
Substance é uma colectânea de singles da aclamada banda britânica Joy Division. Lançado em 1988 pela Factory Records, este apresenta ao público as grandes músicas do efémero grupo de Salford, Inglaterra.
Introdução
Este álbum é iniciado por Warsaw, antigo nome da banda que teve de ser alterado devido à existência dos Warsaw Pakt. Este registo desperta logo a atenção do ouvinte, a voz de Curtis ecoa bem alto e o baixo de Peter Hook não passa despercebido. Facilmente mergulhamos na mística que envolve os Joy Division e seguimos atentamente o fluir da música. Depois aparecem Leaders Of Men e Digital, que, com o baixo e bateria bem decalcados, marcam o ritmo a que a nossa mente trabalha. Autosuggestion chega em estilo de acalmia, evidenciando uma sonoridade mais obscura na guitarra e bateria, enquanto que o baixo funciona como verdadeiro metrónomo; Ian Curtis é mesmo a cereja no topo do bolo, incutindo à música o sentimento de que esta padecia.
Maturação
Gloriosamente sucedem-se Transmission e She's Lost Control, dois dos mais conhecidos e adorados temas de Joy Division; ambos revelam-se magistrais no que toca à musicalidade. Porém, o primeiro é menos complexo, já o seguinte apresenta uma dualidade interessante, com uma bateria repetitiva e mecanizada, apoiada por um baixo algo híbrido, alterando a sua energia ao longo da música; tudo isto é acompanhado pela letra a que Curtis tanto significado deu.
O trio Incubation, Dead Souls e Atmosphere, vem novamente acalmar o tempo presente e entregar um pouco mais de protagonismo à instrumentalidade de Joy Division: um autêntico tapete vermelho para Love Will Tear Us Apart, o single mais vendido do conjunto. Anunciado em 2002 pela NME como o melhor single de todos os tempos, possui uma abismal musicalidade, resultado de uma excelente harmonia de todos os instrumentos, ainda que concentrada no teclado, voz e bateria.
Appendix
Segue-se um conjunto de faixas bónus, todas inequivocamente únicas e independentes, destacando-se No Love Lost, Glass, e Novelty. Esta colectânea termina com These Days, registo que apresenta um fabuloso baixo e finda o álbum com uma certa alegria, ao invés da melancolia e sonolência psicológica a que nos habituam os Joy Division em grande parte dos seus temas.
Fabuloso do início ao fim, Substance consegue prender o ouvinte em todas as músicas; e apesar de requerer certos momentos de introspecção e concentração, incute bastante movimento e energia. Absolutamente genial!
Classificação: 10/10

1 comentário:
Muito bem. Joy Division. De certo modo, desde que os conheci, o que mais cativou na sua música, foi a individualidade de todo o seu reportório, e posso verificar que após a perda do Curtis nada igual foi alguma vez alcançado.
Eu acho extroardinária a forma como os instrumentos se fundem com a mitica voz do Ian, sendo como tu bem referiste a cereja no topo do bolo.
Reconhece-se uma perfeita distância na forma como a melodia é disposta em cada uma das músicas.
Enfim, acho que apontaste o principal, sendo que só acrescento uma questão/opinião que ficará para minha sempre sem resposta. O facto do Ian ter se suicidado, e ter tornado os Joy para sempre marcados pela sua breve mas essencial passagem, e sua figura lendária de alguem imcomprendido, contudo acho que se tal não tivesse acontecido, a banda teria tomado o rumo de outras celebres bandas que às custas dos seus éxitos, prolongam a sua duração caindo numa inevitável comercialização, tornando-se vulgar e comum, perdendo toda a individualidade com que um dia começaram.
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