
A 5 de Junho os portugueses "decidiram": PSD e CDS entrariam em coligação para tentar tirar o país da situação miserável em que muitos o colocaram. Pouco depois o Presidente da República - sim, porque afinal de contas ele sempre tem poder para fazer alguma coisa - escolheu Pedro Passos Coelho, representante do partido mais votado, como Primeiro-Ministro da República Portuguesa.
Vitórias e Derrotas
Deixando de parte uma análise exaustiva aos resultados eleitorais, julgamos que apenas a abstenção merece o devido destaque (como já é regra), atingindo os 41.93% de eleitores. A insatisfação era muita, mas não serve, de modo algum, para justificar uma não comparência às urnas. O português desenvolveu um desrespeito notável pelo direito de voto, não percebendo a importância que este tem para o rumo da nação.
Já estava previsto que o PS ia sofrer um duro golpe nestas legislativas, muito por culpa do seu representante máximo, José Sócrates. O ex-Primeiro Ministro, para além de ter provocado toda esta situação, já vinha a agregar "crimes" ao seu cadastro desde há muito tempo. Assim, como o português muito gosta de votar no candidato e não no partido, já era óbvio que muitos iriam mudar o seu voto e afundar o PS a uma vitória social-democrata. Depois de uma humilhante derrota, que retirou 23 mandatos ao PS, José Sócrates demitiu-se de seu cargo - que de resto já tem dois concorrentes, Assis e Seguro -, decisão que só um louco não tomaria.
No reverso da medalha estavam PSD e CDS, o primeiro devido a esta vitória estrondosa que enviou Passos Coelho para a chefia do Governo e arrecadou quase 47% dos assentos da Assembleia; o segundo porque já aspirava a protagonismo político há algum tempo, logrando aqui conseguir a coligação que desejava. Estes dois partidos juntaram-se assim para chefiar a nação portuguesa, apresentando quatro ministros do PSD, três do CDS e quatro independentes.
Depressa e bem...
Ao novo Governo pediram-se decisões rápidas, certeiras e poupadas. O primeiro aspecto tratado foi o de reduzir o número de ministérios de 16 para 11, adjudicando mais tarefas a certos ministérios e fundindo outros. Com a troika no nosso encalço, o Governo tem de mostrar não só actividade, mas também rapidez e poupança. Deste modo, as medidas começaram a surgir: o subsídio de Natal vai ser retirado a grande parte dos portugueses; as pensões vão diminuir, ainda que para os mais necessitados cheguem a aumentar; as parcerias Público-Privadas vão estar sob revisão e aquelas que não têm interesse para o Estado vão ser terminadas; algumas empresas vão ser privatizadas. Estas são algumas das medidas que o novo Governo espera implementar com sucesso, para assim combater e vencer a crise com a ajuda do dinheiro da troika.
Quem não parece querer ajudar são as agências de rating, que não só já haviam afectado os bancos portugueses, como agora desceram a avaliação da dívida pública portuguesa para "lixo". Apesar da procura continuar maior que a oferta, esta descida de classificação coloca mais pressão sobre a dívida pública portuguesa, o que poderá obrigar a uma maior taxa de juro. A conjuntura é desfavorável para Portugal, mas a ajuda monetária do FMI veio devolver algum fôlego à nação lusa. Enquanto o novo Governo tenta salvar o país, o português também pode fazer a sua parte, comprando apenas produtos nacionais e evitando importações de estrangeiros.
A economia nacional necessita de um empurrão e o Governo da confiança de todos os portugueses.

1 comentário:
Concordo plenamento que os niveis de abstenção de voto têm vindo a ser uma vergonha, sendo Portugal um país que se diz democrático. Contudo, desta vez a causa que levou as pessoas a não ir às urnas pode ter sido, em muitos casos, ligeiramente diferente. Com a acção da Toika já garantida aquando as eleições, a ideia que se tem é a de um governo "marioneta" do FMI. As medidas que levarão (esperemos nós!) à salvação económica do país são como um névoa que esconde qualquer ideologia política. Claro que se alega que a Troika deixou muita margem para manobra e que apenas delimitou objectivos... Mas agora que as medidas económicas põe em causa medidas socias, certamente esta será a culpada de todos os males. Entre as medidas da Troika e as medidas da Troika... Venha o diabo e escolha!!
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