Chegou a «troika»


Quando eu era pequenino obrigavam-me a comer os espinafres e aquelas coisas verdes todas. O pretexto era quase sempre ser forte ou apenas crescer. Ora, quem quer ser um super-herói não se pode dar ao luxo de ver a sua carreira arrasada por um pequeno esforço falhado. Assim, eu lá comia.
Poupança
Neste último mês o tão temido FMI acabou mesmo por entrar no nosso país, para assim tomar comando das contas nacionais. Fala-se muito em planos de austeridade e num futuro de grandes privações para o povo português, com salários reduzidos e impostos aumentados. A «troika» dos "Cortes & Costuras" não parece vir com misericórdias e quer mesmo ver resultados e acordos para levar a cabo o empréstimo de 80 mil milhões de euros. O poder de compra dos portugueses vai sofrer muito, obrigando a que muitas bolsas fechem os seus cordões.
Vejamos, então, se as minhas noções básicas em Economia não falham: sem dinheiro, as pessoas não compram; se não compram, também não se vende; se não se vende, o comércio estagna e o dinheiro não circula. Desta forma, vamos cair numa depressão ainda maior, mais lojas irão fechar, o desemprego vai aumentar, e a pobreza, consequentemente, irá seguir pelo mesmo caminho. É claro que a questão não é assim tão linear, e se o fosse isso não implicaria a nossa salvação - com a corrupção que por aqui anda já nada me espanta.
Objectivo principal
O mais benéfico para o nosso país seria, sem dúvida alguma, o relançar da economia, não apenas um ridículo e efémero acertar de contas. É claro que não podemos atingir o primeiro sem o segundo, mas as medidas a aplicar são completamente diferentes. Precisamos que os portugueses se sintam confortáveis ao comprar o que quer que seja, o dinheiro precisa de ser investido para que todos ganhem e que a produtividade se torne rentável. Há muitas formas de conseguir isto, começando com investimentos tanto no sector público como no privado e um maior controlo sobre os grandes grupos económicos e a sua falta de disputa no mercado (caso das gasolineiras). No entanto, os economistas parecem bem mais empenhados em fazer perdurar a miséria parcial que se vive em Portugal do que puro e simplesmente erradicá-la de vez.
Lembram-se do exemplo dos legumes? Pois bem, não posso dizer que sou o Mr. Universe, mas cresci de forma saudável. Se o FMI chega cá e ainda nos quer tirar mais «legumes», como estará o país daqui a uns anos? O que será feito de Portugal se estamos a criar uma nação de pobres? O futuro é incerto, mas, para já, prevê-se negro, muito negro.

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