
Nos anos 60, Iwao Hakamada era um pugilista japonês com grandes hipóteses de singrar no boxe deste país oriental. Na categoria de peso-pluma, na qual se havia iniciado aos 16 anos, começou a recolher algumas atenções, rapidamente chegando ao topo dessa modalidade. O povo bem avisou - "Quanto mais alto se sobe, maior é a queda." - e foi isso mesmo que sucedeu. Tão rápido Iwao atingiu o topo, como voltou ao fundo do poço da miséria, para o qual foi atirado por uma lesão no joelho.
Recomeço e perseguição
Aos 26 anos, o ex-pugilista japonês decidiu abrir um bar, negócio que ainda durou menos tempo que a sua carreira desportiva. Pouco depois ganha contacto com o dono de uma fábrica de miso, ingrediente tradicional da culinária japonesa, perto de Shimizu. Aí decidiu (re)recomeçar a sua vida. Um ano mais tarde o seu chefe, a mulher e os três filhos são encontrados sem vida, vítimas de um assassínio à facada. Iwao Hakamada aparece como principal suspeito, e apesar de ter sido interrogado por duas vezes e posteriormente libertado, a polícia parecia decidida na sua culpa.
Vítima de tortura durante algumas semanas, Hakamada sempre alegou a sua inocência, até ao dia em que não aguentou mais a pressão e confirmou ser o assassino daquelas cinco pessoas. É claro que esta declaração havia resultado da dor a que tinha sido sujeito, o que diminuía as hipóteses de ser verdadeira. Em 1968, dois anos volvidos, Iwao é informado de que iria ser executado por enforcamento. Por esta altura, o pijama com uma gota de sangue, única prova que a polícia recolhera contra Iwao, já tinha sido retirado do caso; ainda assim, não tardaram a aparecer novas peças de roupa com sangue, estas que nem sequer eram do tamanho do arguido.
Espera
No Japão, os condenados apenas sabem do seu enforcamento uma hora antes deste mesmo acontecer. O insólito é que Iwao Hakamada aguarda, desde 1968, a ordem da sua execução. Há 42 anos que este japonês está a ser psicologicamente torturado pelo falacioso sistema judicial da sua nação, que em mais de quatro décadas apenas parece ter mudado o tipo de letra do seu logótipo. Actualmente é o homem que mais tempo passou preso no Japão, tempo esse que continua a contar.

2 comentários:
a
Para além de ser um caso, no mínimo, interessante, ajudou-me a fazer o texto para Português...
Aproveito para te dar os parabéns pelo excelente trabalho que tens feito com o blog.
Abraço
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