Por entre túneis e tribunais


Os escândalos em volta do futebol português nunca cessam de nos espantar, repletos de escutas, frutas e meias-de-leite. Há uns anos - ainda que se tenha prolongado até há bem pouco tempo - foi a vez do Caso Apito Dourado, talvez o processo mais ardente do futebol nacional das últimas temporadas. Nele estavam envolvidas várias figuras conhecidas do futebol, destacando-se Pinto da Costa e João Loureiro, presidentes do FC Porto e Boavista, respectivamente. Nas últimas décadas foram várias as polémicas em torno do futebol, e nestes últimos dois anos parece que um único caso esteve em destaque por duas ocasiões.
O Túnel da Luz
Estávamos em Dezembro de 2009, e o Benfica recebia o Porto no Estádio da Luz. Naquela altura - à passagem da 14ª jornada - as equipas estavam separadas por apenas 1 ponto, com o Benfica no 2ª lugar e o Porto um posto atrás (o Braga ia na frente com os mesmos pontos que o Benfica). Nesse encontro - ganho e dominado pela equipa da Luz -, já depois do seu final, ocorreu um dos casos mais paradigmáticos dos últimos tempos. Hulk e Sapunaru, quando já se dirigiam para o balneário, envolveram-se em confrontos com um steward, tendo mesmo agredido o segurança em questão. Após este conflito, a Comissão Disciplinar da LPF deliberou que Hulk fosse suspenso por quatro meses e Sapunaru seis. O brasileiro conhecia assim uma pena que o iria afastar de 17 partidas, já o romeno, face a esta suspensão, foi emprestado ao Rapid de Bucareste.
A grande polémica, se é que já não havia suficiente, veio com a decisão do Conselho de Justiça. Este órgão da Federação Portuguesa de Futebol - alegando provocações por parte do steward - reduziu as penas de Hulk e Sapunaru para três e quatro jogos, respectivamente, anulando a anterior decisão do Conselho Disciplinar. Devido a esta resposta tardia, o FC Porto viu-se privado da sua figura de proa por mais 14 jogos do que o suposto. Há quem diga que foi um duro golpe nos objectivos portistas, que com Hulk tudo teria sido diferente, mas também se diz que todo o decorrer do conflito foi um esquema das "águias"; porém, isso nunca saberemos, ficamo-nos pelos "ses".
O Túnel da Luz II
No dia 11 de Outubro, o jornal Correio da Manhã informava em manchete garrafal que o Ministério Público queria condenar cinco jogadores do FC Porto a 3 anos de prisão (leia aqui a notícia). Entre os acusados, para além de Hulk e Sapunaru, constavam os nomes de Helton, Rodriguez e Fucile. Ao que parece, o MP pretende avançar com acusações sobre estes jogadores, tomando as agressões contra os stewards como deliberadas e conscientes. Ora, julgo que aqui todos nos questionamos: de onde é que isto surgiu? Como é que o Ministério Público se vai lembrar de acusar cinco jogadores de futebol passado 1 ano, 9 meses e 21 dias do suposto crime? Crime esse com uma história muito mal contada. Todos nos lembramos da semana que se seguiu ao jogo onde tudo aconteceu; a cada dia que passava era acrescentado mais um facto e outro era desmentido. Será que é caso para duvidar da notícia? Ou será que devemos questionar a seriedade do Ministério Público? Caso complicado, que possivelmente ainda terá muito «pano para mangas».
O futebol continua a surpreender-nos (negativamente) com todos os escândalos que cria e propaga; e este caso não é nenhuma excepção. Os dirigentes vão anexando um maior poder, que os torna cada vez mais corruptos, o que culmina num desporto progressivamente jogado fora das quatro linhas e não dentro delas. Ficamos, assim, na seguinte dúvida: será que os «tentáculos» do futebol se vão expandir ainda mais? Quais as esferas de poder que vão «atacar» de seguida? É algo bastante imprevisível, e que apesar de termos noção da sua existência, nunca saberemos a verdadeira e completa versão da história.

1 comentário:

Sara disse...

Penso que ainda mais grave do que aquilo que se sabe, é o que não se sabe... Mas pronto. Já sabes que não ligo muito aos "assuntos de balneário" deste desporto ;)

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