu cargo, façamos-lhe a vontade e votemos noutro candidato. Caso contrário, são «apenas» mais uns milhões desperdiçados, nada que nos faça falta.

A influência da arte


A arte existe desde que conhecemos o Homem. Começou com simples pinturas rupestres, que simbolizavam o quotidiano do homem primitivo, evoluindo, progressivamente, para algo mais elaborado e menos cru.
Literatura
Arístoteles, Sócrates e Platão, espalhavam, acompanhados de suas túnicas e uma legião de muitos outros filósofos, os seus pensamentos e ideologias. Estes ficaram perpetuamente ligados com a Humanidade, registando uma viagem intemporal que se estendeu da Antiguidade até aos dias de hoje. Milhões foram, certamente, as pessoas que já leram um texto de algum destes filósofos, o que revela a magnitude da influência que estes homens tiveram no Mundo: no seu, e no nosso. A aceitação já pouco ou nada interessa, o indivíduo conhece, vê e imagina; e só assim pode gerar os fundamentos que moldam a sua pessoa.
Música
A estreita relação entre a música e a cultura ideológica de um indivíduo não é recente. Basta olhar para os verdadeiros estilos de vida formados em torno do reggae, punk e indie rock – com claro destaque para os dois primeiros. Mas o punk é, provavelmente, o caso mais extremo, quer para o indíviduo integrante, quer para quem se encontra no exterior da sua esfera de influência, e ainda no que toca a correntes adjacentes - culpa da música. Isto porque, apesar de difundido pelos quatro cantos do globo, ainda é incompreensivelmente enleado com os movimentos que condena. Devido à aparência patente ao movimento, muitos continuam a confundir a cultura punk com o neo-nazismo – que é talvez a ideologia mais repudiada pelos punks.
Assim, conseguimos denotar que, se um simples estilo/cultura tem influências, não apenas sobre o indivíduo que o adopta, como também sobre a opinião e julgamento da sociedade, a arte desempenha um poderoso papel no mundo contemporâneo.
Diz-me que livros lês, que filmes vês, que músicas ouves, e dir-te-ei quem és.

Norte de África em Revolução


Ainda nem terminou o mês de Janeiro e já dois países se insurgiram contra os seus governadores: um com "sucesso" - Tunísia - e outro que ainda não teve resultados concretos, o Egipto. Estas duas nações, geograficamente próximas, puseram em prática aquilo que se sente um pouco por todo o continente africano, insatisfação face a regimes opressores.
Tunísia
No dia 14 de Janeiro, depois de quase um mês de protestos, a situação política tunisina torna-se numa autêntica revolução. A população quer a demissão de Ben Ali, presidente há uns ininterruptos 23 anos. Pede-se por liberdade, de expressão, de vida; a Tunísia sonha com uma sociedade moderna. Espalha-se o rumor de que Ben Ali abandonara o país, e o povo começa a cantar «Vitória!». Rapidamente se confirma a notícia, e Mohammed Ghannouchi, primeiro-ministro, toma controlo do cargo de presidente interino.
A confusão instala-se na Tunísia, lojas fecham, as pessoas correm para comprar alimentos, vagas de assaltos assolam as principais cidades, a criminalidade e confrontos aumentam exponencialmente. A população encontra-se descontente, e os jovens reivindicam a Revolução, sonhando com um país aberto e actualizado. Entretanto os militares ocupa pontos estratégicos de Tunes, enquanto vão surgindo novos candidatos ao cargo de Presidente, como o exilado Moncef Marzouki. A situação é ainda de emergência, mas os tunisinos ainda esperam pelo melhor.
Egipto
A 25 de Janeiro dá-se o primeiro dia de protestos, e na cidade do Cairo milhares de pessoas exigem a demissão de Hosni Mubarak. A polícia envolve-se em confrontos com a população, provocando alguns mortos, dezenas de feridos e centenas de detidos. À medida que o tempo passa o governo egípcio vai apelando à calma, esperando que as forças militares consigam travar o avanço da população. Ainda assim, o povo não arreda pé e continua com a insurreição face a Musbarak, homem que comanda o Egipto desde 1981.
Três dias mais tarde é anunciada a demissão do Governo; medida tomada para tentar encontrar uma novo rumo ao país, para promover o desemprego e combater a pobreza. Apesar das ordens de recolher obrigatório, na tarde e noite de 30 de Janeiro milhares de populares ainda se encontravam na praça Tahrir, num ambiente de calma e festa, sem registo de violência. ElBaradei, Nobel da Paz e opositor ao regime, acabou por se ir juntar à manifestação ao início da noite, confirmado o seu apoio para com o povo. Aguarda-se um consenso nos próximos dias, ou então os protestos irão continuar.

O estranho caso de Iwao Hakamada


Nos anos 60, Iwao Hakamada era um pugilista japonês com grandes hipóteses de singrar no boxe deste país oriental. Na categoria de peso-pluma, na qual se havia iniciado aos 16 anos, começou a recolher algumas atenções, rapidamente chegando ao topo dessa modalidade. O povo bem avisou - "Quanto mais alto se sobe, maior é a queda." - e foi isso mesmo que sucedeu. Tão rápido Iwao atingiu o topo, como voltou ao fundo do poço da miséria, para o qual foi atirado por uma lesão no joelho.
Recomeço e perseguição
Aos 26 anos, o ex-pugilista japonês decidiu abrir um bar, negócio que ainda durou menos tempo que a sua carreira desportiva. Pouco depois ganha contacto com o dono de uma fábrica de miso, ingrediente tradicional da culinária japonesa, perto de Shimizu. Aí decidiu (re)recomeçar a sua vida. Um ano mais tarde o seu chefe, a mulher e os três filhos são encontrados sem vida, vítimas de um assassínio à facada. Iwao Hakamada aparece como principal suspeito, e apesar de ter sido interrogado por duas vezes e posteriormente libertado, a polícia parecia decidida na sua culpa.
Vítima de tortura durante algumas semanas, Hakamada sempre alegou a sua inocência, até ao dia em que não aguentou mais a pressão e confirmou ser o assassino daquelas cinco pessoas. É claro que esta declaração havia resultado da dor a que tinha sido sujeito, o que diminuía as hipóteses de ser verdadeira. Em 1968, dois anos volvidos, Iwao é informado de que iria ser executado por enforcamento. Por esta altura, o pijama com uma gota de sangue, única prova que a polícia recolhera contra Iwao, já tinha sido retirado do caso; ainda assim, não tardaram a aparecer novas peças de roupa com sangue, estas que nem sequer eram do tamanho do arguido.
Espera
No Japão, os condenados apenas sabem do seu enforcamento uma hora antes deste mesmo acontecer. O insólito é que Iwao Hakamada aguarda, desde 1968, a ordem da sua execução. Há 42 anos que este japonês está a ser psicologicamente torturado pelo falacioso sistema judicial da sua nação, que em mais de quatro décadas apenas parece ter mudado o tipo de letra do seu logótipo. Actualmente é o homem que mais tempo passou preso no Japão, tempo esse que continua a contar.

Abstenção é ignorância


As eleições presidenciais portuguesas de 2011 serão realizadas a 23 de Janeiro de 2011, colocando frente a frente seis candidatos. Claramente que o destaque tem de ser entregue a Cavaco Silva, actual Presidente da República, que é seguido por Manuel Alegre e Fernando Nobre, respectivamente e segundo as últimas sondagens.
Clima
O clima de instabilidade política que se faz sentir em Portugal é responsável por acções possivelmente determinantes nestas eleições. Se, por um lado dão azo a uma forte rajada de críticas ao actual PR por parte da oposição, por outro acabam por provocar um certo medo de mudança nos eleitores. O povo português sempre teve receio de mudar o que quer que fosse, e fosse qual fosse o estado do país. A máxima do «quem está mal muda-se» é completamente ignorada, em detrimento de um «mal por mal ficamos na mesma» fatal.
Previsões
Cavaco Silva segue na frente, e, segundo as sondagens, conseguirá mesmo obter a maioria absoluta na 1ª volta. Manuel Alegre deverá obter o segundo lugar, com uma percentagem de votos entre os 22% e os 26%. Assim, tudo indica que Manuel Alegre vai ser novamente batido por Cavaco Silva, este que atingirá o seu segundo mandato. Fernando Nobre, presidente da AMI, e Francisco Lopes, apoiado pelo PCP, são os candidatos que se seguem nas sondagens. Por último, e já com uma percentagem de votos irrisória, aparecem Defensor Moura e José Manuel Coelho.
Abstenção
O português nunca gostou de se levantar do sofá para ir buscar uma cerveja, quanto mais para ir às urnas votar num «líder» para o seu país. Relembre-se que nas últimas presidenciais, em 2006, registou-se uma abstenção de 38,47%.O estado da nação também ajuda a que o eleitor não se sinta motivado, mas o acto do voto é, antes de um direito, uma obrigação. Durante décadas a liberdade de expressão era inexistente no nosso país, continuando a sê-lo em muitos lugares da Terra, pelo que é preciso dar-lhe o apoio e força merecidos. A abstenção é ignorância, vá votar!

Cinema #14 - The Shawshank Redemption


Nomeado para 7 Oscars, "Os Condenados de Shawshank" conta a arrepiante história de Andy Dufresne - Tim Robbins - quando este é condenado a duas penas de prisão perpétua por um crime que não chegou a cometer. Foi também nomeado para dois Globos de Ouro e é actualmente considerado o melhor filme do mundo pela IMDB.
Julgamento e integração
Em 1947 Andy Dufresne era um banqueiro de sucesso, até ao dia em que foi injustamente julgado por um assassinar a sua mulher e seu amante. Esse julgamento enviou-o para a cadeia de Shawshank para cumprir duas sentenças de uma vida, tantas quantas supostamente ele havia terminado. Andy, ainda incrédulo de tudo o que se tinha passado na sua vida, adoptou desde o início uma posição tímida e calada para com todos os outros prisioneiros. Mesmo na primeira noite, quando existiam provocações para com os novatos, Dufresne nem sequer pestanejou, fazendo Ellis Redding, interpretado por Morgan Freeman, perder uma considerável soma de dinheiro.
Red era o contrabandista da prisão, e foi a ele que Andy se dirigiu um mês depois de chegar a Shawshank, pedindo-lhe um martelo de geologia. O pedido foi atendido e, simpatizando rapidamente um com o outro, começam a tornar-se bons amigos. Porém, existia um grupo de prisioneiros que persistia em espancar e violar Dufresne, ainda que este por vezes tentasse resistir.
Protecção
Com alguns contactos e favores, Red conseguiu que ele e o seu grupo de amigos fossem seleccionados para um trabalho na prisão, o que lhes iria fornecer um dia diferente. Durante esse trabalho, Andy Dufresne ouve as queixas do principal e mais severo guarda prisional sobre os seus impostos, pelo que automaticamente se oferece para ajudar em troca de umas simples cervejas geladas para os seus colegas condenados. O guarda chega até a ameaçar Andy, mas acaba por aceitar a sua ajuda, o que acaba por se revelar um excelente feito para um prisioneiro. Com o desenrolar da acção, até o Chefe da prisão de Shawshank pede ajuda para as contas do estabelecimento, pelo que Andy começa a receber grande protecção, nunca mais voltando a ser incomodado por qualquer prisioneiro.
Reviravolta
Como qualquer preso, Andy pensava em escapar, e apesar do ambiente positivo que se criava em sua volta, começavam a estabelecer-se laços que no futuro poderiam dificultar quaisquer chances. A personagem principal começa a ser traída pelo sistema que ela própria desenvolveu, e, quando o final se aproxima, o presente parece ser o seu único futuro possível. Depois de uma série de eventos, a história, que até aí não tinha sido nada de transcendente, atinge um novo patamar de imprevisibilidade e emoção, conhecendo uma incrível e inesperada reviravolta.
Dotado de vários sentidos e dimensões históricas, "Os Condenados de Shawshank" consegue transmitir uma multiplicidade de sentimentos ao espectador, principalmente o espanto. Ainda que no final ganhe alguns contornos de acção, este é, ao longo de toda a sua extensão, uma verdadeira amostra de alguns valores que o homem deve transportar sempre consigo, seja qual for o ambiente em que ele se insere; entre estes surgem a esperança e a amizade.
Classificação: 9/10

Facebook


O sucesso que a rede social do Facebook tem vindo a garantir nos últimos anos é incontornável, e este, aliado à sua atribulada fundação, até valeu a criação de um filme, The Social Network. São cada vez mais as pessoas que aderem a este site, para contactar com os amigos, expandir o seu negócio, ou ainda utilizar algumas aplicações e jogos. Para espanto geral, esta rede social até já origina mais visitas a websites exteriores do que o Google, maior motor de pesquisa do Mundo (ver gráfico).
A proximidade
O contacto virtual atingiu um novo patamar com o surgimento do Facebook. Agora é possível partilhar fotos, vídeos ou comentários com os seus contactos, utilizar um serviço de mensagens instantâneas, e ainda anunciar eventos, tudo numa só plataforma. Com apenas alguns cliques consegue estar a par de todas as actualizações dos seus contactos, o que é que estes escreveram, partilharam ou "gostaram", e tem ainda a opção de comentar todas estas acções. As fotos e os vídeos são de fácil partilha, sendo rapidamente adicionados a álbuns para uma consulta menos complicada.
As mensagens instantâneas utilizam o mesmo conceito que o Windows Live Messenger, mas de forma muito mais simplificada e bem ao jeito do que a Google fez no Gmail. Contudo, este serviço ainda apresenta algumas falhas, o que dificulta a comunicação. Apesar deste ponto negativo, em termos de funcionalidades para partilha e contacto instantâneo, o Facebook coloca-se muito à frente de toda a concorrência. Ficamos com a ligeira sensação de que chegámos ao clímax da evolução das redes sociais, e que daqui já nada pode surgir.
Divulgação
O Facebook é também um óptimo meio de divulgação, seja com que finalidade for. Para fins publicitários a empresa de Mark Zuckerberg utiliza anúncios simples, quatro por página e de diferentes temáticas, nos quais facilmente podemos incluir o nosso. É ainda notório que o utilizador possa comentar estes anúncios, assinalando se estes são "desinteressantes", "enganadores", "ofensivos", etc. A criação de um grupo ou ainda de um contacto ajuda muito para a divulgação de um blog ou website. Neste o utilizador pode partilhar informações ou actualizações recentes, fomentando o número de visitas à sua página e possivelmente expandindo os horizontes da mesma.
O "vírus"
Não obstante de tudo isto, continuam a existir pessoas que encaram o Facebook como uma espécie de vírus híbrido que chegou para terminar com o Mundo como o conhecemos. Há quem tema pela sua privacidade, surgindo com interjeições banais - "Ah, ainda bem que não tenho nada disso!" - ou ainda quem se ache de uma individualidade imensa só por não ter uma conta nesta rede social. A não adesão é completamente compreensível, afinal cada um tem os seus gostos, e ainda há quem seja contra a globalização; mas o que invoco aqui é a ignorância, nada mais do que isso. Arriscaria dizer que uma boa parte das pessoas que se acham especiais por não pertencerem ao Facebook não sabem nada a respeito deste, ficando, desta forma, sem a mínima ideia das suas capacidades e sem qualquer noção do seu gosto para com este website. Já tinha sido assim com o Hi5, mas esse demonstrou-se muito mais limitado em termos de funcionalidades.
Bom ou mau, útil ou banal, o Facebook continua e vai continuar a atrair pessoas de todo o planeta, o que só contribuirá para a rápida expansão desta gigantesca rede social.

Nota: Aproveite para visitar o grupo do facebook do Multimedia Journalism aqui.