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Bruno Aleixo: Calhou cocó


Hoje trago-vos uma entrevista com o Bruno Aleixo. Apesar de o Nélson da portaria continuar a cismar que eu tinha de fazer um jogo para poder entrar, foi fácil enganá-lo; o resto correu como esperado.
Coimbrense de ascendência brasileira, Bruno Aleixo começou por agraciar os portugueses com os seus brilhantes conselhos para a vida. Tamanho foi o sucesso, que pouco depois Aleixo já tinha o seu próprio talk-show na SIC Radical, O Programa do Aleixo, apresentando uma série de rubricas na companhia do seu amigo Busto. Um ano mais tarde chegava à rádio com Aleixo FM, novamente acompanhado por Busto. Protagonizou mais umas quantas séries de episódios, em exclusivo para a Internet, nas quais figuravam alguns dos amigos que tinha apresentado no seu talk-show inicial. Chega finalmente ao Multimedia Journalism, e com uma entrevista!

O Bruno já foi ao Brasil por várias ocasiões, incluindo quando fugia de um ninja. Recomenda tais paragens para os portugueses que hoje fogem do desemprego?
O Brasil é um destino que roça a perfeição a diversos níveis, sim. A nível de emprego, será sempre uma boa opção para os portugueses, seja pela língua, seja pelo clima, seja pela curta diferença horária, que ainda permite acompanhar os jogos da bola de cá sem obrigar a levantar de madrugada.
Como freelancer teve bastante sucesso, chegou a ter programas na Antena 3 e na SIC Radical. Reconhece uma falta de crença por parte dos canais generalistas neste tipo de humor? Será impossível chegar a ter um programa desta índole num canal de sinal aberto?
Não creio que o meu programa se possa definir apenas como “humor”. Creio que será mais um programa de autor ou, sendo mais científico, um programa de “eu a falar”. Pouca gente tem programas de “eles a falar”. Até o Marcelo Rebelo de Sousa recebe apenas um segmento de “ele a falar” e não um programa inteiro de “ele a falar”. Acredito, contudo, que esse panorama possa ser alterado, um dia.
É sabido que gosta de futebol, não tivesse tido um blogue onde comentava o futebol nacional e internacional. Quem, até agora, merece vencer a Liga Portuguesa? E quem vai, efectivamente, ser campeão?
Enquanto o União de Coimbra não regressar às competições seniores, não reconheço o campeão nacional, lamento. Também não reconheço a Taça de Portugal, não só porque o União de Coimbra não está nas competições seniores, mas também porque a Académica não foi eliminada à primeira.
Depois de ter passado pela televisão e pela rádio, depois de ter comentado o Mundial de 2010 e um concurso televisivo japonês, será que vai pedir reforma antecipada ou já tem um novo projecto em mente?
Não comentei nenhum concurso televisivo japonês. Isso era um dos garotos que trabalha para mim e que me copia alguns maneirismos e tiques. É natural isso acontecer, que a garotada tende a copiar trejeitos e tons de pessoas mais velhas e que sejam ídolos e referências morais para eles. Mas sim, tenho vários projectos em mente, alguns televisivos, outros nem por isso. Um deles até seria para um meio comunicacional que ainda nem foi inventado. Talvez regresse em Setembro, se não estiver todo moído da praia.
Em honra aos bons velhos tempos, tem alguma recomendação ou dialéctica kafkiana a partilhar?
Tudo o que digo tem um subtexto muito forte, mas, para aqueles que necessitem de palavras mais objectivas, posso recomendar que não comam de boca aberta.

Pode visualizar todos os episódios do Bruno Aleixo na Aleixo TV

Uma Verdade Inconveniente


Não, não se trata de uma análise ao documentário sobre Al Gore e a sua inconveniente apresentação de «slides», ou ainda uma dissertação acerca da obesidade na América do Sul e a sua culpa formada no que toca à amarga quebra de açúcar do passado Natal. Até porque cá em casa no Natal não há cá disso, só se come salgadinhos.
Desde criança que sonho em distribuir publicidade, e, quando confrontado com a escolha entre isso e ser jogador de futebol, decidi enveredar por esse caminho. Sim, porque nessa altura o Eusébio não ganhava 4 contos por mês mas andava por aí, e eu não era gajo para andar de meias rotas. Hoje realizei esse sonho. Porém, o tiro saiu-me uns quantos furos abaixo, quando a única coisa que subiu foi a minha dor de costas e o peso do mealheiro. Basicamente, o suficiente para me fazer repetir a experiência vezes sem conta.
Egocentrismo
Que as pessoas não queiram receber o panfleto de publicidade, isso eu entendo, apesar de não custar nada abrir o vidro e esticar a mão, isto se o vidro não estiver já aberto, o que só obrigaria a esticar a mão. É claro que há parvos em todo o lado, isso ou então grande parte dos portugueses sofre de síndrome do túnel carpal. Mas o extremo é outro: aqueles que pura e simplesmente ignoram quem ali está a trabalhar, continuando a olhar em frente ou até mesmo desviando a cara para o outro lado. Não sei de onde é que este português snob surgiu e de que raízes aprendeu estes costumes tão egocêntricos, mas é impressionante ver tanto individualismo num único ser.
Ainda assim, existe um detalhe que evidencia uma situação ainda mais assustadora. A realidade é simples, quanto melhor fôr o carro, mais provável é vermos a entrega do panfleto ser recusada. Em pratos limpos: quanto mais alto é o nível económico de alguém, maior é a sua tendência para o menosprezo pelos demais. E apenas me levou duas horas para me dar conta deste facto, e, quando um topo de gama descia a rua, já fazia contas à probabilidade de fazer figura d'urso. É ainda importante referir que existem diferentes packs, entre os quais se contam o estático aspirante a mimo, e os intemporais Três Macacos Sábios, dependendo, é claro, do número de bestas que se encontrarem dentro da viatura.
É realmente assustador encontrar uma linearidade quase rigorosa entre estes dois aspectos, o que mostra muito de um povo que nunca foi mal-habituado e agora parece começar a sê-lo. Se calhar a crise vem para pôr tudo na linha, mas enquanto dá umas «réguadas» nos ricos, atira os pobres para a miséria.

Nota: Decidi fugir um pouco à minha escrita habitual, tentanto explorar uma polivalência benéfica, escolhendo, neste caso, a crónica humorística. Penso que a ironia e o sarcasmo são geralmente as melhores armas para combater assuntos de cariz importante. Fora o descrito no texto, senti-me útil, pela primeira vez trabalhei para os meus objectivos e finalmente encontrei um trabalho que posso executar. Espero voltar a fazê-lo várias vezes mais, porque bem necessito.