
A selecção portuguesa de futebol está igual a si mesma: mais um apuramento sofrido, arrancado num play-off em estilo de déjà vu. É claro que as duas primeiras derrotas da qualificação, sob o comando de Carlos Queiroz, também pesaram, mas a Paulo Bento faltou-lhe a ponta final - o jogo frente à Dinamarca.
As renúncias
Quando falamos na mesma predestinação e estrutura, não podemos deixar de lado os dois casos que marcaram os últimos meses da formação portuguesa. Em apenas três meses Portugal viu-se privado de dois dos seus melhores defesas: Ricardo Carvalho e José Bosingwa.
Quando falamos na mesma predestinação e estrutura, não podemos deixar de lado os dois casos que marcaram os últimos meses da formação portuguesa. Em apenas três meses Portugal viu-se privado de dois dos seus melhores defesas: Ricardo Carvalho e José Bosingwa.
O primeiro caso foi o de Carvalho, apelidado de «desertor» por Paulo Bento, o jogador chegou a dar uma entrevista à RTP, na qual não disse nada de novo e tão-pouco se justificou. Ricardo Carvalho abandonou o estágio da selecção nacional sem dar quaisquer explicações ao treinador e colegas. Mais tarde disse que se sentia «a mais, desrespeitado e ferido». Se Portugal já tinha ficado sem um brilhante jogador, não tardou muito para que outro lhe seguisse os passos.
Antes das partidas frente à Islândia e Dinamarca, Bosingwa renunciava à selecção nacional. Em causa estavam os comentários de Paulo Bento sobre as condições mentais e emocionais que Bosingwa oferecia, preferindo outros jogadores como João Pereira ou Sílvio. Bosingwa sentiu-se, tal como Carvalho, «ofendido e desrespeitado», caracterizando Paulo Bento como um «treinador conflituoso, que não tem capacidade emocional ou mental para liderar um grupo de homens».
O play-off
Cientes destas duas perdas, mas segundo Postiga mais atrapalhados com a chuva, Portugal partia para dois embates decisivos com a Bósnia-Herzegovina. Era a oportunidade para os bósnios se vingarem do play-off de há dois anos, isso ou tornarem Portugal no seu carrasco habitual. Pelo leste a selecção não fez nada de fantástico, empatou uma partida sem muita história segurando bem a eliminatória. Uma série de perdidas sem nexo custaram a vitória a ambas as equipas e a falta de eficácia acabou por ditar o 0-0 final. Ao nível individual vimos Pepe brilhar, mostrando excelente capacidade em liderar o eixo defensivo.
Na Luz a história foi outra. Com a lotação do estádio quase esgotada, Portugal sabia bem a tarefa que tinha de desempenhar, e como o fazer. A intenção ofensiva demonstrou-se desde o início, e a abertura do marcador coube a Cristiano Ronaldo e mais uma das suas exímias cobranças de livres-directos, que levantou o Estádio da Luz aos 6'. A selecção continuou a atacar e Nani, aos 24', desferiu um incrível remate do meio da rua, fazendo o 2-0. Os bósnios reduziram antes do intervalo, com uma grande penalidade, e já no segundo tempo marcaram novo golo, que fez o 3-2. O esquema defensivo não foi o melhor, o que provocou alguns erros e alguma insegurança quanto ao resultado. Ainda assim, a selecção das quinas nunca perdeu o seu norte, e foi Hélder Postiga a matar o jogo - e o fantasma que o perseguia - aos 72', dando-se ao luxo de bisar e fechar o resultado em 6-2 pouco depois.
Foi com uma goleada que Portugal carimbou a passagem à fase final do Europeu 2012, a ser realizado na Polónia e na Ucrânia. Já se sabe que Ricardo Carvalho e Bosingwa não terão possibilidades de integrar a comitiva portuguesa, pelo que serão menos duas referências defensivas. Quanto ao sorteio, este será realizado no dia 2 de Dezembro; Portugal aparece no pote 3, ladeado por Croácia, Grécia e Suécia, selecções estas que não podem calhar aos portugueses.

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