
No rescaldo dos recentes movimentos que têm acontecido em Portugal e pelo Mundo, cada vez mais questões há a levantar; não só quanto à génese dos acontecimentos, mas também a pequenos - por vezes grandes - detalhes que não podem escapar.
Manifestações
No passado dia 15 de Outubro ocorreram, um pouco por todo o globo, manifestações apartidárias de indignação. Portugal não foi excepção e os cidadãos saíram à rua, indignados com a situação em que o país e o planeta se encontram. De facto, muita coisa está mal no nosso país, e as manifestações servem para evidenciar isso mesmo, mostrar que há um descontentamento geral e gritar pela mudança. Contudo, por vezes ocorrem situações que não podem deixar de ser comentadas/criticadas.
Nas páginas centrais do Expresso, edição de 22 de Outubro de 2011, vinha uma pequena reportagem fotográfica sobre as manifestações, incluindo três fotos bastante interessantes. A primeira (ver
aqui), quase que não merece quaisquer comentários. Além de evidenciar claramente o oposto de uma manifestação, impressiona de tão ridícula que é. Não encontro outra forma de sairmos deste buraco sem sermos nacionalistas, seja a que nível for; e é mesmo com um autocolante a dizer "Somos um povo de merda!!!" colado na cara que nos vamos conseguir fazer ouvir. O português passa a vida a queixar-se que nos contentamos com tudo, que ficamos calados e quietos, mas esta é realmente nova. Compreende-se o sentimento de revolta, mas a maneira como é expressado não podia estar mais errada.
Suas complicações
Existe, pelo mundo fora, um certo sentimento de desdém para com os polícias e forças de segurança. Em alguns casos, chega a parecer que os "adversários" não são - como seria de esperar - manifestantes e governo, mas sim manifestantes e corpos policiais. Mas ainda em mais casos, as pessoas costumam pensar que os polícias são os maus-da-fita, os "primeiros a bater", os insensíveis, os tiranos. Assim, gera-se o preconceito de que a culpa é sempre da polícia, por fazer uso da violência, quando, por vezes, os manifestantes conseguem fazer bem pior. Tenha-se em atenção o caso da Grécia, onde já se viu de tudo: ambos os lados a gerar a violência. As outras duas fotografias podem ser utilizadas para ilustrar este assunto.
Na primeira foto (ver
aqui) podemos adivinhar a tal violência policial gratuita, que recorrentemente vemos ser usada contra manifestantes pacíficos. Quanto à segunda (ver acima) podemos ter o exemplo da provocação não violenta. A mulher que vemos a berrar, dirige o olhar e, portanto, o grito para um polícia. Será mesmo esse o adversário? Quando em grupo, as pessoas tendem a agir como não agiriam se estivessem sozinhas, e por vezes são violentas, dando início aos confrontos. Em ambas as fotos não nos é possível ter certezas, já que não sabemos a ordem cronológica dos acontecimentos, o antes e o depois. Ainda assim, podem funcionar como ilustradoras de ambas as situações.
Concluindo, denotamos assim que nem sempre podemos apontar o dedo ao mesmo bode expiatório. Há situações em que as forças policiais, equipadas e armadas, exageram no uso da violência; mas também sabemos que, certas vezes, os manifestantes "atiram a primeira pedra". Mas quanto ao leitor: na maioria dos casos, será que é mesmo a polícia a ser demasiado violenta, ou os manifestantes também têm a sua culpa?