
Literatura #3

Literatura #2 - Animal Farm

Cinema #13 - José e Pilar
José de Sousa Saramago surge-nos, nesta longa-metragem, despojado do traje egocêntrico que sempre lhe tentaram vestir, sem presunções ou altivez. Apercebemo-nos que, de facto, a pessoa quase ignóbil e inquestionável criada pela imprensa não passava de uma máscara ignorada por Saramago. Este era, como todos nós, um ser humano, normal, e de uma simplicidade inicialmente estranha. Acima de escritor, José Saramago era um Homem, que apenas se distinguia verdadeiramente pela sua forte personalidade, vincada de fundamentados ideais.
Pilar del Rio é a personificação da letra capitular da palavra Mulher, uma mulher de armas que apenas parecia baixar a guarda a um homem quando este era Saramago, e ninguém mais! Dotada de um forte feminismo, a Presidenta (sem aspas) da Fundação José Saramago, foi verdadeiramente o Pilar da vida do português. Na vida do Homem e do escritor a jornalista surge como pedra basilar, funcionando como força motriz para toda aquela correria desenfreada.
Literatura #1 - Os Anagramas de Varsóvia
A obra, de índole histórica, começa por apresentar ao leitor Erik Cohen, um psiquiatra de palavras gastas, enquanto este deambula pelas ruas de uma Varsóvia oprimida pela guerra. Ele um dia pertencera àquele local, o seu lugar era ao lado dos mais fracos. Pelo meio da sua expedição de regresso Erik encontra Heniek Corben, com o qual começa a discutir a situação do gueto. A conversa expande-se para a vida de Erik e de repente o leitor encontra-se no meio de uma narrativa, na qual Cohen relata a Heniek toda a sua vida e experiência no gueto.
Uns meses antes, durante um gélido Inverno polaco, o sobrinho de Erik desaparece sem deixar qualquer rasto. Na manhã seguinte este aparece na vedação de arame farpado que separava o gueto do Mundo. Enquanto a angústia e a raiva invadem Erik outra criança aparece morta. A personagem principal assume então um papel de anti-herói, tentando recolher provas para encontrar de uma vez o cruel assassino.
Por entre uma viagem pelos lugares mais inóspitos do gueto e situações de cortar a respiração, Erik conta-nos a inacreditável busca que ele e o seu fiel amigo Izzy fizeram ao homem que lhe arruinou a vida. Por entre toda a narrativa sentimos o frio a queimar nas mãos e a escuridão que se abate sobre a cidade, olhamos a pobreza e presenciamos a morte, somos assim invadidos por um turbilhão de sensações que nos prendem às palavras até ao findar das páginas.
Nota: O mapa apresentado acima, realizado por mim, serve para o situar, demonstrando a localização de algumas referências do livro. Estão apontadas as localizações de algumas passagens secretas utilizadas pelos judeus, tal como a da própria casa do protagonista.
