
Em tempos de crescente crise económica, o Mundo tende a esquecer-se que esta não é a única crise instaurada. Por todo o globo atravessamos uma grave e exponencial anomia de valores, que ameaça eliminar a paz e instalar a desordem. O Ocidente, perante uma modernidade tão periclitante, vê-se a braços com atentados ao seu funcionamento, provocados tanto por forças internas como externas. Infelizmente, a Bélgica tem sido exemplo disto nos últimos tempos.
Novo Governo, mesma falta de união
Ao fim de mais de 500 dias, a Bélgica «conseguiu» formar Governo. Contudo, se há coisa que a Bélgica não está para conseguir num futuro próximo, é certamente resolver o choque cultural que assola o país. A divisão e disputa entre flamengos e valões não é assunto novo - veja-se que foi o partido separatista a obter mais votos nas eleições -, mas ultimamente tem-se tornado num fenómeno bem mais sério.
Esta semana, a comunidade flamenga de Grimbergen instalou uma linha telefónica para denúncias de um certo tipo de «crime»: a utilização de uma língua que não a holandesa. Ora, o verdadeiro crime é mesmo a aplicação desta medida racista e ultranacionalista, que tem como único objectivo tornar o holandês obrigatório. Marleen Mertens, Presidente da Câmara de Grimbergen, adjectivou esta medida como «completamente normal», comentando que quando vai à Valónia fala francês. Compreende-se o desejo de independência dos povos, sejam eles flamengos, bascos ou galegos, mas enquanto forem permitidos os ataques à pluralidade cultural e sua legitimidade, vamos ter bastante mais com que nos preocupar.
Atentado em Liege
Como se ainda não fosse suficiente, no mesmo dia em que é noticiada esta «obrigatoriedade» em falar o holandês, ocorre um atentado na cidade de Liege, a terceira maior da Bélgica. Nordine Amrani, cidadão belga, espoletou três granadas e abriu fogo contra uma paragem de autocarro em plena praça Saint-Lambert, a principal da cidade. Cinco pessoas morreram e mais de 120 ficaram feridas, outras 40 foram internadas devido a traumas psicológicos. Suécia (2010), Noruega (2011), Itália (2011), o assustador é que a lista vai continuar; o «sucesso» e visibilidade de um primeiro ataque faz desencadear uma reacção em cadeia de uma série de outros: estamos à porta de um ciclo vicioso.
Como se ainda não fosse suficiente, no mesmo dia em que é noticiada esta «obrigatoriedade» em falar o holandês, ocorre um atentado na cidade de Liege, a terceira maior da Bélgica. Nordine Amrani, cidadão belga, espoletou três granadas e abriu fogo contra uma paragem de autocarro em plena praça Saint-Lambert, a principal da cidade. Cinco pessoas morreram e mais de 120 ficaram feridas, outras 40 foram internadas devido a traumas psicológicos. Suécia (2010), Noruega (2011), Itália (2011), o assustador é que a lista vai continuar; o «sucesso» e visibilidade de um primeiro ataque faz desencadear uma reacção em cadeia de uma série de outros: estamos à porta de um ciclo vicioso.
A Bélgica assemelha-se a uma mini-Europa, são dois a mandar e ninguém se entende. Uns têm algum «poder» e querem mais, outros só querem sair e preservar a sua própria independência. Se o problema fosse apenas o dinheiro...

6 comentários:
Porque será que continuam a proliferar por essa Europa fora, ao fim de todos estes séculos, tantos movimentos separatistas?
O que é que alimenta esses movimentos, por vezes tão violentos?
seventy-six
Anomia?!
Pelos vistos o governo não fez grande falta, o sistema de directores e alternância (vigente na maioria dos países civilizados do séc. XIX) funcionou bastante bem, sem duvida que isto seria impossível sem estabilidade que proporciona uma chefia de Estado Real. A Bélgica é um país cujo o modelo me fascina, uma monarquia constitucional e parlamentar, que após o falecimento do sobejamente conhecido Rei Balduin encontrou em Albert um forte pilar. Quanto ao atentado de Liége é de lamentar, a violência deste actos na Europa acresce de forma assustadora. Não indo necessariamente ao encontro deste assunto, não deixo de relembrar que esta união política forçada não calará as vozes discordantes! A cada país o rei (governo)!
João Pêra Martins
Caro seventy-six,
O que é facto é que o sentimento local de comunidade muitas vezes prevalece sobre a união a outros grupos bastante diferentes. E quando esta união é forçada, o tempo não é suficiente para apagar o tal sentimento.
Isto é, claramente, o que se passa na Europa com o eurocepticismo. Julgo que são poucos os que se consideram europeus e só depois cidadãos da sua nação.
Caro Anónimo,
Utilizei anomia como uma quebra, uma disrupção dos valores da sociedade. É uma palavra bem forte, mas julgo que a posso colocar aqui.
Um belo exemplo de anomia social foram os anos 20, quando a sociedade mudou por completo, e todos aqueles valores tradicionalistas e conservadores desapareceram.
És tão famoso que já comentam em anónimo! yeii!
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