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Substance 1977-1980


Substance é uma colectânea de singles da aclamada banda britânica Joy Division. Lançado em 1988 pela Factory Records, este apresenta ao público as grandes músicas do efémero grupo de Salford, Inglaterra.
Introdução
Este álbum é iniciado por Warsaw, antigo nome da banda que teve de ser alterado devido à existência dos Warsaw Pakt. Este registo desperta logo a atenção do ouvinte, a voz de Curtis ecoa bem alto e o baixo de Peter Hook não passa despercebido. Facilmente mergulhamos na mística que envolve os Joy Division e seguimos atentamente o fluir da música. Depois aparecem Leaders Of Men e Digital, que, com o baixo e bateria bem decalcados, marcam o ritmo a que a nossa mente trabalha. Autosuggestion chega em estilo de acalmia, evidenciando uma sonoridade mais obscura na guitarra e bateria, enquanto que o baixo funciona como verdadeiro metrónomo; Ian Curtis é mesmo a cereja no topo do bolo, incutindo à música o sentimento de que esta padecia.
Maturação
Gloriosamente sucedem-se Transmission e She's Lost Control, dois dos mais conhecidos e adorados temas de Joy Division; ambos revelam-se magistrais no que toca à musicalidade. Porém, o primeiro é menos complexo, já o seguinte apresenta uma dualidade interessante, com uma bateria repetitiva e mecanizada, apoiada por um baixo algo híbrido, alterando a sua energia ao longo da música; tudo isto é acompanhado pela letra a que Curtis tanto significado deu.
O trio Incubation, Dead Souls e Atmosphere, vem novamente acalmar o tempo presente e entregar um pouco mais de protagonismo à instrumentalidade de Joy Division: um autêntico tapete vermelho para Love Will Tear Us Apart, o single mais vendido do conjunto. Anunciado em 2002 pela NME como o melhor single de todos os tempos, possui uma abismal musicalidade, resultado de uma excelente harmonia de todos os instrumentos, ainda que concentrada no teclado, voz e bateria.
Appendix
Segue-se um conjunto de faixas bónus, todas inequivocamente únicas e independentes, destacando-se No Love Lost, Glass, e Novelty. Esta colectânea termina com These Days, registo que apresenta um fabuloso baixo e finda o álbum com uma certa alegria, ao invés da melancolia e sonolência psicológica a que nos habituam os Joy Division em grande parte dos seus temas.
Fabuloso do início ao fim, Substance consegue prender o ouvinte em todas as músicas; e apesar de requerer certos momentos de introspecção e concentração, incute bastante movimento e energia. Absolutamente genial!
Classificação: 10/10

Cinema #9 - He's Lost 'Control'


A fama foi tomando conta do significado da sua música, já não era entendido como desejava e carente de tudo Ian Curtis colocou um fim à sua vida. "Control", realizado por Anton Corbijn, centra a óptica em Ian Curtis e mostra-nos a efémera jornada que os Joy Division percorreram.
Ao longo desta longa-metragem a retina do espectador é somente invadida pelo preto, branco, e as suas diferentes tonalidades. O perfil de Ian é meticulosamente detalhado, começando pelos seus tempos escolares, nos quais já mostrava grandes aptidões para a poesia, passando pela formação dos Joy Division sob o nome de Warsaw, e acabando com o inevitável fim último da banda e da sua vida, sempre com os episódios da sua vida pessoal em paralelo. O que se segue neste artigo é contado pelo filme de forma brilhante.
O início
Com 19 anos Curtis casa com Debbie, uma rapariga que conhecera na escola e que acabaria por ser a mãe da sua única filha. O casamento começa de uma forma estável e feliz, e a banda serve como complemento ao trabalho de funcionário público de Ian. Este ingressou no grupo de forma fortuita, já que ao encontrar Peter Hook e Bernard Sumner num concerto dos Sex Pistols, estes disseram-lhe que estavam a tentar formar uma banda e necessitavam de um vocalista. Depois de uma busca intensiva de uma baterista estavam formados os Warsaw, nome escolhido momentos antes do primeiro concerto.
Sucesso e Traição
Rapidamente angariando fãs os Warsaw viram-se obrigados a mudar de nome para Joy Division de forma a não serem confudidos com os Warsaw Pakt, uma banda punk londrina. Compraram um estúdio e lançaram o primeiro EP, An Ideal for Living. Os concertos foram surgindo e a fama foi tomando conta da banda e da vida de Ian, que foi repentinamente atacado por um ataque epiléptico. Com a agenda cheia Curtis não estava muitas vezes em casa para estar com a mulher e com a filha Natalie, que tinha tido recentemente, acabando então por sucumbir a um novo amor, Annik Honoré, uma rapariga belga que tinha conhecido numa entrevista. Em Junho de '79 é lançado Unknown Pleasures, álbum que inclui músicas como Disorder ou She's Lost Control e até hoje considerado a obra-prima dos Joy Division.
Queda e Fim
Com ataques epiléticos cada vez mais frequentes infelizmente o Ian de Debbie já não era o mesmo que o Ian de Honoré, nem o mesmo que o Ian dos Joy Division. Tudo começou junto mas foi a separação que ditou o fim. Era impossível aguentar o carácter de estas três pessoas numa só vida e Ian julgava-se incompreendido, sentia que já ninguém entendia a sua música. Ou era a música ou era ele, e Ian Curtis escolheu-se a si para salvar a música. Na manhã de 18 de Maio de 1980 Ian Curtis suicidou-se.
Nunca se tratou de fama, mas sim de música. Ian Curtis nunca quis ser lembrado, quis sim que a música dos Joy Division, que tanto sentido fazia para ele, fosse recordada pelo que era. Ninguém o compreendeu e jamais alguém o compreenderá.
Classificação: 8.5/10