Cinema #12 - Fight Club


Fight Club é uma das longas-metragens mais aclamadas da história do cinema, tendo sido baseada no romance homónimo de Chuck Palahniuk. Foi realizado por David Fincher e conta com actores como Edward Norton e Brad Pitt. Começa lentamente, com um enredo bastante simples, mas acaba por atingir uma complexidade incomensurável, obrigando a alguma reflexão, mesmo depois de já o ter devolvido à prateleira.
O princípio
Um empregado de escritório, mais um entre milhares, é confrontado com o seu quotidiano repetitivo e manipulado. Sofre com a estandardização a que o ser humano é subjugado sem qualquer retaliação, sofre com o consumismo que tanto o preenche como lhe demonstra a falta de unicidade que há em si. A sua existência mundana é desesperante, existe nele uma certa aspiração em demonstrar quem realmente é, e não a pessoa que a sociedade monopoliza e transforma diariamente. O Narrador (Edward Norton), tenta assim encontrar uma saída para esta adjectivação que constantemente o ataca e caracteriza como apenas mais um.
Em mais uma das suas viagens de trabalho, nas quais contemplava o apogeu do sofrimento a que a sociedade era imposta, conhece Tyler Durden (Brad Pitt), um vendedor de sabões que apresentava um carácter completamente oposto ao seu. Enquanto dialogavam sobre o materialismo sujo que todos praticavam Tyler incita ao começo de uma luta. Os dois homens encontraram, em algo tão primário como uma disputa física, uma forma inebriante de escapar ao seu dia-a-dia, às suas pessoas alternativas e entediantes. Não tardou muito até que outros homens se juntassem àquilo que aparentava ser um conjunto de brigas, mas que acabava por se tornar muito mais do que apenas isso; estava fundado o Fight Club. Neste, os seus participantes são presenteados com a hipótese de começar uma «vida nova», diferente da pessoa que apresentavam ao Mundo.
A expansão
Apesar de tanto a 1ª como a 2ª regra do Fight Club ditarem que nenhum membro deveria falar sobre o clube, cada vez mais homens foram aparecendo, e outros clubes começaram a ser fundados em diversos núcleos citadinos. A ideia foi-se expandindo, sofrendo mutações, até que atingiu um nível inesperado, em que o principal objectivo já não era transformar a individualidade, mas sim o colectivo, o Mundo. Os dois fundadores do Fight Club vêem esta problemática de maneira diferente, o que leva a um célere conjunto de choques entre ambos, que, por sua vez, resultam em revelações que acabam por transformar o rumo do filme e virar por completo a mente do espectador.
Fight Club é impressionante, de um significado inefável e de uma importância grandiosa. Contudo, o que aqui está descrito resume de forma muito pobre a totalidade do filme, apresentando, de forma a não revelar o seu desfecho, apenas a secção mais banal e comum de todo o enredo. O terrível marketing fez com que esta produção fosse erradamente cotada como mais um filme de acção, daí, não espero que o leitor compreenda toda a minha veneração por este filme até que o veja, do início ao fim, sem pausas, e com uma atenção imparcial. É sem dúvida um dos melhores produtos da Sétima Arte.
Classificação: 10/10

1 comentário:

Juca disse...

'fight club' foi um filme que não vi no cinema precisamente pelo trailer ser demasiado de 'acção' (arrisco-me a dizer) idiota, cheio de violência fortuita.
alguns anos mais tarde, vi-o casualmente na televisão numa noite de insónias em que a escolha era o filme as tele-vendas. lembro-me de ter ficado indeciso mas ter optado pelo 'fight club'. não me arrependi. pelo contrário. é de facto uma obra prima, em que o brad pitt mostra que afinal até sabe ser actor sem fazer o beicinho de 'seven' ou o ar de sonso de 'meet joe black' ou 'benjamin button'.
reforço assim, a sugestão do nosso 'revisor azul'. vejam-no.

Enviar um comentário