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Um punch na cultura portuguesa

Foi no passado sábado que se realizou, na Taberna das Almas, o primeiro Punchfest by mobitto, organizado pela Punch Magazine. Festival polivalente e diversificado, reunindo uma panóplia de actividades artísticas, aliou, entre outras, música e pintura, exposições e filmes de animação. Desenvolvendo um conceito inovador, ainda marginal no país, alertou assim para a importância de apostar em expressões culturais distintas, que harmonizem as relações entre as diferentes formas de arte. Espaço idílico para a realização de um evento cultural, a Taberna das Almas – antiga fábrica de vidro, reabilitada – revelou-se um local acolhedor e familiar, ameaçando tornar-se uma oficina artística de culto em Lisboa.
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Texto por Daniel Veloso e Francisco Morgado Gomes

Optimus Discos 2012: Cais do Sodré

Cais do Sodré bem frequentado com boa música portuguesa. Na noite de apresentação da nova gama de artistas da Optimus Discos, destaque muito positivo para The Doups.
Pontualidade britânica e sala cheia em todos os concertos. Chegámos a tempo de ouvir as últimas músicas do alegre Lucas Bora Bora na Pensão Amor, numa altura em que a fila já era desencorajadora.
Seguiram-se The Poppers, contratação de luxo da Optimus Discos. Sabendo que não havia tempo para muito, entraram sem cerimónias e a todo o gás. Raimundo não deixou os seus créditos por mãos alheias: surpreendeu a plateia ao sair do palco e, em Dogsom Blues, emprestou a guitarra a uma rapariga – «Juro que não a conheço!» -, posicionou-lhe a mão dos acordes e deixou-a brilhar. Com a incisiva Mrs. A e comentários que se atiram em concertos de rock ‘n’ roll pelo meio, despedem-se com Drynamill – a música que «nos tornou milionários» e que todos souberam acompanhar.
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Texto por Daniel Veloso, Francisco Morgado Gomes e Pedro Rebelo Pereira

Blasted estremeceram o Sá da Bandeira

Ao navegar pelo universo da música portuguesa, será tarefa herculeana confundir Blasted Mechanism com qualquer outro grupo. Criadores de um género até então submerso em Portugal, em 1995, Karkov e Valdjiu davam início à vida de um novo Ser: os Blasted Mechanism. Desde então que esse novo Ser não conhece limites, evoluiu, sofreu transformações e, inclusive, transfigurações, mas a alma, essa nunca se modificou. Agora, depois de 17 anos de vida, não há espaço para dúvidas: os Blasted são únicos.
A pouco e pouco a sala do Teatro Sá da Bandeira ia-se compondo, as expectativas aumentavam e o público começava a ansiar pelo início do espectáculo. Sim, porque concerto não será a denominação mais correcta; as luzes, os fatos, o palco, tudo isto o torna em muito mais do que um simples concerto. O grupo vinha apresentar o seu último álbum de estúdio: Blasted Generation. No palco, imponente, uma espécie de pirâmide. Inspirada em Metratron – figura que representa O Anjo Supremo – e no Hipercubo, a estrutura foi desenvolvida por Valdjiu e Rui Gato, responsável pelo Video Mapping.
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Supernada: andava gente à vossa procura

Os Supernada, banda de Manel Cruz criada em 2002, apresentaram quinta-feira, no Lux, o seu primeiro álbum, Nada é Possível. A nostalgia que envolve o artista e todas as suas criações foi quase sempre substituída pela virilidade e pujança, com o público a prestar culto desde início.
«O mito é o [super]nada que é tudo». Aqui encontramo-nos com o verdadeiro génio de Manel Cruz. É impossível não fazer notar os fragmentos de Ornatos Violeta, Pluto ou Foge Foge Bandido que se alojam em Supernada – desde o futurismo, ao papel determinante dos sintetizadores e às inigualáveis voz, expressões e letras -, mas é inexplicável como, depois de tanto sumo que Manel Cruz já nos deu a beber, nos consegue sempre surpreender com rasgos inéditos de originalidade. As células cerebrais de Manel, está provado, renovam-se e multiplicam-se. E perduram.
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Texto por Francisco Morgado Gomes e Pedro Rebelo Pereira