
José Sócrates apresentou, na passada quarta-feira, a sua carta de demissão ao Presidente da República. O ex-Primeiro-Ministro afirmou que não teria condições de governar caso o PEC IV fosse rejeitado, e, como não podia deixar de ser, a oposição fez-lhe a vontade, desafiando a sua palavra ao abrir a porta de saída.
A coligação «interesseira»
Na Assembleia da República o teatro costuma ser prato do dia, e na quarta-feira a peça foi determinante para o futuro do país. Apesar da união de toda a oposição na rejeição ao PEC, esta coligação não foi nada mais do que um movimento de interesses partidários. O orgulho de um português é algo de muito delicado, e o único assunto no qual os partidos se conseguiram entender foi no da rejeição ao PEC, ou melhor dizendo, no despedimento de José Sócrates. Sim, foi isso que esteve em questão, o aproveitar de um argumento viável para despedir de uma vez por todas o líder do PS do seu cargo de Primeiro-Ministro.
A oposição já se sentia injustiçada há muito tempo, não vendo final para este «martírio» político. Desta feita, mal viram a oportunidade de ver José Sócrates pelas costas, não a desperdiçaram. Ao invés de operarem uma coligação pelo bem do país, foram os protagonistas de um verdadeiro jogo da batata quente. José Sócrates vai-se recandidatar e este jogo de crianças está longe de conhecer o seu fim.
Ignorância política
Em ambos os pós-guerra o Comunismo viveu épocas áureas, aglomerando em si milhões de apoiantes. A questão era simples: os bolsos ficaram vazios e o proletariado sentia-se injustiçado pelas classes altas. Quando o pobre vê a possibilidade de derrubar o rico, nem pensa duas vezes. Assim, os portugueses ainda vão demorar algum tempo a perceber que esta queda de Governo não é totalmente benéfica, se é que não é apenas prejudicial. Como o dinheiro falta e o português pouco ou nada percebe de política, chegando ao ponto de nem sequer votar, este deixa-se influenciar por «joguinhos políticos» e julga que a culpa é sempre do mesmo, do Primeiro-Ministro. De facto, parece ser ele o visado em toda e qualquer conversa e discussão entre deputados.
A ironia reside mesmo no facto de o que maioria pensa estar bem longe do que ela faz. Sócrates apresentou a sua recandidatura, e vamos a ver se o português vai conseguir mudar o seu voto, ainda que não seja para não nos voltar a colocar na estaca zero. Já se percebeu que a oposição não quer trabalhar com José Sócrates, e já que decidiram retirar-lhe o seu cargo, façamos-lhe a vontade e votemos noutro candidato. Caso contrário, são «apenas» mais uns milhões desperdiçados, nada que nos faça falta.

2 comentários:
Mordaz e eficiente postagem. Todavia, creio que com Sócrates as medidas se iriam tornar mais severas na mesma, por isso melhor sem ele do que com ele! Em 6 anos, o "Sr. Engenheiro" conseguiu a proeza de, como diria Durão Barroso, pôr o país "de tanga"
eu acho que era mesmo isto que o sr. José Sócrates pretendia! Já não tinha grandes alternativas e, só lhe restava a saída. Orgulhoso como é (honra lhe seja feita)não desistiu mas fez com que lhe abrissem a porta.
E, a verdade é que não vai deixar saudades. Este governo descridibilizou de vez a política e virou do avesso os valores morais da sociedade. Vá pela sombra. "Seventy Six"
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