Em 2012 Guimarães irá ser Capital Europeia da Cultura, partilhando o estatuto com Maribor, cidade da Eslovénia. Apesar de 2012 ainda não ter chegado, a organização já promove diversos eventos culturais, atraentes não só para os habitantes locais como também para pessoas de todo o país, e até mesmo para nuestros hermanos. Por entre nomes como Rui Veloso e Adriana Calcanhotto, surge o de Bobby McFerrin, que actuou no Multiusos da cidade berço no passado dia 3 de Julho.
O autor de...
Nos cartazes que publicitavam a vinda do músico norte-americano a Portugal, constava que Bobby McFerrin era o autor da tão cantada e melodicamente assobiada Don't Worry Be Happy, tema constantemente entregue de forma errada a Bob Marley. Aviso desde já o leitor que Bobby não necessitou de cantar esta música para que se mostrasse ao seu mais alto nível, num concerto de elevada qualidade. De facto, o sucesso daquele tema foi tanto que até lhe valeu um Grammy - um dos oito que já tem - para melhor música do ano. A recorrente atribuição desta música a Bob Marley não se percebe muito bem, visto que, aquando da criação de Don't Worry Be Happy, já fazia sete anos que o mítico artista jamaicano tinha morrido.
O improviso
Quem nunca foi a um concerto de Bobby McFerrin - o meu caso há cerca de uma semana - não consegue prever, de forma alguma, a tipologia de concerto que este utiliza. Cada uma das suas músicas e interpretações apresentam-se singulares, apesar da sua forma de canto quase sempre idêntica, ainda que imprevisível (como a música acima apresentada). Isto acontece porque o improviso sempre foi o habitat de McFerrin, ao qual ele dá uma notável importância no mundo do canto, como refere no seu site oficial:
"I am passionately committed to improvisation, and don't think that any music student in the country should be allowed to graduate unless they've studies it for a term, a year."
Um concerto diferente
É na base deste tão importante improviso que Bobby nos presenteia com o seu espectáculo. Por entre todas aqueles temas incríveis, que facilmente impressionam a plateia, surgem os momentos em que o cantor revela o seu verdadeiro génio, sempre com um humor contagiante. Começa com uma interacção com a audiência, fazendo-a entoar as notas que este "toca" saltando pelo palco, enquanto ele próprio canta uma melodia. Segue-se o momento em que o público canta, em uníssono, a Ave Maria de Gounod enquanto Bobby faz o instrumental, com um prelúdio de Bach; o ambiente é absolutamente fantástico quando todas as vozes convergem sobre o "mote" de McFerrin.
É na base deste tão importante improviso que Bobby nos presenteia com o seu espectáculo. Por entre todas aqueles temas incríveis, que facilmente impressionam a plateia, surgem os momentos em que o cantor revela o seu verdadeiro génio, sempre com um humor contagiante. Começa com uma interacção com a audiência, fazendo-a entoar as notas que este "toca" saltando pelo palco, enquanto ele próprio canta uma melodia. Segue-se o momento em que o público canta, em uníssono, a Ave Maria de Gounod enquanto Bobby faz o instrumental, com um prelúdio de Bach; o ambiente é absolutamente fantástico quando todas as vozes convergem sobre o "mote" de McFerrin.
Quando julgamos que nada de melhor surgirá, somos impressionados pelo nível a que Bobby McFerrin leva a interacção com os espectadores. Primeiro chama um par de elementos do público para improvisar uma dança ao ritmo do seu improviso vocal; e eis que somos impressionados pela qualidade dos dançarinos que ainda há pouco estavam entre todos nós. De seguida chama novos espectadores, desta feita companheiros de instrumento para improvisarem em diversos duetos vocais, nos quais era o espectador a dar o ritmo inicial. As ovações foram gigantescas, perante tão soberbas vozes que ali se apresentavam. No final surge algo bastante inesperado: Bobby McFerrin organiza um verdadeiro coro a partir de pessoas da audiência. Depois de pedir cerca de 15 participantes, este é surpreendido por mais de 50 pessoas, que sob o seu comando, e dividos por quatro registos vocais, deram um excelente espectáculo a todos.
Como é fácil denotar, o concerto a que se assistiu em Guimarães foi bastante fora do comum, fugindo ao normalmente esperado de um evento musical. Seguindo sempre este modelo, Bobby McFerrin conseguirá sempre vingar no mundo da música, porque aliado ao seu bom humor que tanto diverte o público, cria ambiente fantásticos, propícios a excelentes demonstrações artísticas.

1 comentário:
Parabéns! Gostei sinceramente de ler esta transmissão deste espectáculo em texto. Entusiasmei-me e, fiquei com pena de não ter ido.seventysix
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