Inglaterra, 1983. Shaun (Thomas Turgoose), um pequeno rapaz de doze anos marcado pela morte do seu pai, não tolerava que falassem deste em vão, o que lhe valia alguns problemas na escola. Depois de um dia complicado Shaun passa por um grupo de skinheads que o decidem acolher no grupo, tentando diverti-lo e apoiá-lo. Ele acaba por se inserir na cultura skinhead e a passar grande parte dos dias seguintes com eles, começando a vê-los como os seus verdadeiros amigos. Toda a envolvente faz com que o ingénuo rapaz se integre num mundo que não conhece; e se no início começa com umas simples brincadeiras mais arrojadas, no final acaba por ser demasiado para uma simples criança apanhada no meio de uma crise emocional.
O pai de Shaun morreu a defender o seu país na guerra das Falklands, e consumido por uma conversa-barata sobre o nacionalismo, o pequeno decide deixar o pai orgulhoso, ingressando na frente nacionalista britânica, cujos comportamentos são extremamente xenófobos e têm como objectivo a expulsão definitiva de imigrantes do solo britânico. À primeira vista, e com o poder nas mãos, Shaun parece gostar de todo aquele ambiente de defender o país e menosprezar os estrangeiros, mas o assunto era muito mais profundo e só quando tudo se descontrolou é que o rapaz finalmente percebeu onde se tinha metido.
Um filme impressionante que nos deixa boquiabertos e incrédulos com tamanha realidade que transmite. É apresentado um mundo que poucos conhecem na primeira pessoa, e que tanto assolou a Grã-Bretanha nos anos 80 e 90. Absolutamente assustador.
E que opinião tem o leitor sobre esta longa-metragem?
Entre os dias 27 e 29 de Agosto decorreu em Reading, Inglaterra, o mais antigo festival de música ainda no activo, que é ao mesmo tempo um dos maiores e melhores do Mundo. Foram duzentas e dez (sim, 210!) as bandas que espalhadas por 5 palcos actuaram para cerca de 90.000 pessoas todos os dias, sem contar ainda com as dezenas de comediantes e demais artistas do palco alternativo. Entre os nomes mais sonantes figuravam Queens of the Stone Age, Arcade Fire, Blink-182, Guns n' Roses, e os tão aguardados The Libertines.
Na realidade o festival de Reading, tal como muitos outros festivais de verão, começa antes de qualquer actuação, já que antes dos dias com concertos é possível acampar numa massiva área verde dividida em sete diferentes zonas de campismo (ver aqui mapa do festival). Com a ajuda das chuvas torrenciais essa tal área verde transformou-se rapidamente num extenso e profundo lamaçal impossível de ser habitado sem as devidas galochas; apesar disto havia quem apenas usasse chinelos ou ainda quem andasse descalço. Com a chegada dos concertos a chuva foi cedendo aos pedidos dos festivaleiros e durante o fim-de-semana o sol foi dominante, o que não fez com que a lama desaparecesse mas ajudou a que esta não continuasse a alastrar.
No primeiro dia, em termos de grupos mais adorados, actuaram os Billy Talent, Gogol Bordello, NOFX, Biffy Clyro, Queens of the Stone Age, LCD Soundystem e Guns n' Roses. Os ciganos de Eugene Hütz voltaram a fazer a festa com os seus alegres temas de música étnica; os norte-americanos de Joshua Homme tiveram uma actuação de elevada qualidade mas de curtíssima duração; já Axl Rose e os seus amigos chegaram uma hora atrasados e tiveram de ter o som cortado para abandonar o palco. No geral acabou por se revelar um dia à altura do festival, com várias actuações de grande nível e um óptimo fecho por parte dos LCD Soundsystem. Nota positiva para os pouco conhecidos Blood or Whiskey, grupo de punk celta que abriu o palco Lock Up com muita energia e dedicação.
Depois de um bom princípio de festival chegava a vez de os The Libertines actuarem, o que causou algum nervosismo em todos os fãs. Juntamente com o grupo britânico eram Hadouken!, Dizzee Rascal, Crystal Castles, Pendulum e Arcade Fire os grupos que esperavam recolher mais espectadores. Os ingleses Hadouken! entraram a todo o gás com a sua electrónica na tenda Radio1/NME, pujantes e destemidos; os Arcade Fire atingiram um espectáculo melódico e harmonioso com grandes respostas por parte do público em músicas como Laika ou No Cars Go; contudo, as grandes atenções da noite estavam viradas para os The Libertines, que surpreenderam todos com a cumplicidade demonstrada entre Pete Doherty e Carl Barât. Tiveram uma performance irrepreensível e mostraram o porquê de serem tão adorados pelo mundo fora.
No derradeiro dia do festival de Reading eram aguardadas as actuações de Blink-182, Paramore, ou ainda Limp Bizkit, o que fazia com que a qualidade musical estivesse quase exclusivamente patente nos palcos secundários. Estes contavam com artistas como Los Campesinos!, Metronomy, The Drums, Foals, We Are Scientists e Klaxons, entre outros. O grupo dos diferentes Campesinos! organizou a festa do costume com a sua música ritmada e alegre; a electrónica de Metronomy esteve ao mais alto nível, tal e qual da forma a que eles nos habituaram; The Drums chocaram uma grande assistência ao não tocar o seu grande single, Let's Go Surfing; os Foals foram absolutamente clamorosos, nada de negativo a apontar num espectáculo que apresentou todas as suas facetas e qualidades; We Are Scientists conseguiram provar porque estão no auge da sua carreira que já dura há uma década, obtendo uma excelente cumplicidade com o público ao aliar a conversa com a música; no final foram os Klaxons a fechar a tenda Radio1/NME, no que foi mais um excelente espectáculo terminado com a destemida Atlantis to Interzone.
Depois de uma semana intensa entre voos e viagens de comboio e tube apenas me recordo de dois aspectos que poderiam ter sido melhores no festival; se Queens of the Stone Age tivessem sido trocados com Guns n' Roses e The Libertines com Arcade Fire provavelmente o espectáculo teria sido ainda mais incrível. Porém Reading 2010 acabou por se revelar um excelente festival, logrando provar mais uma vez porque é um dos maiores e melhores eventos de música ao ar livre do mundo. Tudo ajudou, desde os artistas aos festivaleiros e desde as condições climatéricas à organização. É sem dúvida um modelo a seguir.