
(fotografia por Paul Schutzer)
Hoje em dia Portugal é um país desenvolvido, e apesar de continuar na cauda da Europa está relativamente próximo do topo do mundo. Ocupamos, no presente, a 40ª posição do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), e somos considerados um país de desenvolvimento humano muito elevado. Até agora nada de novo, recuemos então um pouco na história.
Estado Novo
Entre 1933 e 1974 viveu-se em Portugal o regime do Estado Novo, com a chefia do autoritário Dr. António de Oliveira Salazar até 1968, ano em que ironicamente uma queda de uma cadeira de lona o afasta do Governo. O até então omnipotente chefe de estado ficava assim fisicamente derrotado por algo tão banal como uma cadeira. Durante todos estes anos Salazar preocupou-se em recuperar a economia do país bem ao jeito de como Hitler e Mussolini o faziam na Alemanha e na Itália, respectivamente. Lançou-se o culto ao chefe, criaram-se corporações, exaltou-se a nação, fundaram-se organizações milicianas (Legião Portuguesa e Mocidade Portuguesa), controlou-se o ensino e, de forma mais dissimulada, apelou-se ao herói em cada um dos indivíduos, tal e qual como Lenine havia feito durante o comunismo de guerra.
Aliando tudo isto, Salazar conseguiu que o Governo apresentasse lucros e atingisse uma estabilidade financeira inédita. Foram estes milagres que lhe valeram o apelido de "Salvador da Pátria". Porém, sabemos que o Estado Novo foi também um regime altamente repressor, em que a liberdade de expressão era praticamente nula devido a uma censura que tudo depurava com o seu afamado lápis azul; qualquer contestação era então devidamente corrigida pela PIDE, polícia política conhecida pela sua acção na tortura e deportação de prisioneiros políticos. Foi toda esta conjuntura que uniu o país para a revolução dos cravos a 25 de Abril de 1974, essa que devolveu a liberdade a Portugal e suas gentes.
A questão
E se Salazar tivesse recuado progressivamente o seu autoritarismo depois do final da II Guerra Mundial, o que tinha acontecido? Sabemos que Portugal não participou no conflito (mérito de Salazar e da sua diplomacia externa), o que foi excelente para o panorama económico, social e político do país. Mas o que teria acontecido se, enquanto grande parte da Europa começava a recuperação da Grande Guerra, Salazar tivesse começado a devolver a democracia ao nosso país? A nossa economia encontrava-se em fase crescente, passível de ser competitiva com o resto das potencias europeias; éramos parcialmente auto-subsistentes, o que não elevava a necessidade de importações. Assim, com o resto da Europa em apuros, Portugal teria tido a oportunidade de entrar no "comboio do desenvolvimento", que em 1945 iniciou a sua viagem.
Se tal se tivesse verificado, o nosso país teria tido, provavelmente, um desenvolvimento mais harmonioso, que resultaria num presente diferente do nosso. Melhor ou pior ninguém o sabe dizer, mas, de certo, Portugal teria evitado aquele negro e conflituoso período após o 25 de Abril, que, aliado à súbita mudança de regime, operou como um grande estanque do desenvolvimento da nação. Talvez esta fosse a jogada que faltou a Salazar, que apenas conseguiu olhar a chefia do país com um autoritarismo incurável.

6 comentários:
Mais do que a propósito!
Sem dúvida que se Oliveira Salazar tivesse convocado eleições a seguir à Vitória Aliada na Europa, teria não só ganho estas, como ficaria para a história como "O Salvador da Pátria".
Mas não foi assim que aconteceu... a história quis que fosse diferente o rumo deste país que deriva sem norte fez agora um século...
Bah!
Caro Anónimo,
Esse "Bah!" é sinal de espanto, de como boi a olhar para palácio, ou apenas de submissão e encantamento?
Cumprimentos,
Francisco Gomes
Ridiculamente verdade!
Como é que sabes o meu nome?
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