
O mundo festivaleiro português já mexe, também já estava na hora. A periodicidade de novas confirmações aumentou bastante e os cartazes vão ficando cada vez mais compostos. Obrigados a combinar três variáveis - a qualidade da música, o ambiente no recinto e acampamento, tal como o preço do bilhete -, os festivais vão atraindo ou repelindo visitantes. Mas afinal onde é que vale a pena ir este Verão?
É óbvio que o ambiente de um festival é, em grande parte, obra dos festivaleiros, mas a organização nunca pode descurar a sua contribuição. Como evento citadino, sem acampamento próprio ou próximo do festival, o Alive! apresenta um ambiente muito incaracterístico dos festivais de verão, quer no recinto como no acampamento (pago à parte), pelo que se torna muito pouco atractivo neste aspecto. Em termos das bandas encaixadas, é fácil entender que o Alive! está a tentar ascender, perspectivando uma disputa com os melhores da Europa.
The Stone Roses, The Cure e Radiohead são nomes sonantes, mas não são os únicos a juntar alguma categoria ao cartaz; Metronomy, Justice, Caribou e Mumford & Sons também cativam milhares de pessoas. No entanto, com esta ascensão em visibilidade, o preço é obrigado a acompanhar a subida, pelo que não é tarefa fácil colocar este festival como certo numa agenda de férias. Vale a pena pela música, mas perde muito pelo ambiente, ou melhor dizendo, a falta dele.
Bilhete Diário - 53€
Passe 3 Dias - 105€
Passe Campismo - 16€
Passe 3 Dias - 105€
Passe Campismo - 16€
Realizando a sua terceira edição no presente formato, o Super Bock incorre no mesmo erro que o Alive!: o acampamento. Este foi duramente criticado pelas absurdas quantidades de areia e pela falta de sombra, consequentemente, o ambiente também não contou com grandes elogios. No ano passado o cartaz contava com Arcade Fire, The Strokes e Arctic Monkeys, gigantes da música que levaram milhares ao Meco. Contudo, as condições do som também foram alvo de bastantes queixas, uma vez que os concertos não puderam ser aproveitados como seria expectável.
Apesar de ainda existirem bastantes espaços por preencher, as bandas confirmadas para a presente edição estão uns furos abaixo das expectativas. Certamente que Incubus, The Horrors ou Pete Doherty não cativam tantos festivaleiros quanto os artistas do ano que passou, ainda por cima com as condições oferecidas.
Bilhete Diário - 45€
Passe 3 Dias - 80€
Passe 3 Dias - 80€
Neste momento, Paredes de Coura é o festival mais antigo de Portugal ainda em actividade, caminhando já para a sua 20ª edição. A idade torna-o, sem dúvida alguma, um caso especial; procurado pelo seu ambiente, é dos únicos festivais capazes de vender bilhetes sem ter confirmado uma única banda. O rock alternativo e o indie sempre reinaram no festival, mas uns ligeiros desvios (Sex Pistols e Nine Inch Nails) nunca causaram grandes choques ao fiel público. Ainda assim, todos conhecem as enormes limitações orçamentais de que o festival padece, pelo que os nomes apresentados "nunca" são enormes.
Para este ano, a organização já confirmou dois nomes grandes: Ornatos Violeta e Kasabian. Se com os primeiros a nação de Paredes rejubila, com os segundos a indiferença é enorme. Depois de um álbum brilhante, os Kasabian vão agora apresentar um longa-duração fraquíssimo, muito fora do seu registo habitual. Ainda faltam muitos artistas, mas se o objectivo for uma abstracção do Mundo durante uma semana, Paredes de Coura é a escolha certa.
Passe 4 dias - 80€
Primavera Sound
Originalmente em exclusivo na terra de nuestros hermanos, o Primavera Sound invade pela primeira vez o território nacional. O festival vai desenrolar-se no Parque da Cidade, no Porto, mas apresenta-se com um conceito exageradamente indie. Apesar de conter alguns nomes de maior dimensão, como Björk, Black Lips ou The Flaming Lips, o cartaz parece insuficiente para um bilhete de 99€. Esta relação cartaz/preço apresenta-se como a principal falha do Primavera, que apenas terá sucesso por atrair o universo hipster do momento.
Marés Vivas
Comemorando o seu 10º aniversário com uma edição de 4 dias, o Marés Vivas apresenta-se como um festival cada vez maior. Contando com Franz Ferdinand, The Cult, Billy Idol e Gogol Bordello, entre outros, o festival de Gaia apresenta um cartaz forte, ainda que algo repetitivo. O passe não é dos mais caros (50€), mas o festival não possui acampamento, pelo que ao preço do bilhete ainda acresce o da dormida. Assim, o Marés acaba por ser uma boa opção a nível musical, ainda que muito fraca a nível de ambiente.
Percebendo as diferenças entre os principais festivais portugueses, torna-se simples entender que há algo para todos os gostos. Seja pela índole musical, ambiente ou até proximidade geográfica, cada festival torna-se apelativo para um determinado público. No entanto, quando a música é o único aspecto realmente cativante, se isso falha tudo o resto se perde. O que se torna, então, importante? O ambiente ou a música? A partir daqui é com o festivaleiro.

4 comentários:
Bom resumo das confirmações até agora conhecidas! Agradeço que continues. :)
Com um cartaz como o do SBSR'11, até numa pocilga era memorável!
Falta o Vagos!
muito bem resumido, faltou-te só umas palavras para o milhões em festa, mas gostei do facto de excluíres o rock in rio deste leque de 'festivais de verão'.
António MS,
Não analisei o Vagos porque tinha de colocar algumas restrições para o artigo não me sair gigante. Mas qualquer dia publica-se aí um almanaque sofre festivais de verão.
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