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E tudo o euro levou


Fruto da crise e suas violentas consequências, a discussão sobre a exclusão da Grécia da zona euro tem ocupado bastante a praça pública. Há quem defenda que a Grécia deva abandonar a moeda única, tudo para evitar o atraso crónico que se está a abater sobre uma «pobre» União Europeia. No reverso da moeda está o apoio à manutenção dos helénicos no euro, de forma a honrar o acordo europeu e evitar que a Grécia vá parar mais fundo no abismo.
Dracma, who's that?
Corre pela boca de muitos inconsequentes a exaltação de que a Grécia tem de sair do euro, e até Paul Krugman, Nobel da Economia em 2008, referiu que os helénicos vão «entrar em default e provavelmente sair do euro». Ora, de certo que há uma série de consequências a ter em conta quando tratamos de quadros tão mutáveis como a moeda e a economia. O abandonar da moeda única por parte dos gregos significaria o regresso à sua anterior moeda - o dracma - que chegaria desvalorizada, impotente face ao euro, dólar e libra esterlina. Muito provavelmente, este fosso iria aumentar progressivamente, tal qual como tem acontecido com outras moedas europeias - veja-se o Forinto húngaro.
De facto, o regresso ao dracma levaria a diversos resultados, tanto a nível local como comunitário. A desvalorização da moeda tornaria os produtos gregos mais apelativos a consumidores estrangeiros, o que levaria ao aumento das exportações. O consumo nacional também seria obrigado a aumentar, visto que os preços das importações subiriam em escalada. Por outro lado, as dívidas contraídas em euros tornar-se-iam cada vez mais elevadas, face ao menor valor da moeda, o que teria consequências devastadoras a nível público e privado. Face à crise mundial, nada propícia ao «renascer» de uma nação, e ao fraco poder da moeda, a Grécia poderia ser obrigada a declarar falência.
Honrar o acordo
Num artigo para o La Repubblica, Barbara Spinelli compara este ostracismo a um guarda-fogos. Um guarda-fogos que tanto nos querem impingir, para que acreditemos que com a Grécia fora do euro a tempestade irá cessar e o céu ficará mais claro. Como mais tarde é referido pela jornalista, ninguém acredita que esta solução seja levada a cabo, e muito menos que se torne eficaz e evite o contágio. As recentes decisões administrativas e financeiras, incluindo as tranches de ajuda, fazem acreditar que esta opção nem sequer está em cima da mesa.
Contudo, tenhamos em conta o aspecto mais vital da organização que se auto-intitula de União. Em 1981, a Grécia consumava a sua entrada na CEE, desde então já lá vão 31 anos de comunidade, esta mesma que agora a quer ver pelas costas. Empurrar a Grécia para fora da «União» Europeia seria contrariar todos os princípios que levaram à fundação desta Comunidade, para além de desresponsabilizar todas as outras nações europeias. O dever da UE, ou pelo menos aquele em que é suposto acreditarmos, é a fundação de uma comunidade próspera e o acautelar de crises, sejam elas económicas ou sociais. Uma expulsão apenas daria mais argumentos ao eurocepticismo, descredibilizando a União Europeia e os seus «princípios».
Fora destas temáticas técnicas, temos ainda que tomar em consideração aquilo que Mário Soares aponta no seu último artigo para a Visão. Na verdade, a Grécia é o berço do Ocidente, onde o conhecimento germinou pela primeira vez, antes de se espalhar pelos quatro cantos da Europa e do Mundo. Será o discípulo capaz de expulsar o seu mestre? Pessoalmente, espero que não, mas é bastante complicado prever o futuro de uma Europa tão abalada.
Leia aqui o artigo de Barbara Spinelli
Leia aqui o artigo de Mário Soares

Chegou a «troika»


Quando eu era pequenino obrigavam-me a comer os espinafres e aquelas coisas verdes todas. O pretexto era quase sempre ser forte ou apenas crescer. Ora, quem quer ser um super-herói não se pode dar ao luxo de ver a sua carreira arrasada por um pequeno esforço falhado. Assim, eu lá comia.
Poupança
Neste último mês o tão temido FMI acabou mesmo por entrar no nosso país, para assim tomar comando das contas nacionais. Fala-se muito em planos de austeridade e num futuro de grandes privações para o povo português, com salários reduzidos e impostos aumentados. A «troika» dos "Cortes & Costuras" não parece vir com misericórdias e quer mesmo ver resultados e acordos para levar a cabo o empréstimo de 80 mil milhões de euros. O poder de compra dos portugueses vai sofrer muito, obrigando a que muitas bolsas fechem os seus cordões.
Vejamos, então, se as minhas noções básicas em Economia não falham: sem dinheiro, as pessoas não compram; se não compram, também não se vende; se não se vende, o comércio estagna e o dinheiro não circula. Desta forma, vamos cair numa depressão ainda maior, mais lojas irão fechar, o desemprego vai aumentar, e a pobreza, consequentemente, irá seguir pelo mesmo caminho. É claro que a questão não é assim tão linear, e se o fosse isso não implicaria a nossa salvação - com a corrupção que por aqui anda já nada me espanta.
Objectivo principal
O mais benéfico para o nosso país seria, sem dúvida alguma, o relançar da economia, não apenas um ridículo e efémero acertar de contas. É claro que não podemos atingir o primeiro sem o segundo, mas as medidas a aplicar são completamente diferentes. Precisamos que os portugueses se sintam confortáveis ao comprar o que quer que seja, o dinheiro precisa de ser investido para que todos ganhem e que a produtividade se torne rentável. Há muitas formas de conseguir isto, começando com investimentos tanto no sector público como no privado e um maior controlo sobre os grandes grupos económicos e a sua falta de disputa no mercado (caso das gasolineiras). No entanto, os economistas parecem bem mais empenhados em fazer perdurar a miséria parcial que se vive em Portugal do que puro e simplesmente erradicá-la de vez.
Lembram-se do exemplo dos legumes? Pois bem, não posso dizer que sou o Mr. Universe, mas cresci de forma saudável. Se o FMI chega cá e ainda nos quer tirar mais «legumes», como estará o país daqui a uns anos? O que será feito de Portugal se estamos a criar uma nação de pobres? O futuro é incerto, mas, para já, prevê-se negro, muito negro.