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Mesmo às escuras, o FC Porto seguiu a Luz


O FC Porto sagrou-se campeão no passado Domingo, batendo um Benfica algo apagado num jogo em que o caminho para a baliza apenas apareceu no primeiro tempo. O mais impressionante é que este título foi conquistado na Luz - deslocação mais complicada de todo o campeonato -, casa deste tal Benfica, segundo classificado à procura de um milagre.
O jogo
A partida não podia começar de pior feição para os (até então) campeões nacionais do que com um golo sofrido aos 9'. Depois de um erro da defensiva do Benfica, Guarín ganha controlo sobre o esférico e, quase junto à linha final, desfere um remate/cruzamento que Roberto acaba por colocar dentro da baliza. Apesar do domínio portista, o Benfica fazia o que podia para restabelecer a igualdade; e aos 17' é assinalada uma grande penalidade algo duvidosa sobre Gaitán. Saviola acabou por cobrá-la com sucesso, colocando, novamente, o marcador no empate. Se com o meio-golo na própria Roberto já havia começado mal, este acabou por «borrar» ainda mais a pintura, ao cometer um penalty daqueles clássicos e indiscutíveis sobre Falcao. Hulk foi chamado à conversão e não desiludiu. Aos 26' o Porto voltou para a dianteira, para daí não sair.
Jorge Jesus, timoneiro da formação benfiquista, bem tentou chegar pelo menos ao empate, procedendo a algumas alterações ao intervalo. Ainda assim, o domínio dos dragões continuou até ao final, e, já no último quarto de hora, estes acabaram por desperdiçar três claras ocasiões de golo. Tanto desperdício poderia ter tramado a formação de Villas-Boas, isto porque aos 91' Gaitán atira a bola ao poste depois de uma «mancha» de Helton ter tirado o golo a Luisão. Um final impróprio para cardíacos, ainda que sem qualquer alteração do resultado.
O que fica
Depois de o Benfica ter perdido a oportunidade de vencer o título no Estádio do Drgaão na época transacta, o inverso foi consumado este ano pelo FC Porto, feito que os portistas só haviam conseguido por uma vez, na remota temporada de 1939/40, conferindo muito mais «sabor» a este triunfo. Para recordar fica também a «esperteza saloia» de um Benfica que, assim, não só desilude dentro de campo como fora dele. Uma equipa que na época de 2009/10 apresentava uma capacidade psicológica nata para vencer, demonstra agora a efemeridade dessa condição. O desligar das luzes e activar do sistema de rega serviu para coroar ainda mais um Porto superior, este que soube vencer sem encher o ego, coisa que o Benfica fazia sem qualquer vitória, muito por culpa da fé cega de Jorge Jesus.

O «derby» que tudo decide?


À passagem da 20ª jornada da Liga Zon Sagres, Sporting e Benfica voltam a encontrar-se, desta feita no Estádio José de Alvalade. As duas equipas encontram-se em patamares completamente antagónicos, mas, se no futebol tudo pode acontecer, esta máxima atinge proporções ainda maiores quando se trata de grandes confrontos.
Conjuntura
De um lado, temos um Benfica que vem na senda das vitórias: já são 14 os jogos seguidos em que o Benfica só sabe vencer, o que faz com que a última derrota remonte a Dezembro de 2010. Do outro, temos um Sporting muito débil, que nas últimas 10 partidas só venceu metade, e apesar de ocupar o 3º posto da Liga, está a 23 pontos do líder (menos um jogo). Ambas as equipas ainda jogam para a Liga Europa, fruto de uma sorte encarnada e de uma grande resistência dos leões. A equipa de Alvalade, para piorar um pouco a situação, não poderá contar com a presença do treinador Paulo Sérgio no banco.
O Benfica encontra-se, até à data, na luta pelo título, enquanto que o Sporting já está há muito afastado desta disputa. Com a recorrência de maus resultados, o presidente José Eduardo Bettencourt apresentou a sua demissão, e pouco tempo depois foi a vez de Costinha - director desportivo - ser demitido depois de uma série de declarações polémicas à SportTV. Todos os olhares recaíram sobre a equipa leonina, que, sob o punho forte de Paulo Sérgio, se vai aguentando, tanto na Liga como na Europa.
Consequências
Se para o Sporting apenas a honra está em jogo, para o Benfica esta partida significa muito mais do que isso. Quando apenas falta disputar 11 partidas, as águias encontram-se a 11 pontos do líder, o FC Porto (que tem um jogo a mais), situação nada fácil para quem aspira ser campeão. Porém, o que torna este jogo de máxima importância, é que, em caso de derrota, uma diferença pontual deste calibre torna-se muito difícil de recuperar, até porque os dragões ainda só empataram dois jogos e não perderam um único. Jorge Jesus, quando confrontado com a perda do título em caso de derrota, argumentou o seguinte: «Se o título ficaria perdido? Não. Mas, temos de ser realistas e reconhecer que ficaria mais difícil.».
Como é possível concluir, esta partida revela-se de cariz extremamente importante para as aspirações benfiquistas, já que pode ditar o teórico afastamento do título. Já o Sporting pode bater no fim do poço, provocando uma cisão total entre adeptos e equipa. Com tudo isto, apenas falta referir que, mesmo jogando fora, o claro favorito é o Benfica, mas mesmo assim não deixará de ser um jogo de futebol muito disputado e emocional para ambas as formações. Afinal, um derby será sempre um derby.