Cinema #9 - He's Lost 'Control'


A fama foi tomando conta do significado da sua música, já não era entendido como desejava e carente de tudo Ian Curtis colocou um fim à sua vida. "Control", realizado por Anton Corbijn, centra a óptica em Ian Curtis e mostra-nos a efémera jornada que os Joy Division percorreram.
Ao longo desta longa-metragem a retina do espectador é somente invadida pelo preto, branco, e as suas diferentes tonalidades. O perfil de Ian é meticulosamente detalhado, começando pelos seus tempos escolares, nos quais já mostrava grandes aptidões para a poesia, passando pela formação dos Joy Division sob o nome de Warsaw, e acabando com o inevitável fim último da banda e da sua vida, sempre com os episódios da sua vida pessoal em paralelo. O que se segue neste artigo é contado pelo filme de forma brilhante.
O início
Com 19 anos Curtis casa com Debbie, uma rapariga que conhecera na escola e que acabaria por ser a mãe da sua única filha. O casamento começa de uma forma estável e feliz, e a banda serve como complemento ao trabalho de funcionário público de Ian. Este ingressou no grupo de forma fortuita, já que ao encontrar Peter Hook e Bernard Sumner num concerto dos Sex Pistols, estes disseram-lhe que estavam a tentar formar uma banda e necessitavam de um vocalista. Depois de uma busca intensiva de uma baterista estavam formados os Warsaw, nome escolhido momentos antes do primeiro concerto.
Sucesso e Traição
Rapidamente angariando fãs os Warsaw viram-se obrigados a mudar de nome para Joy Division de forma a não serem confudidos com os Warsaw Pakt, uma banda punk londrina. Compraram um estúdio e lançaram o primeiro EP, An Ideal for Living. Os concertos foram surgindo e a fama foi tomando conta da banda e da vida de Ian, que foi repentinamente atacado por um ataque epiléptico. Com a agenda cheia Curtis não estava muitas vezes em casa para estar com a mulher e com a filha Natalie, que tinha tido recentemente, acabando então por sucumbir a um novo amor, Annik Honoré, uma rapariga belga que tinha conhecido numa entrevista. Em Junho de '79 é lançado Unknown Pleasures, álbum que inclui músicas como Disorder ou She's Lost Control e até hoje considerado a obra-prima dos Joy Division.
Queda e Fim
Com ataques epiléticos cada vez mais frequentes infelizmente o Ian de Debbie já não era o mesmo que o Ian de Honoré, nem o mesmo que o Ian dos Joy Division. Tudo começou junto mas foi a separação que ditou o fim. Era impossível aguentar o carácter de estas três pessoas numa só vida e Ian julgava-se incompreendido, sentia que já ninguém entendia a sua música. Ou era a música ou era ele, e Ian Curtis escolheu-se a si para salvar a música. Na manhã de 18 de Maio de 1980 Ian Curtis suicidou-se.
Nunca se tratou de fama, mas sim de música. Ian Curtis nunca quis ser lembrado, quis sim que a música dos Joy Division, que tanto sentido fazia para ele, fosse recordada pelo que era. Ninguém o compreendeu e jamais alguém o compreenderá.
Classificação: 8.5/10

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